Sexta-feira, Novembro 30, 2007

Você me abraça e isso passa.

Ao ouvir minha irmã se lamuriar no quarto e chorar em voz de alto desespero, fico no contente sofá pensando que as queixas dela sobre a vida são as mesmas que as minhas. As minhas de hoje, de ontem, de que ao experimentar a vida notei a falta de sentido. Pensar e pesar no porque dessas tremendas tolices que nos propomos. Ela quer diversão e diz que: com medicina nunca terá e viverá a vida num trabalho chato. Você conhece o discurso, já me ouviu tantas vezes por aqui. Será de família, será de mundo? Será meu e dela, será do Caetano, será só meu e ela me entendeu? Lúcido, louco, gordo estou com certeza absoluta...
Será que nunca mudei, sempre o mesmo, invés de uma pedra na vidraça alheia que antes adorava jogar, now a mesma pedra, but em meu vidro.
Como o caco daquele espelho do “Avant la Paine”, será que cato os cacos?
Será que acabo de ler o Caio antes dele acabar comigo? Será que Caio e voô, ou Caio e calo?
Será que mato ou morro? Não tenho muitos entraves além desses dois, como todo mundo e minha irmã, chora, chora, chora, chora. E me dá uma vontade de chorar, me seguro.


Minha mãe manda prestar atenção e dá todos os conselhos honestos de mãe, aqueles que elas vêem e ninguém compreende pelos mesmos motivos. Esse texto se perde, a noite se perde, a vida se esvai, nos sobra copos. Quantos copos eu ainda posso quebrar até me curar dessa embriaga vida? Marota pergunta, né? Nem notou de tão que é... Processos Químicos? Química na Uerj? Medicina? Sabe, tem momentos que não devemos respeitar os outros, a opinião sabe, tem momentos que enxergamos o errado. Então nos calamos, em prol da liberdade, bobeira! Quem é livre? Nós dois somos? A dulcíssima prisão, não é por dulcíssima, doce, aprazível, do latim dulce que deixa de ser prisão. Eu quero o que há em mim ou o que há em ti? E você quer sem ter fim? Ainda assim falamos em liberdade, maior ou menor, não é plena... Ela quer, eu quero, defeito de família. Não optar, querer tudo, tudo é nada! Obrigado Alberto Caiero, obrigado mesmo?
Vou dormir, evitar as lágrimas, já não é tristeza é o peso disso tudo, é o love apesar, a pesar, há pesar. Hilda Hilst tem razão.

Acho que aqui em casa, em casas, não estamos acostumados a terminar as coisas; eu mesmo, nunca termino. Poderia ter um emprego melhor, faculdade melhor, amores melhores eu poderia ter tido, mas nunca procurei... Depois que as coisas acabam, dou graças e belê. A vida é uma só, então devemos viver desesperadamente. Ou melhor, entendemos que é uma só, devemos então viver sem nos preocupar. Ou melhor ainda, devemos viver como quisermos. Mas não dá, em alguns momentos tem sempre alguém que enxerga que estamos fazendo “errado” e fala, não respeita nossa opinião. Ora, calem-se os sábios, os tolos, os otários e os fodas.... quem fala agora sou eu, e isso passa, tudo há de passar. O que resta, resta em outros, em mim cinza, pó, um esqueleto qualquer de uma dívida qualquer nunca paga. Sofremos quando pensamos em nascer e levamos até o último minuto essa dor, esse pranto, e toda essa beleza resultada do que provemos do desespero que é a vida. Esse resultando da ação da gravidade sobre os corpos, que nos assola. Essa grande pedra do lagar ligada pelo fuso à viga, que temos que carregar.

Tenho tantas certezas que criei, contrárias a tantas outras certezas que ouvi e me pareceram tolas: tenho certeza nenhuma. Mas quem não tem nenhuma certeza não tem opinião, não tem nada, nem mesmo é respeitado. Ou fale de uma coisa ou de outra, mas fale, fale da certeza com certeza, de que a vida é um punhado de incertezas e dessas certezas globais você não tem certeza nenhuma, pois você tem suas próprias certezas. Besteira, mentira, papo para beijar na boca alheia. Temos nada, nem mesmo essas letras. Ela é que nos tem, bem sabemos disso. Já é uma certeza, não temos como escapar das sentenças. Nietzsche escapou? Quem sou eu? Minha irmã, tu a quem que escrevo... Quem somos? Que certeza você me trará do ser, logo mais no bar?

Ela chora no quarto e eu não sei se choro de infeliz ou de contente... por que esse querer desigual e infinitivamente pessoal? Meu, dela, do Caetano. O que hacer sobre tudo? Sobre tudo um pouco, talvez? Dulcíssima prisão: é quanto tenho você em meus braços, e esta é a certeza que quero carregar antes de ir dormir, pois deve fazer alguma diferença nesta vida morrer feliz.

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