Segunda-feira, Dezembro 03, 2007

Palavras Cruzadas

Estou tão abandonativo, tão cansativo e repetitivo que me sinto abandonado e cansado de tanta repetição. Não é uma briga, mas me sinto doído com o que você fala e deixa de falar. Por isso vou escolher algumas palavras aqui para também te machucar e ver se desconto a infelicidade que sinto provinda de você.
Para amanhã ou depois, termos qualquer entrave menor e voltarmos a nos falar normalmente, o silêncio cicatrizando a dor das palavras. Sem não antes, exponencializarmos nossa mágoa e transformar tudo que sentimos ao avesso no passar dos dias. Com isso, cada vez mais a cicatriz alarga até não caber em nós dois. E entre tantos machucados nos largarmos, alargando o abandono e o cansaço, cortando a repetição. Fazendo de ti e de mim, pessoas afastadas no clima de nunca terem se conhecido. Sangrando tanto na rima de ter jogado fora a vida no tempo e nem mesmo isso vai dar vontade de chorar. Porque não vai doer se afastar, será um alivio e olhando bem aqui no dicionário, encontrei as palavras que você me faz sentir: não feliz; desgraçado; desafortunado; mal-aventurado; inditoso; desastrado.
Uso essas palavra, - Palavra que uso!

Porém se você me olhar bem de perto: desengano, desafogo, me comovo e digo bem baixo quase inaudível que te amo. Acabo procurando no dicionário e encontro outras palavras: ditoso; afortunado; satisfeito; alegre; abençoado; bendito; bem imaginado; bem combinado, acertado; bem sucedido; próspero. Noto que tenho muita sorte e faço com cada uma dessas palavras, anticéptico cromo para remediar o veneno contido nas outras. Com essas certas palavras nos enclausuramos, nos abraçamos, apertamos, sufocamos e escapamos... De tanto perdão, não levamos fé que não é mais abandono, apenas cansaço e repetição.

Tanta repetição que não sabemos se sabemos felizes ou infelizes, o que está acontecendo.(ou: ?) Caminhamos sem noção, sem nos perguntar: Quem está ao nosso lado. Sem enxergar que estamos nos matando. Dois conhecidos e desconhecidos quase que imperceptíveis um para o outro, procuro aqui no dicionário e encontro outras palavras: indiferente; que não é bom nem mau; que se não importa; que não tem preferências; apático. Noto que podemos apresentar propriedades e soluções ácidas ou básicas, não importa mais. Nem importa quando os nossos corpos se mantêm em qualquer posição, independente da posição do (outro corpo), eles não movem como antes. Nem mais, pois menos amor e gozo tanto faz, tanto gozo, tanta dor: indifferente e ao mesmo tempo muito confuso. Já não mais cruzamos o olhar, não cruzamos as palavras, nem palavras cruzadas fazemos. Já não é amarga nem doce é, cica e tudo morre lento sem percebermos, e quando nem bem sentimos um pouco, a nuvem corre, os cones de sombra correm, a penumbra e numbra correm e são projetadas no disco lunar e infelizmente a lua fica, apática, nua, apesar de loa tudo é eclipsado. Um eclipse, e o nosso amor em conjunto desvanece. – Triste, a palavra vem na minha boca sem nem mesmo eu pensar ou me sentir triste.

Com isso, as outras palavras que residiam em ti, que só depois residiram em mim, moram em algum lugar longe, não sei onde. Não lembro nem mesmo o que significavam e fico me perguntando se são as palavras ou a falta delas que separam as pessoas.

6 comentários:

Eloqüência disse...

Depende da ocasião. As palavras se cruzam. E narramos uma bela historia (invejavel, inclusive)

Rinoa disse...

Não é só por palavras que as pessoas se entendem...

Eloqüência disse...

Certamente não!
Por olhares, beijos, abraços, risadas e lágrimas tb!
Por isso o pássaro se dá bem com a borboleta!

Pássaro sem patas disse...

O sentido de dizer que são as palavras que separam as pessoas é assim.
Fulando liga para casa de Sicrana(o) e diz:
- Terminanos.
São as palavras. Um jeito bruto simples. Era só isso que quis dizer e nada mais.

Agora na falta de palavras são os gestos.

Tenho uma reclamação para fazer com o Dr. Pedro Elias Blogspot que nos chateia com essa formatação

Teve um trecho que saiu errado o original é: Nem importa quando os nossos corpos se mantêm em qualquer posição, independente da posição do (outro corpo),eles não movem como antes.

Pássaro sem patas disse...

Enfim até a formatação do comentário tá ruim o trecho original, agora sim, é assim: Teve um trecho que saiu errado o original é: Nem importa quando os nossos corpos se mantêm em qualquer posição, independente da posição do __________________________________________________[só que sem os tracinhos(outro corpo)],eles não movem como antes

Anônimo disse...

Delícia que é vir aqui.
Saudade de vocês.
Beijo,
Alice
www.asmaravilhasdopaisdealice.blogger.com.br