<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840</id><updated>2012-01-08T19:09:05.027-02:00</updated><title type='text'>Jardim Suspenso</title><subtitle type='html'>Sobre a vida, o universo e tudo mais...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>154</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-7018858793297815975</id><published>2009-11-23T12:07:00.001-02:00</published><updated>2009-11-23T12:09:14.937-02:00</updated><title type='text'>Trans-Bagunça</title><content type='html'>Atreveste dizer uma coisa e depois outra, sem saber que toda essa exclamação me pôs fora do ar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atreveste colocar a sua mão na minha mão, dando passos em falso, até cessar rapidamente o que chamamos de dança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atreveste a por a mão dentro da minha calça, passando pelo sorvete que escorria sem calda, enquanto o filme do Antonioni estava monótono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atreveste a dar colher de chá aos sobre-saltados da vida, e assustou-se quando a lanterna como flecha apontou para o seu rosto acusado no escuro do cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atreveste a dar propósito a uma bagunça e confusão de palavras e atreveu transcender chamando isso de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atreveste a presumir que a caminhada pela Cinelândia após o show do Caetano acabava em bar, e associar que bar acabava em cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atreveste a correr para fazer sinal a um quatrotrêsdois laranja, que cortou e varou como bala por uma 28 de Setembro silenciosa, a espera do barulho e luzes das armas trans-saltantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atreveste a desmanchar o segredo da porta e transar ali mesmo, na cozinha, enquanto seus pais dormiam de boca aberta no sofá da sala, sobre a batuta e iluminação do filme do Antonioni que sobrava na TV. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atreveste dizer ao acordar, inquieta por me ver escrevendo que minha escrita era pretensiosa, pois não tinha nexo escrever sobre ontem e que era muita cara de pau achar que escrever sobre uma bagunça sem propósito e umas palavras confusas daria um bom texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não me atrevi lhe tirar a razão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-7018858793297815975?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/7018858793297815975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=7018858793297815975' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/7018858793297815975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/7018858793297815975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2009/11/trans-bagunca.html' title='Trans-Bagunça'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-6331845805970361220</id><published>2009-02-10T19:42:00.002-02:00</published><updated>2009-02-10T19:49:11.279-02:00</updated><title type='text'>Quarto Escuro</title><content type='html'>O mundo dos mortos era assim: uma grande sala com paredes escuras cheio de cadeiras enfileiradas, como um cinema sem tela.&lt;br /&gt;Aparentemente todos os assentos estavam ocupados, embora houvesse alguns que estavam vazios, sempre havia alguém do lado de alguém.&lt;br /&gt;Havia uma porta de madeira no fundo. Através dela se via um hall. Piso branco de mármore e uma escadaria com um corrimão de madeira talhada de modo elegante.&lt;br /&gt;Na parede em frente havia uma enorme janela de vidro, pela qual a luz esbranquiçada de um dia nublado brilhava intensamente.&lt;br /&gt;As pessoas que estavam naquela sala não estavam mortas fisicamente, estavam apenas mortas. Eram mortas-vivas.&lt;br /&gt;Viviam fisicamente até que a vida física se esgotasse.&lt;br /&gt;Como o mato que cresce em terrenos vazios.&lt;br /&gt;Uma vez havia uma senhora que vivia em um apartamento. Um dia ela se deitou em sua cama, e morreu.&lt;br /&gt;Passaram-se 30 anos. A luz foi cortada e a água também.&lt;br /&gt;O zelador resolveu arrombar a porta do apartamento, julgando que estava abandonado. Encontrou o corpo na cama, depois de 30 anos.&lt;br /&gt;Quem estava no seu enterro? Quem teria rezado por ela? Alguém acaso levou flores?&lt;br /&gt;Lembrem-se de nós. Nós que somos comuns e sem importância. Nós que estamos na escuridão.&lt;br /&gt;Vemos o quanto brilham, vocês. Que com o olhar iluminam as estrelas. Uma palavra gentil é como a brisa. Um abraço, faz o sol descortinar a manhã. Com um beijo colorem o mundo.&lt;br /&gt;Lembrem-se de nós, para que vivamos. Por um segundo, por toda a vida.&lt;br /&gt;A vida está nos outros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-6331845805970361220?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/6331845805970361220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=6331845805970361220' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/6331845805970361220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/6331845805970361220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2009/02/quarto-escuro.html' title='Quarto Escuro'/><author><name>Rinoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14199996507076775001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-1471149362373131025</id><published>2008-12-02T15:08:00.001-02:00</published><updated>2008-12-02T15:09:33.749-02:00</updated><title type='text'>Que é do tipo cara valente</title><content type='html'>Não olhou para trás, tamanho o tamanho do futuro que quis.&lt;br /&gt;Mal pra frente ele olhou.&lt;br /&gt;Sacou seus óculos escuros, manchados com vontade de não ter.&lt;br /&gt;Respirou e partiu.&lt;br /&gt;Repartiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até hoje anda sem, sempre, semântica, sêmen, semelhante...&lt;br /&gt;... semáforo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anda vermelho achando ser verde...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-1471149362373131025?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/1471149362373131025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=1471149362373131025' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1471149362373131025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1471149362373131025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2008/12/que-do-tipo-cara-valente.html' title='Que é do tipo cara valente'/><author><name>Coelhuu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10640747142542860496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_4lhg-Ix4oqc/S8u83E3diEI/AAAAAAAAAD0/WbMLvQCn_Ak/S220/n701471314_1272131_8356.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-7104694714067720919</id><published>2008-11-25T21:24:00.011-02:00</published><updated>2008-11-25T21:51:57.315-02:00</updated><title type='text'>Cenas Imemoriais de Afonia</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;O tempo parecia ser nulo... Era o intenso relato do jamais esquecido; O olhar disfarçava o reduto e este era preenchido apenas pelo sensível. Aquela empoeirada história de sempre tinha lugar outra vez. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;As peles expostas, os rostos suados, as respirações insones. Tudo indicava aquilo que ela não desejava entender ou mesmo saber. Esteve ela ali parada defronte com os lábios retesados? E... seu grito tinha mesmo ecoado como um tamboril desafinado e desafiante pelo recinto? Pois bem, o grito surdo tinha sido desvencilhado. Assim, os passos audíveis cruzaram o espaço e a porta se fez fechada no absurdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se algo pudesse ser de fato pronunciado, teria dito que já considerava tal calamidade. Sordidez e veleidades estão presentes pelo mundo e ela, sensatamente, não se negava uma parte da constante da vida. No entanto, a surpresa conseguiu atingi-la não como um raio, como muitos imaginariam, mas sim como uma escopeta, ou seja, de forma ruidosa e franca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, lágrimas jorravam ao tique-taquear insistente do relógio da sala-de-estar. Melhor seria não estar e nem ser, pensava. Como seria bom não sentir esse latejar enjoativo na cabeça, nem o fôlego inconstante no peito? Se houvesse como, diria que o pior, sem dúvida, era mesmo suas costas que sentiam tristemente o peso acumulado da idade do mundo e a faziam querer desmoronar e permanecer no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O imbatível momento de sobressalto havia passado, mas a angustiosa sensação que o sobrevêm não. Sentia uma satisfação enfastiável em tomar para si o tempo de deliberações, já que os pequenos deletérios amorosos começavam a corroer a insidiosa bravata que havia vestido ao acordar todas as manhãs. Teria ela a coragem de se relegar ao aceite de sua nova condição? Teria, enfim, que sair por detrás das sombras e recorrer à amuada vida de celibatária?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram tamanhas as decisões que sub-repticiamente se faziam presentes e eram de tal ordem que um pequeno espasmo a fez contrair o corpo num indiscreto arrepio. Infelizmente, o sinuoso caminho da alcova não poderia deixar de ser realizado e a vileza de seus companheiros não poderia também deixar de ser cooptada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ambiente era puro ruído e nenhum sentido, ou melhor, era indisfarçavelmente o anteposto de uma quimera. Se fez-se outrora a pantomínia, em nada o indicava o presente instante. Havia apenas dois olhares perdidos procurando abrigo num peito desamparado. A espuma das horas e das bocas aflitas não indicava o torpor e o rompante que se instaurava no ensejo à vista. Contudo, era inegável a sutileza de cada movimento e de todo o acento reverberado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O inocente expectador se abominaria com enfadonha troca de gentilezas. A intrigante amabilidade era causada por um indefectível plano que se fez corrente minutos antes da cena anterior. De nada adiantaria, imaginou a pequena, chegar com pedras e porretes à mão se o que desejava era arrancar o mais profundo urro de dor dos tratantes. Usaria sim de pelica e pelúcia, bem mais eficazes em tal situação, para chegar à conclusão almejada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pulemos, então, a parte que transcorre e sigamos para um trecho mais atraente dos acontecimentos. Após a afável troca de cortesias, restou apenas o assaz encoberto elefante branco a ser debatido. Temendo ser traída por seu obstinado pesar, cobriu a boca repentinamente fingindo conter um espirro. O vácuo de tempo transposto pelo gesto não pode ser preenchido por outra coisa senão a confissão do ato que, convém dizer, era exatamente o que ela pretendia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lágrimas, pedidos de perdão, gritos de ódio, ameaças, tudo teria se tornado realidade se a torrente do Destino não tivesse desviado o percurso de sua sina. Em um instante apenas, como anteriormente, os meandros da vida se fizeram presente e mudaram a direção dos acontecimentos. O coração, antevendo e temendo sofrer tamanha agressão, susteve-se e as pernas, bambas e cansadas, tombaram ao peso irresoluto da duração ordinária de sua existência, levando, dessa forma, aquele que não poderia ser perdoado a rés-do-chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dignidade, malicia ou auto-estima, ela debandou em direção ao combalido corpo com lágrimas de preocupação aos olhos. Toda a tórpida dor, todo fogo acre do ódio, todo o aforismo guardado na ponta da língua foi contido graças ao túrbido estado de nossa personagem. Digo contido para não ter de dizer exaurido ou até mesmo exorcizado, já que passado o momento de preocupação, isto é, dias após, quando o seu finório amado encontrava-se em melhores condições, fingiu nada ter sucedido além dessa atordoante enfermidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se sabe até hoje se esqueceu no susto ou se perdoou no temor, entretanto, faz-se mister destacar que vive bem, saudável e lépida ao lado dele, sem nunca voltar para casa antes de avisá-lo com horas antecedência para não causar mais nenhum mal-estar ou moléstia, seja no mesmo ou seja, mais provavelmente, entre ambos.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-7104694714067720919?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/7104694714067720919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=7104694714067720919' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/7104694714067720919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/7104694714067720919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2008/11/cenas-imemoriais-de-afonia.html' title='Cenas Imemoriais de Afonia'/><author><name>Catherine Sofia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09114098817223297386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-1225586277952503792</id><published>2008-06-20T00:22:00.002-03:00</published><updated>2008-06-20T00:24:06.567-03:00</updated><title type='text'>Cinha das Neves</title><content type='html'>Hoje faz frio!&lt;br /&gt;Mas só ontem, à noite, pude senti-lo&lt;br /&gt;Na voz fraquejada, de frases manchadas&lt;br /&gt;Na bela certeza, não fosse tristeza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje faz frio...&lt;br /&gt;Mas quem disse que o tempo pode atingi-lo?&lt;br /&gt;Faz rio dos olhos, arrepia seus poros&lt;br /&gt;Caminha apressado - seu bem está salvo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje faz frio?&lt;br /&gt;Que a neve congele a cidade do Rio!&lt;br /&gt;Eu derreto mil prédios com um só sorriso!&lt;br /&gt;Três meses sonhei pra explodir esse brilho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, Magrelinha!&lt;br /&gt;Cansei desse frio!&lt;br /&gt;Te aquece por dentro&lt;br /&gt;Que eu me aqueço contigo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-1225586277952503792?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/1225586277952503792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=1225586277952503792' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1225586277952503792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1225586277952503792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2008/06/cinha-das-neves.html' title='Cinha das Neves'/><author><name>Coelhuu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10640747142542860496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_4lhg-Ix4oqc/S8u83E3diEI/AAAAAAAAAD0/WbMLvQCn_Ak/S220/n701471314_1272131_8356.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-1280183363374059813</id><published>2008-05-23T17:56:00.002-03:00</published><updated>2008-05-23T18:04:14.100-03:00</updated><title type='text'>Por Aí</title><content type='html'>Andava lá por Botafogo, depois da tontura que é sair do Metrô, passava por uma escola municipal e do lado de fora eu ouvia as crianças no pátio do colégio cantando a Aquarela do Toquinho. Não sei se por conta própria, parecia algum tipo de atividade proposta pelo os professores. Normal! Andava lá, eu, pelo Centro, depois da tontura que é caminhar entre pessoas apressadas. Passava por uma faculdade de Direito enquanto Nelson Sargento cantava com seu estilo malandro um samba antigo. Só alguns poucos velhos prestavam atenção enquanto os alunos iam e vinham como se nada os tocasse. Normal! Ando sempre por Copacabana, naquela tontura que é avistar o mar sem ter tempo de desfrutar, passam por mim pessoas insípidas e ignóbeis. Das quais me protejo colocando no fone de ouvido o cd da Nara Leão, imediatamente brota em mim um sorriso indescritível. Normal!&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;De tanto andar por ai sempre fui um péssimo aluno, no colégio, na faculdade, nas classes de piano, nos relacionamentos. Prestei &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;atenção nas coisas que me tocavam e deixei de tocar o lado prático da vida. Ninguém sobrevive... Ou pelo menos, todos deveriam ter a sensação que já perdemos a essência e a direção da nossa sensibilidade, neste pragmatismo absoluto que o mundo se tornou. Ninguém sobrevive ao pragmatismo desta aurora. Nem a Juventude, nem o Oriente e nem a Aurora.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;De tanto andar por ai eu vi Nelson Sargento, vi o Monarco, o Chico, o Caetano, Gil, a Bethânia, João Gilberto, Adriana Calcanhotto, a mpb e as bandinhas inglesas. Vi bons amigos tocarem em suas casas sinfonias belíssimas que ninguém nunca poderá ouvir, estas permanecerão inéditas, sem crédito no costumeiro esquecimento.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Neste mesmo andar eu vi Eduardo Galeano, Saramago, Ferreira Gullar, Lygia Fagundes, a literatura. Vi bons amigos escreverem romances irresistíveis, criativos e reflexivos que ninguém nunca poderá ler, permanecerão escondidos e inatingíveis, na falta de vida que a gana tem.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;De tanto andar por ai quase fiquei cego em tamanha escuridão, em tantos impossíveis, quase que me sufoco pela poluição de gás lacrimogêneo que soltaram e não lembraram de recolher. Por aí, quase fico louco e abraço árvores, quase grito e peço para que gritem. Quase tenho raiva, mas por esta se tornar silenciosa quase sempre tenho depressão.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;De tanto em tanto, abandonei o pragmatismo e fiquei apenas com as músicas, os filmes, os amigos e os livros que me fazem respirar. Fiquei com aqueles que eu não pude ver e apenas senti. Aqueles que com uma pontinha de dor eu vejo. Esses eu vi e tenho certeza que eles também me viram e me virão&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;"É que eu tô sozinho há tanto tempo que me esqueci o que é verdade e o que é mentira em volta de mim" - Cazuza&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-1280183363374059813?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/1280183363374059813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=1280183363374059813' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1280183363374059813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1280183363374059813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2008/05/por.html' title='Por Aí'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-5686380675524183869</id><published>2008-05-07T04:15:00.002-03:00</published><updated>2008-05-07T04:19:44.495-03:00</updated><title type='text'>Eu nunca li Proust. Pergunto-me se algum dia lerei.</title><content type='html'>Você está sentado numa cadeira relativamente confortável.&lt;br /&gt;Você estende a mão para pegar um livro na prateleira à sua frente. Você avalia que é melhor escolher um volume não tão sério – talvez algum romance policial, ou uma aventura fantástica daquelas derivadas d’O Senhor dos Anéis, qualquer coisa mais ou menos familiar que alivie um pouco o peso das coisas.&lt;br /&gt;Mas, na procura por esse exemplar das agradáveis simplicidades da vida, você se depara com uns outros tantos – esses, sobre a sobriedade da vida, sobre o tempo perdido, sobre os miseráveis da França, sobre as veias abertas, sobre solidões centenárias ou sobre sertões.&lt;br /&gt;E o peso aumenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em telas brilhantes de computador – janelas –, você vislumbra um mundo de potências. Você olha por um buraquinho de fechadura e descobre que, se empurrar a porta, você cai num precipício, e o que era pra ser rede não vai te segurar, só vai te fazer cair sem previsão de chegar ao fundo.&lt;br /&gt;Se você resolver abrir a janela, não virá nenhuma brisa fresca sugerindo as coisas simples e agradáveis da vida: um vendaval vai devastar seu quarto de dormir, seus livros vão cair das prateleiras e os papéis em que você escreveu se perderão na fresta debaixo do armário. A cama será desfeita e só depois que você se acostumar à nova (des)ordem conseguirá fechar os olhos à noite.&lt;br /&gt;As janelas do computador só te mostram que as investigações de Holmes e Poirot e as épicas jornadas de Harry e Frodo não passam de uma simples caminhada do seu quarto até o banheiro, para lavar o rosto sonolento e tentar lembrar o que estava sonhando antes de acordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quisera você que raposas de fogo fossem meras enganadoras, que a rede te segurasse quando os desvios do caminho te fizessem pegar a trilha errada e cair no precipício: mas a verdade é que tu nunca vai ter o culhão de ir em busca do tempo perdido. Ou, pelo menos, nunca vai ter tempo pra ir em busca do tempo perdido.&lt;br /&gt;Entre o nascimento de Cristo e a morte da Isabela Nardonni há 2008 anos, mas no último piscar de olhos nasceram sabe-se lá quantas mil crianças, morreram outras tantas e aquela estrela que brilha no céu já não deve mais existir. O mundo evoluiu mais nos últimos cem anos do que em toda a história da humanidade, e você passou os últimos cinco minutos lendo coisas que você já sabia.&lt;br /&gt;Porque quando você tenta aprender aquilo que ainda não sabe, você descobre que nunca vai conseguir suportar o peso da vida, e que o mundo inteiro sempre vai lhe escapar por entre os dedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses dedos – os mesmos que não conseguem conter o mundo – vão viajar sobre as lombadas de diversos livros; vão se insinuar sobre os tais sertões, solidões, miseráveis, veias, machados; tentarão conter o tempo perdido.&lt;br /&gt;Mas você vai acabar se decidindo pelo volume que conta as aventuras de um garoto por uma terra mágica, aquele mesmo que você já leu umas duas vezes.&lt;br /&gt;Você vai se levantar da sua cadeira relativamente confortável e se deitar na cama desfeita, tentando fingir pra si mesmo que nada disso importa, forçando-se a acreditar que o mundo é leve, e vai dormir agarrado ao travesseiro e à ilusão de que nem tudo lhe escapa por entre os dedos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-5686380675524183869?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/5686380675524183869/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=5686380675524183869' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/5686380675524183869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/5686380675524183869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2008/05/eu-nunca-li-proust-pergunto-me-se-algum.html' title='Eu nunca li Proust. Pergunto-me se algum dia lerei.'/><author><name>James M. Barrie</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09169923023552484844</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-7951854436810203098</id><published>2008-04-22T01:10:00.001-03:00</published><updated>2008-04-22T01:13:39.558-03:00</updated><title type='text'>Que os Beatles nunca desistam</title><content type='html'>Vim triste no ônibus,&lt;br /&gt;miserável como um cachorro&lt;br /&gt;a chuva caía aborrecida&lt;br /&gt;sobre a minha cabeça abarrotada&lt;br /&gt;as mãos espalmadas pesadamente&lt;br /&gt;por sobre minhas pernas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vim um traste pela rua,&lt;br /&gt;completo e numa&lt;br /&gt;subidadescida, tudo muito opaco&lt;br /&gt;meu destino ora parecendo&lt;br /&gt;muito perto, ora muito longe&lt;br /&gt;e me arrastei pelos ombros&lt;br /&gt;semiconsciente,&lt;br /&gt;e nem os Beatles me alegravam.&lt;br /&gt;E quando nem eles me alegram,&lt;br /&gt;você pode mandar soarem&lt;br /&gt;as trombetas do&lt;br /&gt;apocalipse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí eu cheguei em casa, me cocei&lt;br /&gt;tomei banho quente&lt;br /&gt;e agora estou aqui, de cueca&lt;br /&gt;sonhando com o mundo, louco pra criar&lt;br /&gt;e comendo as batatinhas&lt;br /&gt;que comprei pra nós dois.&lt;br /&gt;Aposto que os Beatles conseguiriam agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo é de chorar&lt;br /&gt;mas de rir também&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-7951854436810203098?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/7951854436810203098/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=7951854436810203098' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/7951854436810203098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/7951854436810203098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2008/04/que-os-beatles-nunca-desistam.html' title='Que os Beatles nunca desistam'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-7095304552562505398</id><published>2008-03-19T00:21:00.006-03:00</published><updated>2008-03-25T02:23:33.126-03:00</updated><title type='text'>Opereta número 9</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;Para Ana Clara&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Na noite de sexta-feira, a imensidão daqueles objetos era igualmente proporcional ao vazio do quarto, onde todas as formas tinham variações remanescentes de uma decoração antiga. A porta, por exemplo, media do chão até o teto do quarto uns 4 metros aproximadamente. Dispunha de dois trincos: um no alto da porta que provavelmente nunca deve ter sido utilizado e outro mais abaixo. A janela seguia o mesmo modelo, todavia, esquematizada em quadradões de vidro. Caio dividia a casa de dois andares, cinco quartos, um banheiro e uma cozinha com outros vizinhos. Esses em sua grande maioria, eram artistas desempregados descendentes de paises pobres da América do Sul. O lugar era habitado por pintores, professores particulares de espanhol, malabaristas de sinais fechados e, quando não restava opção: vendedores de drogas para pequenos consumidores. Tentavam sobreviver na ilegalidade sem conseguir trabalho fixo ou visto de trabalho. Ainda que inconformados com as leis brasileiras, duras para os imigrantes ilegais, não cogitavam voltar para seus paises. Muitos anos antes, a casa &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;havia sido um hotel administrado por “Dona Nega”, uma mulher solitária que havia transformado a moradia da família em estabelecimento comercial. Fora isso, uma filha, a única coisa que seu primeiro e último namorado deixara antes de fugir. Os hóspedes eram principalmente estudantes de medicina oriundos de outros estados, faziam residência em um hospital que havia na redondeza. O hotel havia sido fechado pelos militares durante a ditadura por suspeita de abrigar comunistas e estudantes simpatizantes da esquerda socialista. Hoje, anos depois, funciona uma biblioteca criada pelos moradores do bairro e uma pensão sob administração de Lara, filha de Dona Nega, que nada faz além disto. &lt;/p&gt;       &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Caio aproximou-se da janela e apenas conseguia enxergar as luzes da cidade, luminosas e insossas, azuis e amarelas, piscando e ascendendo, sem nenhuma variação que o agradasse. Não havia muita diferença entre os bairros que avistava, eram apenas pontos de luz do alto de Santa Tereza. Durante muito tempo ficou imaginando o que acontecia lá embaixo. Adorava passar horas na janela pensando, já que nem sempre tinha paciência para ler ou uma televisão para se distrair. Filosofou um tempo, pensando que a imaginação é um grande limitador, mas que não pensar era ainda mais. Parou de pensar que pensava e acendeu a última ponta de cigarro vencido que jazia quase morto num daqueles copos aproveitáveis de requeijão. Fumou rapidamente como sempre fazia, tragando o fumo sem gosto, distraído pela fumaça que caminhava lenta pelas barras de ferro da janela. Enxergava pelo o reflexo do vidro o que não havia notado anteriormente: o vazio do quarto, ocupado apenas por um colchão sem cama constantemente desarrumado, livros estéreis jogados pelo chão e um mini guarda-roupa. A solidão em segundos desferiu um golpe fundo naquela noite silenciosa e sentiu-se esgotado daquela vida, relembrou com saudade da vida que não teve com Ana. Correu para o armário, remexendo tantas roupas quanto fosse necessário até encontrar alguns postais e cartas passadas. Relia-os enquanto o Rio de Janeiro desmanchava diante da gigantesca janela e a Lapa escorria por seus arcos. "Postais antigos nunca mais deveriam ser relidos. As palavras possuem data de validade, mas a solidão não se esgota por conta própria". Tentando resistir, Caio apelou e mendigou: “calma, isso passa”. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Não adiantava, não remediava o silêncio. Repetia desesperado para si, como uma reza: “calma, calma”. Experimentava desacelerar os seus desejos impacientes; perdia, não tinha disciplina alguma. Isso sempre acontecia, necessitava deitar no colchão jogado ao chão, entregue à solidão. Levantou, caminhou até a vitrola apoiada num vazo de cerâmica sem planta, colocou o disco. Enquanto a agulha encontrava a linha, jogava-se de volta ao colchão para ouvir a música que sempre ouvia nesses momentos.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Imaginou, como sempre, Ana e o amor que nunca foi vivido e por isso não passava de uma promessa em seu imaginário: um gesto sem palavras, sem anunciação, só o desacordo. Imaginou aqueles dedos eternamente claros alongando-se e encontrando sua orelha. Transformando-se numa concha, tampando seu canal auditivo, enquanto, na outra mão restava a inércia, o silêncio e a sensação de vazio. A mão direita sossegada tocou as teclas frias do piano que mudo fartava-se de esperar, tornava todas as notas justamente proporcionais e concordantes entre si. Preencheu de música o que era oco entre eles. Aguçava os sentidos postando ele em estado de graça, entre o&lt;span style="font-style: italic;"&gt; adágio&lt;/span&gt; dos dedos esquerdos e o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;andante&lt;/span&gt; dos dedos direitos. Fechando os olhos, ele percebeu que os tornozelos gelavam, depois vertiam suor. A língua tocava os dentes desordenadamente, ficando exposta na boca meio aberta, enquanto as duas mãos deixavam tudo pela metade. &lt;i style=""&gt;Moderato&lt;/i&gt;. Restava na saliva um gosto de ferro em água, sentia o dissabor metálico das cordas do instrumento.&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNormal"&gt;A mão deslizou pelo seu rosto percorrendo todas as notas do corpo que ganhava vida, tocando com as pontas dos dedos em seu peito até cair fagueira em seu pênis que latejante e impaciente já esperava por fora da calça. &lt;i style=""&gt;Vivace&lt;/i&gt;. A música dos dedos direitos criava a dança vibrante dos dedos esquerdos, entrelaçados no sexo masculino, enquanto seu ouvido pôde escutar a opereta manca que fez a sua mente perder a consciência. A razão que sempre agira nela evitando a possibilidade de amar consumia o equilíbrio dos dois. Foi a sensibilidade do toque que deixou tudo nítido. Era a razão bruta de um e a frágil do outro sempre os mantinham em contraposto. Na medida em que as mãos tocavam seus instrumentos, ele sabia que o andamento desta opereta nunca seria nem muito &lt;span style="font-style: italic;"&gt;grave&lt;/span&gt; como ele e nem muito &lt;i style=""&gt;presto &lt;/i&gt;como ela. O coração que antes da música não pulsava e até ria da pretensão de bater, agora ficava angustiado quando percebia as notas finais. O passo da mão esquerda aumentava diante do compasso da música que diminuía, aproximando-se delicadamente do fim. Restava apenas uma nota em quatro tempos, o suficiente para investir contra o coração um toque de dor. Era como uma lança que espetava de dentro para fora, abrindo seu peito e o expondo ao ridículo: o absurdo que sentimos quando nos entregamos. Estava acabado. Infelizmente a música acabou e o seu pau estava murcho, foi o que sobrou do descompasso que é amar uma promessa que nunca se realizou.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color:red;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Abriu os olhos, esticou o braço para alcançar um livro qualquer. Rasgou uma folha de papel e limpou calmamente o gozo que lambuzou sua barriga. Foi ao guarda-roupa, tirou um vidro com comprimidos e caminhou até a garrafa de água perto da janela. Tomou 26 comprimidos de Xanax que restaram de seu último relacionamento amoroso, tirou a agulha do disco e dormiu para nunca mais acordar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-7095304552562505398?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/7095304552562505398/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=7095304552562505398' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/7095304552562505398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/7095304552562505398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2008/03/opereta-nmero-9.html' title='Opereta número 9'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-6357910487702531384</id><published>2008-03-11T23:26:00.002-03:00</published><updated>2008-03-11T23:32:02.647-03:00</updated><title type='text'>Do escritório</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"O quê? Além do fato de que ninguém aguenta mais essa tua voz nojenta?" - berrava no telefone, em resposta à mulher, quase ex, se deus quisesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra variar, ela o acusava de algo que ele havia deixado de fazer (a essa altura da discussão, isso já não importava) e eles tinham enveredado por aquele eu-nada-é-culpa-tua dos últimos e enfadonhos quatro anos. Ela reclamava que ele se afundava cada vez mais no escritório e ele se afundava cada vez mais no escritório por causa das reclamações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito o ar já dissipara o perfume que o atordoou numa tarde qualquer de... que mês mesmo? Mais de dez anos se passaram desde então. E esquecer a tal data havia lhe rendido boas brigas. Estava ficando velho pra isso, pras mulheres de verdade. Devia fazer que nem o Sérgio, e arranjar uma adolescente desmiolada. Ela não reclamaria tanto e ele teria uma magnífica vida medíocre semelhante à dos seus colegas de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabia mais o que estava acontecendo quando se viu batendo o telefone com força no gancho e contornando a mesa do escritório, já sem olhar por onde andava, para encher o copo de uísque. Sabia de cor cada cantinho daquele escritório arrumado. Era grande, dava pra jogar golfe lá (e ele bem sabia). A tevê e a ausência de fotos da esposa davam ao lugar o toque final que ele precisava para sentir-se em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o escritório nada mais era que sua casa. Fazia finalmente o que sempre desejara. Lembrava-se do pai dizendo-lhe para ir com calma, que não dava pra abraçar o mundo todo de uma vez só. A carreira que escolhera, os sonhos que aspirava eram realmente longe demais de sua realidade. Mas estava ali, não estava? Fizera o que foi preciso e estava ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dissera a Madalena naquela tarde de abril (é, achava que era abril) que cuidaria bem dela. E não foi isso que fez? Deu-lhe as sedas, os mármores, os sapatos e os caviares. Do que mais uma mulher precisaria? Ele havia cuidado bem dela, e olha o que ela fez! Agora ligava para gritar sobre sabe-se lá o quê!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele só queria trabalhar em paz. Amava seu trabalho. Não batalhara tanto para entrar aqui? Esse momento de reflexão era bom, porque...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Azevedo?&lt;br /&gt;- Sim, seu Tâmir.&lt;br /&gt;- Fez aquele relatório?&lt;br /&gt;- Claro senhor.&lt;br /&gt;- Senhor! Engraçado, tu, Azevedo, me chamando de senhor. Já disse pra parar com essa mania, você é meu vice-presidente, tá lembrado, rapaz? Chama de Henrique mesmo.&lt;br /&gt;- Tá...Henrique, eu fiz o relatório.&lt;br /&gt;- Perfeito, Azevedo! Que tal uma saída depois do trabalho? Quer dizer, a gente só fica junto aqui, temos que sair mais um pouquinho.&lt;br /&gt;- Ah...depois...tá bem, pode ser sim.&lt;br /&gt;- Que bom, cara, a gente se vê às sete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, aquela era a família dele. Seu Tâmir era o pai, Seu Moura era a mãe. Tinha até o Guilherme, o sócio minoritário, que podia ser o filho. Jovem, o garoto, ainda aprendendo as manhas do negócio. Mas um orgulho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem se lembrava do seu filho, que não era orgulho ainda e demorava pra aprender a falar os ditongos. Sua casa era ali, sua vida era ali. Se pudesse, dormia no escritório. Hoje teria um programa familiar de verdade. Com o Tâmir. Legal, nada mais justo. Adorava isso, era isso que queria fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava feliz. Ainda que...bem, não fosse bem isso o que queria fazer. Lembrava-se da época que queria ser pintor, fazia tempo, foi bem antes de descobrir que precisava de dinheiro. Um dia, aprendeu. É a vida, a cidade, um dia a gente sempre aprende. Nem lembrava mais de quem fora antes disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas adorava o dinheiro. Que delícia chegar em casa e ligar a Jacuzzi! Lembrou-se de quando entrava naquelas banheiras ovais de motel barato com Madalena. Notou que nunca haviam entrado na Jacuzzi juntos. Fazer o quê? Ele agora era outro homem, era rico. E havia dado a ela tudo que uma mulher poderia querer. Às custas dos próprios sonhos. Queria mesmo era ser pintor. Ninguém pode gostar dessa porra de escritório. Ele com certeza não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, mas gostava de ser rico. Queria ser rico pra ser feliz com Madalena. Discutiam, mas era a vida no escritório...era tão complicada. E tinha que blindar o carro. Isso era meio irritante. E o filho pequeno não podia ir a pé pra escola. Mas tudo bem, tinha dinheiro pra pagar a van. Dinheiro, era o que todo mundo queria. Ele não. Ele detestava dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, é isso mesmo, odiava o seu trabalho e odiava ter tanto dinheiro. Não sabia se odiava Madalena, achava que não. Não dá pra odiar uma pessoa com aquele perfume. Lembrou de novo do perfume. Nunca se dissipara, o dinheiro que lhe havia roubado as narinas - seu olfato agora era só pro uísque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um estalo, um acordar. Uma luz acendendo os sentidos guardados na gaveta da cômoda. Sabia o que tinha que fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou sua pasta, passou na sala do senhor Tâmir e anunciou:&lt;br /&gt;- Gordo velho, to saindo!&lt;br /&gt;Olhos esbugalhados em resposta.&lt;br /&gt;- É sério, e não volto. Minha esposa cheira a jasmin e seu uísque é uma merda. Dedici que vou trabalhar no McDonalds.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi de encontro ao caos suicida, que seria uma felicidade. Breve, mas finalmente, felicidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-6357910487702531384?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/6357910487702531384/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=6357910487702531384' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/6357910487702531384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/6357910487702531384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2008/03/do-escritrio.html' title='Do escritório'/><author><name>Lari</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-4668788920426526416</id><published>2008-03-04T14:25:00.003-03:00</published><updated>2008-03-04T15:07:40.630-03:00</updated><title type='text'>Porque eu (não) odeio Woody Allen</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tudo começou assim, quando as coisas normalmente começam: quando eu era bem nova. Eu casualmente estava vendo um desses programas sobre a vida dos famosos e nesse dia eu vi uma biografia sobre ele. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na verdade, eu não vi tudo. Peguei o programa no meio. Mas o meio que eu vi foi o suficiente para formar a visão que eu carregaria dele por muito tempo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No programa, falava-se sobre seu relacionamento com a atriz Mia Farrow que, no seu tempo de casados e antes disso, tinha sido protagonista de muitos de seus filmes. Ela, se muitos não sabem, também ficou notória por suas inúmeras obras de caridade e por adotar várias crianças de diferentes nacionalidades, de paises destruídos por guerras ou pobrezas crônicas, quando isso ainda era novidade e não como atualmente uma moda dos famosos. Assim, Mia levou várias crianças para se tornarem filhos do casal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Contudo, sem ela perceber, uma de suas filhas adotadas começou a ter um caso com Woody quando a menina ainda não tinha nem 18 anos, o que levou o casal a se divorciar e ele a ser acusado de abuso de menores com suspeita de ter molestado também a bebê recém-nascida do casal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Naquela época, meu senso de imparcialidade jornalística e minha visão de mundo eram ainda muito restritos, pois ainda via tudo branco-e-preto, certo ou errado, e, para mim, isso de corromper a filha e trair a esposa eram as piores coisas que alguém poderia ter feito. Por isso, logo e sem dúvidas, considerei Woody Allen um babaca que mesmo que tivesse feito algo de bom em seus dias teria seus feitos convertidos a nada em vista desse ultraje. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Além disso, na mesma época, vi dois de seus filmes. Achei-os chatíssimos: eram longos, arrastados, falando de relacionamentos e problemas completamente neuróticos que eu não considerava passiveis de existir. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E passei a ter essa visão e essa ojeriza ao homem por muito tempo. Não queria ver seus filmes - nem novos nem antigos - descartando-os com o simples argumentos de que eram chatos e monótonos e eu não estava aqui para dar meu dinheiro a um pedófilo pedante. Mas como a vida tem dessas coisas que te viram ao avesso, um dia resolvi ceder aos apelos do meu namorado da época e assistir a um dos novos filmes de Allen: O Escorpião de Jade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assisti com aqueles preconceitos de quem se acha certo. Esperando dizer um não-te-disse-que-era-uma-merda ao final, mas qual não foi minha surpresa ao achar o filme engraçado, com boas sacadas, apesar de banal. Não dobrei minha língua, sou orgulhosa assim. E, apesar de ressaltar seus pontos negativos, tive que admitir à contra gosto que não foi uma das minhas piores experiências de vida. Mas que, sem dúvida, os dramas dele eram um porre. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O tempo passou como ele sempre faz e a idéia de ver um filme de Woody Allen não era para mim mais o suplicio que era inicialmente. Vi outros de seus filmes mais novos com o passar das muitas horas da minha vida: Scoop, Match Point, etc. E vi a todos esses, achando-os agradáveis, mas nem um pouco imbuídos da tal genialidade Alleniana que eu ouvira falar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pensava que as pessoas deveriam ser loucas por achar tal coisa. Revi, inclusive, um dos filmes que havia achado bem chato, o “cenas de um shopping”; Não achei grande coisa, apesar de agora entender o que e porque ele dizia o que dizia sobre relacionamentos. Admito envergonhada que inclusive concordei com alguns de seus diálogos. Já tinha passado pelos mesmos e por isso não estava tão verde quanto antes. E, por essa mesma razão, já não me sentia apta a julgá-lo por qualquer coisa que ele podia ou não ter feito em sua vida pessoal. Mas, mesmo assim, ainda era bem obvio para mim que não poderia chamá-lo de gênio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas tudo muda e mais uma vez a vida me provou errada quando eu menos esperava. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho mania de roteiros. Então, qual não foi a minha surpresa quando me aconselharam a ver um de seus filmes “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”. Vi, já meio ressabiada, pensando que mais uma vez não sairia agradada. Sai sim com os rabos entre as pernas. Amei o filme. Achei-o simplesmente brilhante! Achei as atuações, a direção e principalmente o roteiro encantador. Tive que dobrar e desdobrar a língua: finalmente vislumbrei o gênio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E me aturdiu esse gostar. Não quis me dar por derrotada. Quis saber se aquele tinha sido apenas um golpe de sorte, uma pedra preciosa no meio de outras tantas falsas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesse momento, Woody Allen se tornou quase uma obsessão. Vi Manhatta, outro filme absolutamente maravilhoso e tocante. Duas pedras, seria? Então, li um livro com pequenas esquetes que ele escreveu sobre adultério que achei mediano e depois vi “Tudo que você sempre quis saber sobre sexo e nunca teve coragem de perguntar” e achei aquém das minhas expectativas – pois nesse momento eu já tinha grandes expectativas - e estava por isso voltando a crer na minha suspeita inicial do embuste. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi aí que surgiu na minha vida um filme chamado Zelig. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apareceu despretensioso, manso e quieto. Achei, primeiramente, inusitada a escolha de fazer um pseudo-documentário e me preparei para o pior. Além disso, o filme tinha Mia Farrow como atriz principal. Tremi. Contudo, tudo que pude dizer ao final do filme foi um “Woody Allen, eu te odeio”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E é verdade. Eu o odeio. Odeio por ele ser genial. Por fazer filmes tão bons, leves, engraçados e que mesmo assim levam a pensar como esse. Filmes que apagam aquela imagem que eu criei e ficou atrelada ao homem e criam uma nova imagem: límpida e repleta de admiração. Woody Allen, te odeio por me fazer ultrapassar o meu orgulho e ter que admitir que eu não te odeio, nem de perto, nem um pouquinho, nem por um segundo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-4668788920426526416?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/4668788920426526416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=4668788920426526416' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/4668788920426526416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/4668788920426526416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2008/03/porque-eu-no-odeio-woody-allen.html' title='Porque eu (não) odeio Woody Allen'/><author><name>Catherine Sofia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09114098817223297386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-2769287275473902505</id><published>2008-02-21T02:25:00.003-03:00</published><updated>2008-02-21T02:39:18.939-03:00</updated><title type='text'>Livremente pueril</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Tu fizeste meu coração. Tu fizeste meu coração parar. Tu me fizeste prender a respiração e acreditar em tudo que escreve. Em acreditar em você, em acreditar. Em acreditar até mesmo quando as palavras são falsas, em acreditar em seus gestos que denunciam a vontade invisível.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Tu fizeste enxergar tanta coisa, desde que reflexos frouxos e diários dos seus olhos fizeram meu coração parar. Acredito, não em mim, pois de tão vulnerável posso negar tudo acima escrito, mas em você, que pode fazer tudo ser verdade do dia para noite, em todas as noites, até naquelas em que distancia sufoca o possível. Tu fizeste meu coração parar quando me ensinou que a vida muda e que esta confusão aparente que sinto faz parte da confusão latente que sempre sentiu e nunca admitiu. Tu me obriga dizer o que sempre digo e me obriga entender que não acredita em&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;mim, mas entenda, se não for amor tudo que sinto não vale a pena sentir tanto em desperdício. Estou certo de amar você, mesmo quando chega o momento de você se afastar e sumir. Estou certo de te beijar, mesmo que sua face fique rubra e você deslumbra uma maneira dos meus lábios tocarem o vazio do ar. Estou certo do que sinto até quando você não se faz presente e apesar de não conjugarmos a vida conjunto, tem noites que eu esqueço da saudade. São as noites na qual acredito que poderíamos ter sido ainda mais felizes caso você também acreditasse na infinita possibilidade do agora.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Porém, não tão bem começo a escrever interrompo as palavras, pois sei que cega de sua própria paixão evita o que evitou e que nunca deixará de evitar: o amor que teima em teimar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-2769287275473902505?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/2769287275473902505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=2769287275473902505' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/2769287275473902505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/2769287275473902505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2008/02/livremente-pueril.html' title='Livremente pueril'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-2803946166788025400</id><published>2008-02-06T19:35:00.002-02:00</published><updated>2008-02-06T19:38:19.573-02:00</updated><title type='text'>Sob teto branco</title><content type='html'>Minha idéia é revestir-me duma membrana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tão espessa que não sinta as investidas da vida;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tão fina que a grandeza do mundo lhe rompa dum susto qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem bem posso contar que alguém vá saber me ler&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas soluções, essas encontro no espelho;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo a minha alegria a dos contidos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e minha tristeza a dos coitados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desvio daqueles que vivem miúdo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e mesmo sorrindo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sorriem errado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-2803946166788025400?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/2803946166788025400/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=2803946166788025400' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/2803946166788025400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/2803946166788025400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2008/02/sob-teto-branco.html' title='Sob teto branco'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-1147702245332198380</id><published>2008-02-06T19:35:00.001-02:00</published><updated>2008-02-06T19:35:40.185-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-1147702245332198380?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/1147702245332198380/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=1147702245332198380' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1147702245332198380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1147702245332198380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2008/02/blog-post.html' title=''/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-6444276687991210717</id><published>2008-01-22T21:43:00.000-02:00</published><updated>2008-01-22T21:51:28.390-02:00</updated><title type='text'>What's worth waiting for?</title><content type='html'>Morreu junto à palavra "vida", que beijou seca o seu ouvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos seus olhos havia o brilho de uma estrada, em sua boca o estranho gosto do vento e em meio aos seus pensamentos o medo da morte. Seu medo fora sempre o de não poder dizer adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viu negro, turvo e mais nada viu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não sabe de nada. Já não é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua esperança é passado selado. Seus desejos como o seu corpo - a ser velado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora é lama, flor, ódio, amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sente, mas fica em tudo. Eternizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se sentisse talvez tomasse novamente com seus braços à vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouviria novamente: "Dizem que quanto mais alto se voa, mais se coloca em risco a vida".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E continuaria a temer...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-6444276687991210717?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/6444276687991210717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=6444276687991210717' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/6444276687991210717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/6444276687991210717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2008/01/whats-worth-waiting-for.html' title='What&apos;s worth waiting for?'/><author><name>Coelhuu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10640747142542860496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_4lhg-Ix4oqc/S8u83E3diEI/AAAAAAAAAD0/WbMLvQCn_Ak/S220/n701471314_1272131_8356.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-2632977466588446642</id><published>2007-12-12T20:50:00.000-02:00</published><updated>2007-12-12T20:59:34.017-02:00</updated><title type='text'>Música</title><content type='html'>Uma música demora um certo tempo pra nascer, mas só ganha vida quando é ouvida.&lt;br /&gt;Ela começa com uma pequena introdução, mais ou menos como todas as outras, mas diferente porque não é igual, por causa de seus acordes ou dos intrumentos escolhidos para tocá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que ela nunca volta ao mesmo tom que seu início. Depois que ela começa, tende a mudar sempre, de um modo que não permanece a mesma coisa por muito tempo, e nem se parece muito com o que era antes. Nem retorna ao que era antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas coisas surgem durante a melodia, novos instrumentos começam a tocar, outros param, outros continuam. Qualquer tipo de instrumento do mundo todo pode surgir para se integrar a ela. Violinos e pandeiros, flautas e cítaras, baterias e triangulos, pianos e chocalhos, saxofones e harpas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O som muitas vezes pode ser desconcertantemente desordenado, como se crianças brincassem com os intrumentos, mas é desconcertante também o fato de ele não perder a harmonia por mais contrastante que seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você pode nunca ter ouvido o início, mas às vezes, de alguma forma, quando você a ouve, você consegue entender como a música começa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sempre você vai perceber todos os sons. Um sol de uma pessoa do coro pode escapar de seus ouvidos, ou o som profundo do bumbo pode passar batido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas dificilmente você vai passar a vida sem se interessar por alguma música. Sempre haverá aquela que te cativa, que te intriga, que desperta sua curiosidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas dessas músicas você ouvirá a vida inteira, talvez enjoe delas ou simplesmente se acostume e quase nem note.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode até acontecer de que alguma música inspire a ti a criar novos acordes. Você pode aprender com elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas existe uma coisa que, mesmo que se esqueça, sempre voltará a se lembrar. É sobre o que acontece quando a música pára de tocar.&lt;br /&gt;Você não espera o seu fim, mas ele acontece. E de repente você sente uma estranha sensação, uma vontade de ouvir a música outra vez. E isso pode acontecer mesmo que essa música não tenha sido uma das suas favoritas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você só a ouviu uma única vez a vida toda, mas você consegue se lembrar perfeitamente dela. Poderia até tocá-la de novo se pudesse. Mas nenhuma nota será tocada por ti, mesmo que a saiba muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É porque uma vez que a música pára, ela nunca mais será tocada. E mesmo que você a cantarole por aí, não será mais a música. Será apenas uma lembrança do que ela foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas músicas foram tocadas e muitas serão, sem que nunca saibamos o que elas significam, o que elas querem dizer.&lt;br /&gt;Mas aquelas que nós desvendamos sempre ficarão na nossa memória.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-2632977466588446642?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/2632977466588446642/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=2632977466588446642' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/2632977466588446642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/2632977466588446642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/12/msica.html' title='Música'/><author><name>Rinoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14199996507076775001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-7051376572006313707</id><published>2007-12-03T00:43:00.000-02:00</published><updated>2007-12-03T01:49:17.791-02:00</updated><title type='text'>Palavras Cruzadas</title><content type='html'>&lt;p&gt;Estou tão abandonativo, tão cansativo e repetitivo que me sinto abandonado e cansado de tanta repetição. Não é uma briga, mas me sinto doído com o que você fala e deixa de falar. Por isso vou escolher algumas palavras aqui para também te machucar e ver se desconto a infelicidade que sinto provinda de você.&lt;br /&gt;Para amanhã ou depois, termos qualquer entrave menor e voltarmos a nos falar normalmente, o silêncio cicatrizando a dor das palavras. Sem não antes, exponencializarmos nossa mágoa e transformar tudo que sentimos ao avesso no passar dos dias. Com isso, cada vez mais a cicatriz alarga até não caber em nós dois. E entre tantos machucados nos largarmos, alargando o abandono e o cansaço, cortando a repetição. Fazendo de ti e de mim, pessoas afastadas no clima de nunca terem se conhecido. Sangrando tanto na rima de ter jogado fora a vida no tempo e nem mesmo isso vai dar vontade de chorar. Porque não vai doer se afastar, será um alivio e olhando bem aqui no dicionário, encontrei as palavras que você me faz sentir: não &lt;em&gt;feliz; desgraçado; desafortunado; mal-aventurado; inditoso; desastrado.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Uso essas palavra, - Palavra que uso! &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Porém se você me olhar bem de perto: &lt;em&gt;desengano&lt;/em&gt;, desafogo, me comovo e digo bem baixo quase inaudível &lt;span style="font-size:78%;"&gt;que te amo&lt;/span&gt;. Acabo procurando no dicionário e encontro outras palavras: &lt;em&gt;ditoso; afortunado; satisfeito; alegre; abençoado; bendito; bem imaginado; bem combinado, acertado; bem sucedido; próspero&lt;/em&gt;. Noto que tenho muita sorte e faço com cada uma dessas palavras, anticéptico cromo para remediar o veneno contido nas outras. Com essas certas palavras nos enclausuramos, nos abraçamos, apertamos, sufocamos e escapamos... De tanto perdão, não levamos fé que não é mais abandono, apenas cansaço e repetição.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tanta repetição que não sabemos se sabemos felizes ou infelizes, o que está acontecendo.(ou: ?) Caminhamos sem noção, sem nos perguntar: Quem está ao nosso lado. Sem enxergar que estamos nos matando. Dois conhecidos e desconhecidos quase que imperceptíveis um para o outro, procuro aqui no dicionário e encontro outras palavras: &lt;em&gt;indiferente; que não é bom nem mau; que se não importa; que não tem preferências; apático. &lt;/em&gt;Noto que podemos apresentar propriedades e soluções ácidas ou básicas, não importa mais. Nem importa quando os nossos corpos se mantêm em qualquer posição, independente da posição do                                                                                 (outro corpo), eles não movem como antes. Nem mais, pois menos amor e gozo tanto faz, tanto gozo, tanta dor: &lt;em&gt;indifferente&lt;/em&gt; e ao mesmo tempo muito confuso. Já não mais cruzamos o olhar, não cruzamos as palavras, nem palavras cruzadas fazemos. Já não é amarga nem doce é, cica e tudo morre lento sem percebermos, e quando nem bem sentimos um pouco, a nuvem corre, os cones de sombra correm, a penumbra e numbra correm e são projetadas no disco lunar e infelizmente a lua fica, apática, nua, apesar de loa tudo é eclipsado. Um eclipse, e o nosso amor em conjunto desvanece. – Triste, a palavra vem na minha boca sem nem mesmo eu pensar ou me sentir triste.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com isso, as outras palavras que residiam em ti, que só depois residiram em mim, moram em algum lugar longe, não sei onde. Não lembro nem mesmo o que significavam e fico me perguntando se são as palavras ou a falta delas que separam as pessoas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-7051376572006313707?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/7051376572006313707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=7051376572006313707' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/7051376572006313707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/7051376572006313707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/12/palavras-cruzadas.html' title='Palavras Cruzadas'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-984466104658303730</id><published>2007-12-02T10:27:00.000-02:00</published><updated>2007-12-02T10:39:34.247-02:00</updated><title type='text'>Choro</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Então o menino foi morar com a avó no campo. Lá ele conheceu uma menina, e ficou amigo dela rápido. A menina era a única criança que morava por perto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela gostava de desenhar, de bichinhos e brincar de mágica. Gostava de fazer encantamentos e acreditava que eles funcionavam.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Um dia o menino viu coisas que um adulto teria medo. Mas ele não tinha. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ele viu pessoas que não eram mais deste mundo, eram pessoas que já haviam morrido.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Cada uma delas tinha uma idade diferente. Cada uma delas estava procurando algo, que lhes era muito importante.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;O menino resolveu que iria procurar cada uma das coisas que aquelas pessoas estavam procurando, e lhes devolveria. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Era como brincar de caça ao tesouro, uma pequena aventura. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Primeiro ele devolveu um sapato ao senhor de idade. Depois ajudou uma mulher a encontrar um bebê. E foi ajudando um a um, do mais velho ao mais novo.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Por último ajudou um menino mais ou menos da sua idade. Ele queria encontrar seus objetos mágicos. E ele os encontrou e devolveu a este menino. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ele começou a mexer com suas pedrinhas mágicas, por que queria usá-las para encontrar sua mãe. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;O menino que esteve até agora ajudando uma a uma daquelas pessoas, começou a se sentir triste ao ver aquele outro garoto. Por que ele sabia que nenhuma pedrinha mágica iria ajudá-lo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Então ele começou a chorar, pois percebeu por que estava no campo morando com sua avó. Era porque sua mãe tinha morrido, e nenhuma mágica a traria de volta. Ele nunca mais iria vê-la.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Então ele chorou e voltou pra casa chorando.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Encontrou a menina no caminho, e disse que não iria mais brincar, pois aquela coisa de mágica era tudo bobagem. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A menina ficou irritada, e disse que ele teria que pedir desculpas se quisesse brincar de novo com ela.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ele voltou pra casa da avó e ficou sentado do lado de fora enquanto continuava a chorar, e suas lágrimas inundavam seu rosto.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;A menina ficou olhando de longe, pois esperava que ele pedisse desculpas para ela voltar a brincar com ele. Mas ele não pediu desculpas. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Suas lágrimas nunca acabaram.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-984466104658303730?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/984466104658303730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=984466104658303730' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/984466104658303730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/984466104658303730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/12/choro.html' title='Choro'/><author><name>Rinoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14199996507076775001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-3217673162954347548</id><published>2007-11-30T01:16:00.001-02:00</published><updated>2007-12-01T12:49:34.486-02:00</updated><title type='text'>Você me abraça e isso passa.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ao ouvir minha irmã se lamuriar no quarto e chorar em voz de alto desespero, fico no contente sofá pensando que as queixas dela sobre a vida são as mesmas que as minhas. As minhas de hoje, de ontem, de que ao experimentar a vida notei a falta de sentido. Pensar e pesar no porque dessas tremendas tolices que nos propomos. Ela quer diversão e diz que: com medicina nunca terá e viverá a vida num trabalho chato. Você conhece o discurso, já me ouviu tantas vezes por aqui. Será de família, será de mundo? Será meu e dela, será do Caetano,  será só meu e ela me entendeu? Lúcido, louco, gordo estou com certeza absoluta...&lt;br /&gt;Será que nunca mudei, sempre o mesmo, invés de uma pedra na vidraça alheia que antes adorava jogar, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;now&lt;/span&gt; a mesma pedra,&lt;span style="font-style: italic;"&gt; but&lt;/span&gt; em meu vidro.&lt;br /&gt;Como o caco daquele espelho do “Avant la Paine”, será que cato os cacos?&lt;br /&gt;Será que acabo de ler o Caio antes dele acabar comigo? Será que Caio e voô, ou Caio e calo?&lt;br /&gt;Será que mato ou morro? Não tenho muitos entraves além desses dois, como todo mundo e minha irmã, chora, chora, chora, chora. E me dá uma vontade de chorar, me seguro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Minha mãe manda prestar atenção e dá todos os conselhos honestos de mãe, aqueles que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;só&lt;/span&gt; elas vêem e ninguém compreende pelos mesmos motivos. Esse texto se perde, a noite se perde, a vida se esvai, nos sobra copos. Quantos copos eu ainda posso quebrar até me curar dessa embriaga vida? Marota pergunta, né? Nem notou de tão que é... Processos Químicos? Química na Uerj? Medicina? Sabe, tem momentos que não devemos respeitar os outros, a opinião sabe, tem momentos que enxergamos o errado. Então nos calamos, em prol da liberdade, bobeira! Quem é livre? Nós dois somos? A dulcíssima prisão, não é por dulcíssima, doce, aprazível, do latim dulce que deixa de ser prisão. Eu quero o que há em mim ou o que há em ti? E você quer sem ter fim? Ainda assim falamos em liberdade, maior ou menor, não é plena... Ela quer, eu quero, defeito de família. Não optar, querer tudo, tudo é nada! Obrigado Alberto Caiero, obrigado mesmo?&lt;br /&gt;Vou dormir, evitar as lágrimas, já não é tristeza é o peso disso tudo, é o love apesar, a pesar, há pesar. Hilda Hilst tem razão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Acho que aqui em casa, em casas, não estamos acostumados a terminar as coisas; eu mesmo, nunca termino. Poderia ter um emprego melhor, faculdade melhor, amores melhores eu poderia ter tido, mas nunca procurei... Depois que as coisas acabam, dou graças e belê. A vida é uma só, então devemos viver desesperadamente. Ou melhor, entendemos que é uma só, devemos então viver sem nos preocupar. Ou melhor ainda, devemos viver como quisermos. Mas não dá, em alguns momentos tem sempre alguém que enxerga que estamos fazendo “errado” e fala, não respeita nossa opinião. Ora, calem-se os sábios, os tolos, os otários e os fodas.... quem fala agora sou eu, e isso passa, tudo há de passar. O que resta, resta em outros, em mim cinza, pó, um esqueleto qualquer de uma dívida qualquer nunca paga. Sofremos quando pensamos em nascer e levamos até o último minuto essa dor, esse pranto, e toda essa beleza resultada do que provemos do desespero que é a vida. Esse resultando da ação da gravidade sobre os corpos, que nos assola. Essa grande pedra do lagar ligada pelo fuso à viga, que temos que carregar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tenho tantas certezas que criei, contrárias a tantas outras certezas que ouvi e me pareceram tolas: tenho certeza nenhuma. Mas quem não tem nenhuma certeza não tem opinião, não tem nada, nem mesmo é respeitado. Ou fale de uma coisa ou de outra, mas fale, fale da certeza com certeza, de que a vida é um punhado de incertezas e dessas certezas globais você não tem certeza nenhuma, pois você tem suas próprias certezas. Besteira, mentira, papo para beijar na boca alheia. Temos nada, nem mesmo essas letras. Ela é que nos tem, bem sabemos disso. Já é uma certeza, não temos como escapar das sentenças. Nietzsche escapou? Quem sou eu? Minha irmã, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tu&lt;/span&gt; a quem que escrevo... Quem somos? Que certeza você me trará do ser, logo mais no bar?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela chora no quarto e eu não sei se choro de infeliz ou de contente... por que esse querer desigual e infinitivamente pessoal? Meu, dela, do Caetano. O que hacer sobre tudo? Sobre tudo um pouco, talvez? Dulcíssima prisão: é quanto tenho você em meus braços, e esta é a certeza que quero carregar antes de ir dormir, pois deve fazer alguma diferença nesta vida morrer feliz.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-3217673162954347548?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/3217673162954347548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=3217673162954347548' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/3217673162954347548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/3217673162954347548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/11/voc-me-abraa-e-isso-passa.html' title='Você me abraça e isso passa.'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-8946920303004960794</id><published>2007-11-28T00:42:00.000-02:00</published><updated>2007-11-28T20:45:55.574-02:00</updated><title type='text'>Não toque no punhal!</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não toque no punhal! – Apontou o indicador, mas logo desfez da rudeza com uma certa vergonha pondo a mão de volta ao casaco preto, por cima do fraque lépido.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Isto está me soando a muita literatura, deixo isso de lado os livros me cansam, por que não posso?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não sabe de verdade o que está fazendo. – Sentou numa cadeira vazia, esticou o braço ao vinho resido na mesa. Serviu um copo sem não antes manchar o casaco &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;– É um caminho sem volta.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Nada é sem volta...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- A admiração o é. Não toque no punhal, já lamento por pensar em fazê-lo, não conhece o amor quem perde o vigor de admirar.&lt;/p&gt;     &lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Você se arrepende de ter o tocado?&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;- Não, mas os estragos são incalculáveis. Tenho um problema de má formação de consciência, não dê ouvido aos meus adágios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;- Eu também o admirava...&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Num lamento ela se levantou da mesa com cuidado para não amassar o vestido foi até a janela e observou a gelosia, própria e da janela.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- “Devemos lembrar do amor como uma poesia, num instante o amor é vivido, mas logo depois ele é apenas relembrado em memória.” – Ela virou-se para ele – São suas próprias palavras, tão impiedosas e apaixonantes, como você era.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não toque no punhal! Nada mais significa que pura infidelidade. – Ele aconselhou com prudência sem dar ouvidos a citação – Romper limites tem um preço.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Você me ensinou que o arrependimento é uma bobagem. – olhando através da janela observou um cachorro negro e outro branco brincando na praia, os viu embolados entre a areia e o mar, e que se olhasse outra vez pensaria que era uma briga. Imaginou as presas do cachorro negro abocanhando o pescoço do cachorro branco, manchando o pelo de sangue e soltando um vagaroso ganido. – Querido, uma vez você me disse que a sensibilidade deveria ser tudo, que ninguém consegue sentir a mesma coisa que outra pessoa ao ler um livro, ao ver uma obra de arte, este punhal para você é uma conquista, para mim é uma descoberta. Para você é luxuria, para mim é angustia.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- É isso então que quer descobrir, vingança?&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Ela se calou num silêncio amargo numa espera sem suspiro. A curiosidade lhe estugou até o punhal, retirou da bainha bem devagar e verticalmente o apertou contra os seios; pensou durante muito tempo. Com um pensamento obtuso e egoísta, notou que só enxergava sua repugnante dor, quis gritar como sempre faz, mas calou e fez de si o avesso. Buscaria vingança, usaria o punhal. Quando seu amado fez uso dele, ela sangrava em sua própria crença, em sua devota paixão, nunca imaginou que sangraria tanto. Foi humilhada e mesmo assim a dor não era pela a lâmina na carne e sim pelo ato, o ganido não era pela a mordida no pescoço e sim por seu amigo, aquele que deveria ser o seu par, tornou-se o seu contrário. Foi capaz de rasgar a pele, os sonhos, pensou que nunca se curaria da hipocrisia e da traição que tocar no punhal significa.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Com o punhal em punho se aproximou de seu amado e disse baixinho: - “Galante é o que usa o punhal pois logo o amor estará morto” e cravou em suas costas o punhal do amor infiel, enterrando toda a lâmina. Ele não gritou, apenas soltou um vagaroso ganido, enquanto ela observava a poça de sangue que se formava no chão pingado da cadeira de madeira. Não foi por vingança pensou, há coisas que controlamos nessa vida, há coisas que não.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Ela sentou-se ao lado dele com um livro que ele havia escrito há muito tempo, abriu numa página aleatória e leu:&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;“Nunca deixamos de amar aquilo que amamos um dia, ainda mais quando estamos satisfeitos consigo mesmo. E todo o sentimento que não encontra uma solução final, voltará a doer, mesmo que em uma outra situação ou outro momento, pois bem, este sentimento encontrou sua solução final e mesmo assim nunca deixou de ser amor, apenas deixou de ser amado.”&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-8946920303004960794?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/8946920303004960794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=8946920303004960794' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/8946920303004960794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/8946920303004960794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/11/no-toque-no-punhal.html' title='Não toque no punhal!'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-4273755587463489469</id><published>2007-11-12T03:58:00.000-02:00</published><updated>2007-11-12T16:48:26.375-02:00</updated><title type='text'>Avant la peine et le dégout</title><content type='html'>&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Ela – Acontece que você não faz nada, não tem nenhum grande plano, além disso você é muito seduzido pelas coisas. Hoje você quer emagrecer, mas amanhã começa a ser seduzido a engordar. Hoje quer escrever, ser escritor; amanhã é seduzido em não fazer nada, e nada faz. Hoje tem qualquer idéia, amanhã tem qualquer outra grande idéia contrária; é tudo, é nada, segue sem serem grandes as suas idéias. &lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu – Meu calendário deveria ser como o do Cazuza e os meus dias de par em par.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela – Você ama o Jardim! E mesmo assim você o trata como trata o trabalho que você odeia, passa 8 horas no trabalho sem determinação, e trata o Jardim da mesma forma, para você tudo é como uma mijada. Você é capaz de mijar e não balançar o pau, da mesma forma que trabalha para sair mais cedo e não fazer nada, escreve no Jardim sem corrigir, sem atenção, de modo preguiçoso, faz tudo da mesma forma, as coisas que ama e as que odeia, transforma tudo na mesma coisa. Parece não querer nada, desiste de tudo. Tem bebido muito mais esquece de tudo que fala e pensa, bebe e começa a chorar. Por mais incrível que isso possa ser é só nos seus momentos bêbados que consegue ficar sóbrio, como ontem: você me ligou e começou a dizer que isso estava te matando, que estava morrendo, e sabemos que não é a bebida que te mata. Disse ainda que a vida tava se tornando seca, estéril, vazia. – Me encarou, sorriu de modo amargo e prosseguiu. – Me deixou tão triste aquela sua ligação às 5 da manhã, eu não sabia o que dizer, só me deu a mesma vontade de chorar. Você é feliz?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu – Não. – Durante alguns segundos quis saber se a minha resposta causaria algum temor dentro de mim, logo chegaram os minutos e nenhuma comoção provocou além da habitual tristeza. Na verdade essa pergunta eu fiz a mim mesmo muitas vezes. – Tem razão, tudo para mim não faz a menor diferença, eu lembro que eu me perguntava antes de trabalhar para que eu deveria fazer aquilo, se na verdade a vida que eu levava antes de trabalhar era a mesma que eu queria levar quando trabalhasse. Eu não passo de história, de um contador de histórias, até mesmo o que eu escrevo é apenas sobre a minha vida. Eu não quero ser rico, eu não quero aprender a soltar um &lt;span style="font-family:';font-size:10;color:black;"&gt;hadouken&lt;/span&gt;, eu não quero comer a Penélope Cruz, eu gostaria disso tudo, mas eu não quero ir atrás disso. Há alguns anos atrás as pessoas me perguntavam qual era o meu maior sonho, eu dizia que era conhecer a África. Eu até quero conhecer a África, mais do que Paris por exemplo, mas eu só dizia isso porque não tinha sonhos. Se você me perguntar qual é o meu maior sonho hoje eu diria que é me tornar escritor, mas eu não sei se eu tenho algum sonho na vida.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Prosseguimos o diálogo calados, as verdades cujas quais você conhece em si mesmo são as mais difíceis de ouvir; e além disso só tomamos por verdade aquilo que estamos preparados para ouvir, sendo difícil ou fácil. Ela disse ainda “que eu era muito inerte”, mas essa palavra não chegou a quebrar o silêncio, nem mesmo um parênteses foi, era como se ela tivesse se abstido de falar, como se me contasse em segredo um-disse-me-disse tão omisso de explicação que não quebrou o desassossego mudo , pelo contrário, o prolongou. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela – Vou pagar a conta.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Estendeu as pernas ligeiramente, passou por mim sem me tocar, mas mesmo assim me contagiou. As palavras duras além de contagiosas provocam um grande abismo. Derrubei algumas poucas lágrimas sem esforço, ela pagou a conta, embrulharam o resto da pizza e &lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;fomos caminhando até a praia de Copacabana. Avistei adiante da areia o mar negro, refletindo o céu sem luar e confessei sem agüentar.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu – Paris é o caralho!&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Os dedos dela encaixaram na minha mão pedindo para que os meus fizessem o mesmo enquanto caminhávamos pelo calçadão, mas tive aversão ao carinho não queria que nada me tocasse, aceitei o carinho por uma educação besta e declinei alguns passos depois me deixando livre para pensar.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu – “Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo”, foi o que Pessoa disse, mas ele nunca foi o ser nada, ele sempre foi Pessoa. Eu? Nada sou e nunca serei nada, mas eu gostaria de ser Pessoa. Outro dia eu pensei que gostaria de ser escritor e publicar.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela – E por que não é?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu – Logo depois eu pensei que eu cometo muitos erros de português e é muito difícil ter um livro editado, e ainda não escrevo bem o suficiente para alguém pagar por isso.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Na frente avistamos muitas pessoas cercando um traveco loiro com um microfone plugado numa caixa de som, falando besteiras de cunho sexual e aquelas intermináveis piadas sem graça. Senti saudade de Paris, mesmo sem nunca ter ido lá, falamos da Babi e que ela morava num dos prédios da orla. Discursei muitas coisas que eu sabia dela, nada muito importante, como as coisas que falamos de todos de que gostamos o suficiente para não falar mal. Revelei que nós já tínhamos nos beijado algumas vezes, e disse que se ela morasse no Copacabana Palace eu nunca teria terminado com ela, mas foi ela que não quis mais ficar comigo, morando ou não no hotel&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu – Hoje eu estava no ônibus pensando que eu gostaria de fazer português, corrigir textos de alguns escritores, virar alguma espécie de critico literário, mas depois pensei que isso tudo poderia ser muito chato. Penso muitas vezes que eu poderia ser jornalista, poderia ser cineasta, penso que eu sou muito inteligente e que me conheço muito bem, por isso, eu poderia ser tanta coisa, mas a única coisa real desse discurso é que eu não sou nada.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela – Amor, você precisa escolher a sua vida, grita sempre aos quarto ventos que a vida é uma só, que precisamos viver intensamente e que essa é a magia desta grande merda de vida. E você não escolhe nada.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu – Eu sou um ator, é bem isso o que eu sou, eu ouço o Peppe falar e logo depois pego todos os planos dele e sonhos, começo a realizar secretamente, diariamente, dentro de mim, às vezes acho que eu poderia ser ele por uma semana inteira. Depois eu desisto, eu faço isso com o Vinicius, faço isso com você, faço com as pessoas que eu amo, roubo vocês pouco-a-pouco para minha personalidade, mas depois eu desisto, eu canso, eu fujo. Eu sou um ator, e nem mesmo ator eu sou.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela – Às vezes eu acho que você coleciona pessoas.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu – Tem razão, adorei os alemães, mas depois que eles foram embora não me dignei a escrever um e-mail para dizer que eu gosto muito deles. Você acha que eu te coleciono?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela – Acho que não, você não ficaria tanto tempo comigo. – Mais uma vez entrelaçou os dedos na minha mão, desta vez aceitei de bom grado o afago.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Deixamos a orla em direção ao metrô, entregamos a pizza e o restante do guaraná para um mendigo, nos retribuiu um singelo sorriso e me desejou a companhia de Deus. Logo remendei desejando que Deus ficasse com ele, sem notar que o engraçado desse discurso é Deus ser onipresente. Sendo que ele nem existe.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu – Ontem quando cheguei em casa encostei no parapeito da janela, pensei em me suicidar, tive uma real vontade de pular e terminar tudo de uma vez. Pensei outra vez e cheguei à conclusão que eu sou muito preguiçoso até mesmo para me matar, porque tudo é muito indolente. Eu teria preguiça de me matar, o bombeiro teria preguiça de vestir sua roupa vermelha depois entrar no veiculo e pensar que um filho da puta precisa ser muito escroto para se matar na manhã de um domingo, depois pensei na preguiça do meu pai de ajeitar as coisas do enterro, flores, cartões, ligações, arrumar minhas coisas, pensei nas muitas lágrimas da minha mãe, pensei na preguiça do padre de rezar a missa do sétimo dia e na comoção invisível dos dementes. Pensei na preguiça de todos acordarem e necessitarem ir ao enterro que meu pai provavelmente marcaria muito cedo, pensei na preguiça que daria meus amigos chorarem, na preguiça que daria para o Vinícius pensar que apesar de muito triste ele não conseguia chorar, pensei que ele poderia se perguntar se alguém se importa se ele chora ou não, pensei no quanto ele odeia enterros; pensei tanto que deduzi que me tornaria imortal se fácil fosse, só para ninguém ter que pensar nisso. Pensei nas pessoas que me aproveitaram pouco, pensei que você precisaria pensar em arrumar um outro namorado e que pensaria se isso era um gesto natural ou devesse esperar mais tempo, como se o esquecer uma pessoa fosse necessária a equação do tempo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela – Chega, por favor.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Sentamos na praça em frente ao metrô, calculamos o tempo e percebemos que ainda poderíamos ficar juntos mais alguns minutos, ela me abraçou e eu não segurei o pranto, solucei sobre minhas palavras e molhei o lindo e alinhado vestido dela. Prendi a respiração, soltei e citei.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu - “Não sou nada, nunca serei nada”. É muito triste não ter sonho algum apesar de poder ter todos os sonhos do mundo, de não haver nenhuma implicação moral nisso. Eu posso, mas não quero.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela – Você precisa escolher só isso, todos gostam tanto de você, é sempre muito inteligente e capaz de fazer tanta coisa. Até mesmo o trabalho que você faz de forma odiosa, você consegue desenvolver bem. Não lhe falta coragem, falta escolher, você não é indeciso. Você apenas não escolhe, não é uma coisa ou outra, você não escolhe nada, nenhuma das opções. Mesmo sabendo que muitas delas você conseguiria fazer, mas é preciso escolher, se não nunca terá feito nada apesar de poder fazer quase tudo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu – Eu não gosto de nada, não gosto de ver filmes, não gosto de fazer as coisas, faço as coisas porque são fácies para mim, eu não gosto de nada, nem de homem, nem de mulher.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela – Nem de mim?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu – Nem de você, nem de mim, nem de nada...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Imediatamente o corpo dela se jogou contra o meu, e eu tombaria no canteiro se não me desse tanto trabalho levantar, senti o peso da tristeza no corpo magro e esbelto que ela carrega. Foi o abraço mais dolorido que já recebi, me partiu em diversos pedaços como uma fina vidraça jogada ao chão. Todos esses pedaços escolheram um outro pedaço qualquer para abraçar também, e foram se dividindo; uns pedaços choravam, outros riam, outros pensavam nas pessoas que amo. O amor não é vazio. Os pedaços iam se enchendo de lembranças e ficaram assim, espalhados por ai. Pensei que ela estava triste e que ela me amava muito. Pedi para ela não me abandonar, pois eu preciso de ajuda, pensei que daria muito trabalho juntar esses pedaços espalhados por dentro de mim, mas que não tem jeito, eu cataria todos.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu – Quando eu era criança minha mãe me batia muito para eu estudar, de chinelo, tapas fortes, com o cinto e sua fivela. Ela só queria que eu estudasse e eu chorava, chorava, e mesmo assim eu nunca estudei, pois eu sempre me respeitei muito até nos momentos mais tristes.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu ri e depois chorei.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-4273755587463489469?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/4273755587463489469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=4273755587463489469' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/4273755587463489469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/4273755587463489469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/11/avant-la-peine-et-le-dgout.html' title='Avant la peine et le dégout'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-1355053843273949328</id><published>2007-11-05T19:28:00.000-02:00</published><updated>2007-11-06T13:56:03.111-02:00</updated><title type='text'>Margarida e a vida</title><content type='html'>(Aviso logo que a história do Oséas é bem mais interessante)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bocejou novamente. Era o que fazia melhor – pensava. Não tinha um dia tão chato desde fevereiro. Era março. Os olhos se fechavam vagaro...sa...men... cochilou. Acordou. Olhou em volta. Cochilou de novo. Adorava aquele estado de torpor, os membros moles, pensar em nada. Obviamente, àquela altura já havia se esquecido completamente de que estava no trabalho. Esquecera-se do texto que tinha que digitar, e do seu chefe, que trabalhava logo ao lado e, a qualquer minuto, estaria bem na frente dela, encarando-a na expectativa de que ela acordasse e se assustasse com aquela cara de mau que ele se esforçava para fazer – o que nunca acontecia, porque ela nunca acordava. Bem, lá estava ele. Cara de mau: três, cinco, nove minutos...nada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Margarida... por favor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou, ainda naquele maravilhoso estado de moleza. Demorou um pouco, mas conseguiu se situar. Sim, lembrou-se finalmente! Lembrava das histórias de seus avós, sobre o rádio e a TV; seus pais falavam muito sobre a Internet e agora tinha ela, vivendo a neo-realidade holográfica. Os ilusionistas, sim, aquilo que era vida! Ela se lembrava agora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve uma época, diziam as velhas histórias, em que não se cria sem ouvir. Ouvia-se e cria-se. Então veio a TV – contava vovó – e a imagem impactante mudou a perspectiva de todos: ouvir já não conferia mais credibilidade, era preciso ver também. Com a Internet, tinha que ter vídeo, foto, entrevista...&lt;br /&gt;Mas ela nascera mais à frente. No início holograma era um nome genérico pra umas imagens meio em 3D, intangíveis e de péssima qualidade. Agora, entretanto, a coisa era diferente: perfeitamente sólidas, as imagens emitiam sons iguaizinhos aos reais, e algumas eram especialmente designadas para desempenhar funções humanas. É claro que isso gerou uma certa confusão, porque, com o tempo, ficava meio difícil de saber o que era realidade, o que era holograma. Alguns adultos, já acostumados com a imagem atrás da tela de vidro ficaram loucos. Outros limitavam-se a repetir que as coisas eram bem melhores na época deles. Os jovens se adaptam a tudo (é a lei da natureza) e rapidamente aprenderam a lidar com um mundo meio real, meio imaginário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto Margarida não se espantou quando o chefe abriu um par de asas – no formato das de morcego – e volto para seu escritório, onde se dependurava de cabeça para baixo para a sesta após o almoço. É claro que também ficava difícil trabalhar quando seu computador resolve sair pra tomar um café, então Margarida resolveu descer pra respirar um ar (ou o que quer que fosse aquela mistureba que as pessoas respiravam).&lt;br /&gt;Gentilmente pediu ao jacaré de colete do elevador (uma coisa que não é nada parecida com o que você acha que possa ser um elevador) que a levasse para o lilás. Lá chegando, não se surpreendeu quando constatou que andava na água. Nem quando uma bactéria gigante a acusou de roubar um supermercado virtual. Na água, via refletidas as olheiras causadas por um mundo que não pára, em que o sono vem em cápsulas, como todo o resto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto corria (ou será que voava?) para não ser presa, notou que uma árvore azul vinha em seu socorro. Saíram ambas voando em direção ao... ao quê mesmo? Para que lado era o céu? Aquele cansaço de novo, o cansaço de pensar sobre tudo o que estava acontecendo. Era mais fácil deixar, não se importar. Qual daqueles sóis realmente produzia calor? Será que isso existia? Calor... E ela? Sentia calor? Era real? Sem saber para onde ir, a árvore decidiu que era uma boa idéia desaparecer e Margarida caiu. Sim. Caiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando você não faz a menor idéia do que está acontecendo, de onde é o céu ou do que é real, nada como uma aceleração de 9,8 m/s2 pra te esclarecer as dúvidas. Sim, ela estava viva! Se você não tem certeza de mais nada, cair é viver. O vento batia em seu rosto e Margarida, pela primeira vez, entendeu o que era a sensação de morte. Era como mergulhar numa piscina e descobrir que aquilo lá embaixo é concreto: mal descobrira a vida, vinha a morte a seu encontro.&lt;br /&gt;Tudo sempre pareceu uma boa piada surrealista em sua vida, aquelas formas esquisitas de guarda-chuvas e as lâmpadas que davam bom dia. Mas agora – justo agora – o chão delineava-se perfeitamente no chão sob seu corpo. Caía, e não havia nada mais real que o medo e a vertigem que ia ficando pra trás, conforme o medo preenchia todos os espaços de sua alma. Agora ela sabia onde estava o sol, pois podia ver a sua sombra crescendo cada vez mais no chão. Não, não parecia tão ruim. Parecia descanso, afinal de contas. Mas lá vinha ele, impassível, inexorável, se aproximando e... teve um espasmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abriu os olhos. Seu chefe sorria, julgando que finalmente a havia assustado e que a danada nunca mais dormiria em serviço. Era estranha, aquela sensação de torpor. Olhou-se no espelho e viu aquelas olheiras negras de realidade. Seu computador, infelizmente, ainda estava lá. O melhor era tomar um café, e ligar a TV pra relaxar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-1355053843273949328?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/1355053843273949328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=1355053843273949328' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1355053843273949328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1355053843273949328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/11/margarida-e-vida.html' title='Margarida e a vida'/><author><name>Lari</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-3680661613045151821</id><published>2007-11-05T02:28:00.001-02:00</published><updated>2007-11-05T02:29:52.890-02:00</updated><title type='text'>Eu percevejo Deus</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Entrei no ônibus outro dia desses, indo encontrar meu advogado. Dia de chuva, São Pedro castigou a cidade maravilhosa durante a madrugada e ela acordou encharcada. Estávamos todos carrancudos dentro do ônibus. O próprio ônibus parecia indisposto, seu motor roncava mais inconformado do que de costume. A água na sarjeta, marrom, espelhava bem feio o céu cinza, com aqueles arco-íris de óleo que a gente vê quando olha contra a luz. Os vidros embaçados. Abrir a janela - chuva no rosto; fechar a janela - calor. Dei uma nota de 2 reais ao robô sentado ao lado da roleta. Ele destravou a roleta e enguiçou de insatisfação. Fui andando e enxerguei um tremendo percevejo na janela. Evitá-lo foi o movimento natural. Ele era enorme, eu não procurei mas o vi, e com certeza não era uma pulga. Sentei-me no banco imediatamente atrás dele, longe o bastante pro fedor não chegar, perto o bastante pra não ter como não prestar atenção. A cor dele era aquela cuja imagem mental eu tinha separado pra designar a tal "cor de burro quando foge". Ele era dessa cor e repleto de arestas, parecia um enorme polígono com patas. Cada uma das seis patas tinha um pequeno poliedro nas pontas, como ele vestisse pantufas pontudas. Para maximizar o efeito narrativo chamarei tal percevejo de Oséas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;O calor começou a me irritar, abri a janela pra sentir o vento e as gotas de chuva suja batendo no rosto. Quando empurrei a janela notei que criei certo desconforto para o Oséas, que largou-se da janela onde estava apoiado e caiu por sobre as tiras de borracha preta que servem de vão pras janelas correrem. Pensei que ele ia começar a feder como represália, mas descobri depois que certos percevejos não têm o poder de feder e que Oséas provavelmente figurava dentre eles. Na verdade tudo que ele fez foi dar início a sua série de sucessivos movimentos repetidos com uma única pata, num contorno circular quase hipnótico, metronomicamente calculado em compassos quaternários. Comecei a nutrir simpatia por ele. Ele só estava tentando ser, como fazemos todos nós. Passei a aceitar a companhia de Oséas sem chiar. Fiz um exercício muito comum aos homens de boa-vontade-e-coração; me coloquei no lugar dele. Ele estava realmente num mato sem cachorro. Aquele era um lugar tremendamente idiota de se estar. Me perguntei como ele foi parar ali. Pensei que ele não teve escolha, e pensei em quantas vezes fui parar em lugares por onde nunca deveria ter passado. E ele ficava lá, girando uma pata, eu torcendo pra que ele estivesse se divertindo ao menos. O balanço do ônibus já tinha o colocado praticamente de "cabeça" para baixo. Nenhuma de suas seis patas era nas costas, e todas já estavam para o ar, enquanto apenas uma delas mexia. Ele não tinha nada parecido com um polegar opositor e não dava o menor sinal de ser capaz de virar-se sozinho para cima. Pensei naquele momento em como somos parecidos com ele, nenhum de nós dá sinal de ser capaz de se virar sozinho também.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Tão grande era o carisma dele, que já estava pensando em formas de tirá-lo dali. Na verdade encontrava-se de cabeça para baixo entre duas espessas janelas de vidro, a do assento em frente ao meu (que corria pra trás em relação a Oséas), e a do meu assento (que corria pra frente em relação a ele). Pensei que talvez se fizesse passar uma folha de jornal dobrada por dentre os grilhões de vidro, Oséas pudesse usar suas patas como uma alavanca interpotente e prender-se à folha enquanto eu o tirava vagarosamente de seu ridículo cárcere de vidro. Mas daí pra onde eu o levaria? E se ele começasse a feder? Além disso as mulheres sentadas a minha frente certamente iriam se opor a minha idéia de tirá-lo dali. Pensei que assim que elas levantassem eu tiraria ele de lá, antes mesmo de decidir o que fazer em seguida. Parei de prestar atenção nele por uns minutos e me ocupei doutras coisas. Quando me voltei pra ele notei que havia cansado de mexer as patas e passou a fazer nada.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;- Eu faria o mesmo - pensei, se tivesse entre duas lâminas de vidro com um espaço de menos de dois corpos pra me mexer e com as costas quase que imantadas ao chão. Eu ficaria inerte também. Mas na verdade ficar tanto tempo parado iria me aborrecer, e eu certamente ia querer me mexer; então por extrapolação esperei que Oséas fosse fazer o mesmo, mas ele insistia em ficar parado. Não demorou muito pra que eu entendesse o que se passava. Oséas estava morto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Sem outra opção continuamos nosso passeio, curtindo o visual; eu vivo e ele morto. Eu de pernas para o chão. Ele de pernas para o ar. Pouco depois as moças se levantaram. Perguntei-me se não estavam ai só pra garantir que ele não escaparia vivo. Foi uma morte limpa, sem fedor, sem súplicas, quase solene. Gastei de forma inútil todo o tempo que tinha pra fazer algo, eliminando quaisquer chances que tinha de talvez salvar-lhe a vida, por ficar ponderando sobre o salvar-lhe-a vida. De quebra pensei em diversas coisas. Quantas vezes outras pessoas tiveram oportunidade de salvar-me a vida e me deram as costas; quantas vidas deixei de salvar, inclusive a minha própria, por colocar-me a pensar sobre esses pormernores, exatamente como faço agora. Pensei também que certamente mataria o Oséas se ele me subisse ao ombro no primeiro instante sem me dar tempo de refletir acerca disso tudo. Um bocado errático meu comportamento, tão diferente da linearidade das arestas de Oséas ou da precisão de seus movimentos circulares. Me perguntei se isso não acontecia com Deus, se às vezes ele não se distraía com outras coisas e as pessoas acabavam morrendo de forma idiota. Notei ainda que Oséas não teve escolha senão ver a vida passar do outro lado do vidro até morrer, inútil, inerte e só. Talvez em certa medida minha vida tenha sido como a de Oséas, esperneando sereno por não ter a força pra sair do vidro e ver do que se trata todo aquele monte de coisas lá fora, observado por um ente que perdido em vaidade não moveu uma palha. O problema de falar de Deus é que sempre vai sair humano, demasiado humano. Por isso eu não mergulho nessa querela cósmica, porque não vai dar em nada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Bom, daí que chegando ao meu ponto me despedi do Oséas e desci. Não sei dizer se fiquei triste por ele ou não, mas até penso que não dei a mínima. Acho que quando você passa a enxergar o mundo como um machucado gigante você fica mais esperto e cruel. E ora, deixando a frescura de lado, vamos admitir que Oséas era só uma merda de percevejo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;O advogado não apareceu.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-3680661613045151821?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/3680661613045151821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=3680661613045151821' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/3680661613045151821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/3680661613045151821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/11/entrei-no-nibus-outro-dia-desses-indo.html' title='Eu percevejo Deus'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-7229354249296385882</id><published>2007-11-03T07:24:00.000-02:00</published><updated>2007-11-03T15:59:47.253-02:00</updated><title type='text'>Lisura</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;Para a Vi...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Ouvi dizer no paraíso, o amor é eterno e eterniza tudo o que faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       &lt;p class="MsoNormal"&gt;De perto, como mero espectador ou de longe, como convidado de primeira classe.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Uma viagem e sua única jornada ou a viajem e o viver de longas jornadas, como um passado indivisível ou um futuro insustentável, como um presente predestinado ou vivido, como a sapiência do bar que pondera os nossos delírios que os outros condenam.&lt;br /&gt;Se a rua é movimentada, então seremos transparentes, se os velhos amigos não mudam, nos transformamos de repente.&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;Etílico, você e eu, ebriedade, eu e você, nós dois, imutáveis.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quem não consegue dizer em palavras fala por notas, do noturno tocável da nona ópera, quem me dera eu ainda poder ouvir você decifrar o toque, o código. Você e eu, fiado, eu e você, de graça, nós dois, estáveis.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Na procura embaixo do banco do carro, ou do solavanco bêbado e certo das molas no asfalto.&lt;br /&gt;O amor que não exige perfeição nem fidelidade, não cobra o sorriso feliz e nem sinceridade. O amor que nada cobra na verdade, mas quando começa não tem prazo para esgotar-se. Ficamos tão menores perante nós dois que esse poder nem parece entre eu e você. Carregamos conosco a estranheza da pouca certeza, as questionáveis duvidas, o pouco a ajustar e o nosso muito ainda para viver...&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Não sei se me compreende, isso tudo é só para dizer que sua abusiva beleza não é aquela que se reflete no espelho, mas a que se espelha mil vezes por dentro dele. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-7229354249296385882?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/7229354249296385882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=7229354249296385882' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/7229354249296385882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/7229354249296385882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/11/lisura.html' title='Lisura'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-2695624995622510295</id><published>2007-11-02T03:41:00.000-02:00</published><updated>2007-11-02T12:25:51.680-02:00</updated><title type='text'>Capitulo Um</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Vinte sete, vinte oito, vinte nove, trinta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Abro os olhos. Não há ninguém ao meu redor. Tudo escuro. Não vejo nada. Isso me causa um pouco de medo. Tenho vontade de chorar, de berrar e chamar as pessoas de volta. Mas não. Me calo, me faço de forte, dou um passo a frente e grito: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Tô indo! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Outro passo, mais um, mais outro. A escuridão começa a diminuir e alguns vultos aparecem nos cantos - o que me tranqüiliza. Tenho que encontrar ele. E apenas a imagem dele faz com que algo no meu estômago pule. Respiro fundo com medo das pessoas ouvirem as batidas do meu coração, pois assim elas vão saber que eu estou chegando. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Cadê ele, cadê ele, cadê? Por um momento a angustia de que talvez eu nunca o encontre pesa no átrio entre meus pulmões. Inspiro e expiro mais uma vez só que devagarinho e ando mais à frente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tento silenciar a minha mente porque a falta dele tornou ensurdecedor o barulho. Pára. Você tem que prestar atenção nos sons, pois se continuar assim você perde e vão te chamar mais uma vez de café com ... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Piso num pé e alguém grita. Não é ele, finjo que não ouvi. Será que ele está com Sarah? A imagem de Sarah faz com que o barulho fique insuportável. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outra respiração, nova calma. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vejo um vulto e me aproximo vagarosamente. Seguro no braço. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Gato mia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Alguém mia. Não é ele, eu sei. Mas estou num dilema. Se acerto acaba a brincadeira e a minha chance de apertá-lo e falar algo com ele, contudo, se erro me zoam mais uma vez. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Decido acertar: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- José. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Droga! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A luz acende e vejo rostos familiares menos o dele. E o dela. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Cadê Pedro e Sarah? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Alguém avisa que Sarah foi ao banheiro e não quis atrapalhar essa rodada. Já Pedro não sabem. Vamos atrás? Vamos. Fomos. A minha casa não é grande o suficiente e os encontramos na sala conversando animadamente. Ele com o rosto perigosamente perto do dela. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Não querem mais brincar? – tenho a coragem de dizer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eles se assustam. Dizem que não, que estão cansados, mas que nós podemos ir, eles já vão. Eu emudeço e ouço algo borbulhar no intestino. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Éramos seis ao todo. Invento que com quatro não dá para brincar direito. Só tem graça quando tem mais gente. Eles aceitam a contragosto e algo se aquieta no meu interior.&lt;br /&gt;Sentamos todos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ofereço bebidas para ter o que dizer e não haver um silêncio constrangedor. Esse silêncio torna a aparecer, mas eu já sai para buscar o que me pediram com ajuda de alguém. Volto e as coisas mudaram de figura. Pedro conversa com José e Sarah com Clara. Eu e Roberto entregamos as bebidas. Não tenho coragem de fitar Pedro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Vamos brincar de verdade ou conseqüência? - Sarah sugere despudoradamente e a galera concorda. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Odeio essa brincadeira, odeio odeio odeio. Ela vai beijá-lo, eu sei, e eu vou acabar dando meu primeiro beijo em alguém detestável. Tenho vontade de xingar Sarah e expulsar ela da minha casa. Penso em chamar a minha mãe, de cortar o bolo, de fingir que quero ir ao banheiro, mas aquela coisa chamada esperança me atinge feito um raio: e se eu beijasse Pedro?... Brinco com a possibilidade e ela cada vez mais me agrada. E um sorriso me atravessa de orelha a orelha. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Busco uma garrafa vazia para a gente rodar enquanto as pessoas se posicionam no tapete da sala. Meninos de um lado, meninas de outro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Volto e dão risadinhas. Sento-me do lado de Ana e a garrafa gira. Aponta para José e Sarah. Sarah pergunta: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Verdade ou conseqüência? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Verdade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- É verdade que você já comeu cola na frente de todo mundo? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não. Quer dizer, mais ou menos. Já &lt;em&gt;&lt;strong&gt;fingi&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; que comi cola na frente de todo mundo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Que nojo! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sarah bota a língua para fora, José fica vermelho nas orelhas e a garrafa torna a girar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu e Roberto. Digo: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Verdade ou conseqüência? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Conseqüência. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todos riem em expectativa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Hum... Duvido que você... consiga virar um copão de coca-cola de uma vez! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todos se decepcionam em uníssono. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pego um copo enorme de cerveja de meu pai, encho de coca, passo o que deve ser um litro para ele. A expectativa ressurge com a visão do copo. Roberto parece que quer desistir. Contudo, tenta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Molha a camisa, o carpete, espirra bebida pelo nariz, mas vira o copo de coca. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os risos se espalham como incêndio e eu sou mais uma vez querida por todos – com exceção, claro, de Roberto. Ele se preocupa com o que nossas mães vão dizer e eu finjo ser muito descolada ao informá-lo que minha mãe não se importa com essas coisas. Olhos em mim, nariz em pé no meu rosto. Tudo fingimento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A garrafa está rodando enquanto em tento limpar um pouco o chão com o pano de prato, mas meu lugar está marcado pelo vazio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pedro e Ana. Ana pergunta: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Então... verdade ou conseqüência? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Sei lá. Tanto faz. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Escolhe. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Hum... Verdade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Você gosta de alguém que está nessa casa? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Derrubo o pano na pia e volto correndo com o coração descompassado. Silêncio. Expectativa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele responde: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Prefiro conseqüência. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os meninos vaiam. Ana pensa e diz: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não. Você não pode fazer isso. Responde. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Por que não posso? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Porque foge as regras, ora. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- E quem fez essas regras? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- É só uma brincadeira. Responde. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Prefiro conseqüência. Essa verdade é muito boba. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tá. Então tá. Acho que você mudar para conseqüência, mas ela tem que ser algo muito mais complicado. Mesmo assim você aceita? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Aceito. - Diz dando de ombros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O.k. Duvido que você... beije uma de nós meninas! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gritos estupefatos da galera. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Qual? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Aquela que você escolher,ora. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Escolhe, ué. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não. Prefiro que você escolha. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Sacanagem! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Você que quis mudar e aceitou as.... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Você é muito chata, Ana &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele suspira. Olha para Ana com ódio. Eu, por minha vez, não consigo soltar o ar. A possibilidade de ser beijada por ele trava qualquer ação que eu pudesse ter tido. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por um momento começo a temer que eu vá desmaiar ou fazer algo escandalosamente vergonhoso como arrotar, mas meninas já se puseram em fila, tenho que seguir atrás. Combinamos assim: vamos todas ficar de olhos fechados, pois Pedro se diz tímido. Vai ter uma contagem regressiva e o beijo. Assim, a menina vai saber que foi beijada e as outras também saberiam pelo seu não beijo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Parece bobo agora, mas no momento achei genial porque também não conseguiria ter a coragem de beijar alguém que estivesse me olhando. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Olhos fechados ao lado das outras esperando. Desligaram as luzes, penso. O escuro do meu fechar de olhos se tornou muito negro para ter a luz da sala invadindo. Tudo preto outra vez e novamente aquela angustia de antes, mais uma vez aquele querer berrar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu suava frio nas mãos que escondia atrás do corpo ao esperar. E parecia que esperava eternamente pois os segundos nunca tinham passado tão devagar na minha vida. Pareceram-me anos, décadas, milênios! Achei que fosse abrir os olhos e olhar as minhas mãos e elas estariam enrugadas e eu com bisnetos no colo e sem ter beijado ninguém ainda. Tive medo. Achei que de tão roxa iria parar no hospital devido a minha dificuldade em respirar. Procurei relaxar um pouco. Nada de passar mal nessa hora, pensei. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E nesse longo esperar tive uma vontade súbita de fugir. Passei, então, a esperar com mais pressa, com curiosidade e apreensão. Começou a contagem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se ele não me beijar o que eu faço? - Dez. Se ele beijar Sarah, será que eu consigo não chorar? - Nove. Será que ele vai beijar aquela chata da Ana? - Oito. Não. Ela irritou ele agora com essa história. - Sete. Ou serei eu ou Sarah. Ai! Como eu quero que ele me beije... não sei o que vou fazer se ele não me escolher! - Seis. Mas o que eu faço se ele me escolher? Nunca beijei ninguém. - Cinco. Será que ele vai beijar de língua ou vai ser estalinho? Porque estalinho é mais fácil que de língua. - Quatro. Estalinho eu treinei no braço. Devia ter feito que nem as meninas falaram e ter treinado com o gelo no copo para saber como se beija de língua. Mas achei aquilo tão ridículo.... - Três. E ele? Será que já beijou alguém? Será que eu vou ser a primeira dele também? Será que ele gosta de mim? Ai! Como ele é lindo... Espero que ele goste do meu beijo. Se bem que todos os beijos devem ser iguais, né? - Dois. Caramba! E se a minha mãe aparecer agora o que eu vou dizer a ela? Deixei o pano todo sujo na pia, o carpete encharcado, tem uma fila de meninas e alguém vai ser beijado. Será que ela vai me deixar de castigo depois disso tudo? - Um. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-Já! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E, de repente, com essa palavra, essa minúscula palavra, aquele silêncio assustador tomou conta da minha mente e do meu coração. O tempo parou de se mover. As coisas ficaram imersas na irrealidade, no absurdo. Por um momento eu não soube quem eu era de fato. E, assim, após um breve longo instante, finalmente abri os olhos na incredulidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-2695624995622510295?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/2695624995622510295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=2695624995622510295' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/2695624995622510295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/2695624995622510295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/11/capitulo-um.html' title='Capitulo Um'/><author><name>Catherine Sofia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09114098817223297386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-7578611008257944803</id><published>2007-10-30T03:39:00.000-02:00</published><updated>2007-10-31T00:55:43.465-02:00</updated><title type='text'>Memorabilia</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;A vida, caríssimos, é curiosa um bocado. Hoje quando acordei alguém havia deixado por sobre a mesa do meu escritório uma folha de caderno, velha que só ela, dobrada no meio; arrancada de um caderno, pautada, daquelas que se usa no colégio. Não sei se foi a faxineira, a patroa ou eu mesmo que deixei-a ali enquanto mexia noutras papeladas mil que tenho mania de guardar. O fato é quando abri no ato reconheci o garranchinho. Severinho. Um texto que escrevi provavelmente enquanto estava no colegial, estimo que o tenha escrito por volta de 1971. Devo tê-lo feito pra escola, mas como não tem nenhuma indicação de um suposto professor escrita no papel sou levado a crer que nem cheguei a entregar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Mas o curioso mesmo foi isso vir parar na minha mesa de escritório justamente quando a polêmica do tão discutido "tropa de elite" começa a assentar (ou não). Como um brinde a isso vou ter com os garranchos de Severinho e transcrevê-lo de forma tão fiel quanto possível. Isso sido dito, prossigamos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;"&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;" align="center"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;'Ocupação'&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Por: Severino de Alcântara Brandão&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O comboio &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;[das primeiras 3 vezes li "o cowboy". Preciso de novos óculos.]&lt;i style=""&gt; havia chegado. Uma dúzia de policiais desce da viatura, subindo atabalhoadamente as escadarias pintadas de verde e amarelo, se escondendo em seguida atrás de um barraco.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Um dos policiais, o bigodudo Isaías &lt;/i&gt;[esse é foda, o bigodudo Isaías]&lt;i style=""&gt;, observa um menino de olhar assustado em cima de um boteco. Este sai correndo assim que o avista, subindo o morro num ritmo acelerado. &lt;/i&gt;[aqui tem alguma marcação no canto da folha, talvez seja 'introdução' que esteja escrito, mas as marcas do lápis estão demasiado gastas.]&lt;i style=""&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O resto dos policiais se posiciona, um deles grita: "vai!", tornando o morro mais movimentado que um formigueiro. Uma senhora com um lenço estampado larga no chão um latão d'água amassado, enquanto arrasta seu filho gritando: "corre moleque, que cê vai virá peneira!"* O tal boteco fecha suas portas de imediato, o chão sem asfalto torna-se um mosaico com as inúmeras marcas de pé nele gravadas &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;[não sei ao certo o que está escrito, por um momento me pareceu 'marcadas', mas em nada me agrada a idéia de já ter escrito sobre as 'marcas de pé nele marcadas'.]&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Gradativamente, os policiais vão ocupando o morro, quando um ruído abafado é ouvido por todos &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;[eu já ouvi várias histórias de ruídos abafados, mais altos que esse até, que também foram ouvidos por todos, então creio que ninguém vá ter problemas com essa parte.]&lt;i style=""&gt; Daí o morro torna-se um inferno de balas e gritos &lt;/i&gt;[sim, gritos.]&lt;i style=""&gt;, os pertences largados no chão, assim como o sangue que corria na sarjeta, tornavam evidente o desespero geral.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Um a um os traficantes vão batendo em retirada. Apesar do que andavam dizendo, a PM havia feito algo direito, com apenas uma baixa, o bigodudo Isaías, que havia sido baleado no mais íntimo do seu ser.** &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;" align="center"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Fim. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;“ &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;E o texto acaba assim. Tive o cuidado de marcar com asteriscos os dois trechos favoritos dessa incursão momentânea ao perigoso e excitante mundo da Polícia Militar. Gostei demais do final, porque eu não esperava, na verdade não me lembro absolutamente de ter escrito isso. E acho ótimo, porque parece que estou lendo outra pessoa que no fundo sou eu mesmo. Essa mãe que grita para o filho que ele vai virar PENEIRA, por exemplo. Uma bela forma de incentivar o filho a se esconder, e ao mesmo tempo não deixar transparecer o nervosismo. Gosto ainda mais porque ela não faz uso do 'senão'; optando ao invés disso por usar o 'cê VAI virá peneira'. Tão certo quanto dois e dois são quatro. Gosto de gente assim, sempre gostei.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Quanto ao bigodudo Isaías me lembrou muito os já célebres Cabo Nascimento e Brigadeiro Neto. O meu não tinha patente, era muito mais foda. Bigodudo Isaías. E pronto. Isso era bem típico de mim em tenra idade, achar que podia enrolar todo mundo. Provavelmente pensei que ninguém ia notar se o Bigodudo Isaías só aparecesse na história pra observar um menino em cima do boteco e levar um tiro no cu. Ou isso ou nem eu me dei conta da pouca relevância que o pobre Isaías teve na história (não creio que tenha sido o caso). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A bem da verdade essa polícia militar é coisa mais bacana de que já tive notícia. Pelo que pude constatar eles eram doze na viatura. Talvez por isso eles tenham sido temerários e optado por subirem todos ao mesmo tempo as escadarias de forma 'atabalhoada', deviam estar de saco cheio de ficarem espremidos na viatura, cada um dos coitados, com seus onze parceiros.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Melhor que isso, depois de subirem atabalhoadamente eles dão uma aula de posicionamento tático, optando por se esconderem os doze atrás do mesmo barraco, possivelmente uma idéia do Bgod. Isaías (devia estar escrito assim na farda dele). E quando eu pensava que não podia ficar melhor um deles grita para os outros onze camaradas que dividiam o mesmo esconderijo: 'vai!' &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;A partir daí o caos se estabelece, mas nada que os onze não possam controlar, e como todos sabíamos que ia acontecer os traficantes "vão batendo em retirada' sabem eles para onde. Apesar do que andavam dizendo e do que vocês vão dizer a PM fez sim algo direito, e devemos muito a esses 12 nobres heróis interessados na manutenção da segurança do povo. Desnecessário dizer que a conclusão de três linhas é absolutamente fantástica, como todo o resto do corpo do texto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Severinho não era burro, apenas desinteressado. Talvez coisa da idade. Eu não pensava em nada, não queria saber de nada. Agora penso em tudo o tempo todo e vivo de querer viver e querer saber. Quem há de julgar o rapaz? E a palavra "fim" na redação eu acrescentei agora, achei que cabia, mas na época não botei. Talvez eu ache mais divertido assim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-7578611008257944803?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/7578611008257944803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=7578611008257944803' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/7578611008257944803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/7578611008257944803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/10/memorabilia.html' title='Memorabilia'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-6873655141432849635</id><published>2007-10-29T02:04:00.000-02:00</published><updated>2007-10-29T02:07:52.316-02:00</updated><title type='text'>A Borboletinha do Jardim</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: center;" class="MsoNormal"&gt;Para Paloma&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Quem gosta de abismos precisa ter asas,&lt;br /&gt;elas têm, mas nunca voam alto o suficiente.&lt;br /&gt;Borboletas saem do seu casulo, mas nunca voltam para lá,&lt;br /&gt;rastejam para aprenderem a voar.&lt;br /&gt;Borboletas são sensíveis ao toque,&lt;br /&gt;que dependendo deste, abrem ou fecham as asas.&lt;br /&gt;Borboletas vivem tão intensamente um único dia que morrem&lt;br /&gt;E voltam para o chão do qual rastejou por anos, triste, para voar apenas um dia, feliz.&lt;br /&gt;Borboletas pensam tanto e desnecessariamente que voam distraídas.&lt;br /&gt;Borboletas dão uma bela poesia.&lt;br /&gt;Por isso elas são únicas em nossa vida&lt;br /&gt;E de tantas e tantas dores, borboletas vivem um dia, apenas para seus amores.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-6873655141432849635?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/6873655141432849635/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=6873655141432849635' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/6873655141432849635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/6873655141432849635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/10/borboletinha-do-jardim.html' title='A Borboletinha do Jardim'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-1043756054626773589</id><published>2007-10-27T12:50:00.000-02:00</published><updated>2007-10-27T13:29:00.780-02:00</updated><title type='text'>Eu não sinto nem um pouco a sua falta</title><content type='html'>Nosso começo foi fantástico.&lt;br /&gt;Foi brilho, fogo, conversa gentil ao pé do ouvido, vontade de se entregar de cabeça, de conhecer mais, cada vez mais. Nosso começo foi de pura paixão.&lt;br /&gt;Você, infelizmente, foi tudo aquilo que eu procurava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu senti por você tudo aquilo que eu queria sentir de novo. Você me disse e você fez tudo que eu queria que você fizesse e dissesse, pobrezinho.&lt;br /&gt;Eu queria que eu alguém percebesse atrás do meu sorriso que eu sofria, que percebesse atrás da minha alegria o choro, que pegasse a minha mão e me falasse: sua tristeza é linda! Tão linda. Ser triste assim é uma graça. A tristeza tem uma beleza rara, só sua.&lt;br /&gt;E você fez, como um tapa na minha cara você fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me assustei. Quis fingir que não era do mesmo jeito, que isso que você fazia era uma copia desmedida e falsificada do que eu procurava. Fingi para poder ficar ao seu lado.&lt;br /&gt;Sabe, a gente nunca quer na verdade aquilo que mais procura.&lt;br /&gt;E, assim, eu ter te achado e vice-versa tornou-se mais tranqüilo para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! Como você me veio fácil demais!&lt;br /&gt;Isso me perturbou. Como eterna desconfiada achei que tinha algo de errado nessa história, quis crer que era impossível as coisas serem plenas assim. O tigre no meu peito bateu em concordância. Pude ficar ao seu lado transtornada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas você não criou barreiras para que eu chegasse. Foi honesto e sincero, me deu carinho e me fez saber que me daria o amor que eu precisava para ficar inteira. E o sol que apareceu agrediu minha pele e feriu meus olhos. Foi quase um soco no estômago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criei outros impedimentos para ver se você ficava ou se afastava.&lt;br /&gt;Esperei que se afastasse um pouco para eu correr atrás, mas você, estupidamente, não se importou com eles. Sacudiu a cabeça, quebrou as pedras e se manteve aqui. Tornou as coisas maresia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gostei.&lt;br /&gt;Preciso de algo que me inquiete constantemente, compreende.&lt;br /&gt;Então, ver você não era mais tão legal e te ouvir era quase suplicio. Cai na obrigação.&lt;br /&gt;Decidi me afastar e o fiz sem explicar te o porquê. E isso me fez me sentir clandestina.&lt;br /&gt;Aprovei.&lt;br /&gt;Pude respirar mais uma vez descompassadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o tempo que ficamos juntos se tornou quase o tempo que nos afastamos. Só que você mais uma vez não me deixou fugir, não me deixou ir embora. Insistiu, bateu o pé, quis conversar quando eu quis deixar as coisas como estavam.&lt;br /&gt;No entanto, sou fraca, no final cedi. Aceitei isso de conversar, das palavras saírem livres.&lt;br /&gt;Tentei não te agredir, não te acusar, não te culpar por ser o cara certo, por ter feito tudo de certo, por ter sido perfeito.&lt;br /&gt;Odeio perfeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nem no final você causou de verdade a angustia e a inspiração que eu tanto procurava.&lt;br /&gt;Consegui explicar tudo que oprimia meu vazio da forma mais sincera que encontrei nos meus cartões de fala marcada. Fiz sem maiores detalhes, sem fazer promessas que não poderia cumprir, não criei questões que ele não poderia responder, não joguei nada na cara. Passei pela situação desconfortável e dei um fim.&lt;br /&gt;Você aceitou bem, aceitou grato, disse que eu era melhor que você e que no final o azar era o seu.&lt;br /&gt;Quis te bater, te sacudir a ponto de quebrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca me senti tão adulta quanto naquele momento, tão responsável pelo coração alheio, tão boa, tão honesta, tão bacana. Fiz o que sempre quis que fizesse por mim...&lt;br /&gt;Não me senti satisfeita.&lt;br /&gt;E mesmo agora quando leio o bonito presente que ganhei e vejo as belas palavras que escreveu de forma torta não sinto nada.&lt;br /&gt;Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você que me deixou ao mesmo tempo muito presa e muito solta da forma que sempre quis crer que havia de ser. Você que tornou meu nome uma frase completa, que se encheu de uma completude que não partilhou comigo é absoluta página em branco.&lt;br /&gt;Eu não sinto nem um pouco a sua falta, entende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora que posso seguir sem ossos no meu porão, problematizo mais uma vez a vida, pois finalmente me tornei uma daquelas pessoas que sempre detestei. Uma daquelas pessoas que deixam pessoas magníficas partirem de si.&lt;br /&gt;Uma ponta de mim se sente burra por deixar ele ir.&lt;br /&gt;Com razão.&lt;br /&gt;E, entretanto, não sinto vontade de sussurrar seu nome para ele aparecer aqui.&lt;br /&gt;O texto fala por si mesmo.&lt;br /&gt;Nunca ninguém me deixou tão sem inspiração quanto você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-1043756054626773589?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/1043756054626773589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=1043756054626773589' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1043756054626773589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1043756054626773589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/10/eu-no-sinto-nem-um-pouco-sua-falta.html' title='Eu não sinto nem um pouco a sua falta'/><author><name>Catherine Sofia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09114098817223297386</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-7212404881421236948</id><published>2007-10-24T01:39:00.000-02:00</published><updated>2007-10-24T20:15:52.517-02:00</updated><title type='text'>Os burgueses não trepam</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" align="center"&gt;Para todos aqueles amigos que tanto amo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Tá fazendo o que?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Dormindo... – estiquei o pescoço e consultei o rádio relógio – O que você acha que eu estaria fazendo às 4 da manhã?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Trepando...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Virei burguês minha querida... - ainda com aquela voz sonolenta.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Burgueses trepam que horas?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- 8 da noite, se não tiver jogo na TV.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não jantam?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- O que quer?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Vamos fumar um baseado com o pessoal lá em casa? Ou vai ficar de viadagem?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Ok...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Ok? Ta de sacanagem né? Vai se fuder...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- 15 minutos, não vou tomar banho.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- O que fará em 15 minutos?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Ouvir música.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;“Puta que pariu” – disse sem dizer. Abri os olhos, cocei o céu da boca, esperei mais 10 minutos para levantar da cama e ir direto ao banheiro. “Agora só me falta ser alienado para ser feliz, gordo eu já sou.” Encarei o espelho passando a pasta direto nos dentes como se estivesse escovando os dentes de uma outra pessoa. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;O carro chegou apinhado de gente, era uma mistura de um bêbado, uma puta, Joplin, lésbicas e um gay ecológico com ponto de vista filosófico existencialista, fiquei enjoado, mas observa o carro andar a toda velocidade até o bar mais perto, só o menino do pensamento existencialista desceu do carro, pegou umas bebidas importadas, um Doritos e em minutos voltou com a conta paga. Tirando a puta todos reclamaram que gostaria de pagar a conta, Ana deu partida no carro e varou a noite pela praia de Ipanema ao som de qualquer coisa moderna até chegarmos ao seu apartamento.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Nem foi preciso ascender a luz o dia já clareava, os colchões foram removidos e colocado na sala pelo o pessoal, aproveitamos a pouca mobília do cômodo para deitarmos todos juntos, ouvimos música e fumamos o baseado. Não importava, nada me faria perder o sono aquela noite, muito menos uma ponta de cigarro. Ficamos assim por muito tempo, só nos movíamos para atirar o maço um na cara do outro ou para encher o copo, o tempo não passava e eu continuava entediado, queria de verdade correr com o tempo. Não era culpa deles, tem momentos que felicidade demais mata a alma da gente. Não sentia nem mais sono, nem mais nada, não ficava bêbado, não ficava triste, pensava em minha Cecília que provavelmente pensava que não agüentava mais ficar bêbada, triste e sozinha. Pensei que eu estava sendo um idiota, mas que era exatamente o que eu sou, e dificilmente sairia daquela posição, pelo menos não vislumbrava como. Comecei a ficar angustiado, graças a Deus desligaram o som, conversarmos sobre masturbação e debocharam de minha candura quando eu disse que era coisa de “Homem solteiro e mulher casada”. A manhã finalmente chegou, escutei alguém sussurrando alguma coisa como “minha-mãe-me-mata-se-eu-chegar-em-casa-depois-que-ela-acordar”, todos dormiram e eu voltei a me enjoar. Foi neste momento que Ana me puxou para o lado dela, não nos falamos e beijamos pela primeira vez.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;É preciso dizer que durante muito tempo na minha vida quis beijar Ana, e até Simone de Beauvoir eu lia para beijar Ana. Pensei que Ana era lésbica, li Hermann Hesse, Oscar Wilde, Virginia Woolf e nem assim adiantava. Só não consegui ler Fernanda Young, mas até mesmo Susan Sontag eu li, afinal era de esquerda, ativista, escritora, polêmica, contraditória e filha de Judeu, não tinha jeito Ana era demais para mim. Ela nunca precisou de mim, dizia que me amava, mas era eu em silêncio que sempre precisava dela. As coisas não eram tão fáceis, ainda mais depois que conheci a Cecília, e pude resistir a quase tudo isso.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ana estava lá nocauteada pela vida que levava, com sua blusa branca, calça jeans, cinto antigo, all-star velho da época que ainda era barato, tudo do mais simples possível Ana calçava. Deveria ser o meu momento, mas aquele beijo me enjoou mais que o viado ecológico ou a puta de peso na consciência, tudo isso me arrenegava muito. Eu poderia passar por isso batido, se não fosse os lábios de Ana com aquele gosto de vodka amarga de quem acabou de vomitar. Nos beijávamos, fiz um esforço e discretamente coloquei minha mão por dentro de sua calça, os dedos procuraram o minúsculo vibrante e a respiração ofegante. Durante muito tempo nos acariciamos, e eu fazendo tudo de forma automática, não saía da minha cabeça Cecília, a vontade de ir ao banheiro e gosto de vodka nacional sem gelo. Fomos ao quarto, deitei na cama que sempre desejei estar, o santuário das ilusões na sensação que as transas seriam diferentes. Mas não eram, estava nu e tinha ela literalmente sob minhas mãos. Por um tempo eu consegui me manter capaz de sustentar o desejo, mas só pensava em Cecília, e mesmo que aquela não fosse nem a primeira e nem a última das traições o sexo daquela noite foi uma merda e meu pau ficou murcho. Tantos meses desejando, meses de literatura, de música ruim, de comida vegetariana, para o meu pau ficar murcho.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Gozou, querido? – Me olhava de cima.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Sim, não pude resistir. – Me escondia embaixo. – Desculpa...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela soltou uma gargalhada e engoliu o pretexto, aproveitei para ir ao banheiro, esperamos todos acordar e ela me prometeu levar no ponto de táxi. Antes, abriu a bolsa, retirou um plástico com cocaína e espalhou pela mesa.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Quer cherar comigo e ir ao supermercado?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não, ainda planejo dormir...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Inalou toda a carreira de uma vez só, fungou outras tantas vezes, acordou a todos e com toda sua cordialidade os levou em casa. Fui o último, ela desligou o carro.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;- Vai contar para a Cecília sobre a gente?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não acreditaria em mim, sou um mentiroso, vai pensar que é outra pessoa.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;-Vai pensar que é outra?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;- Ela não acreditaria que transei com a amiga dela, ela vai achar que eu inventei isso para terminarmos.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;- Por que ela ainda continua com você?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;- Porque eu também nunca acredito no que ela diz...&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;- E sobre o amor que você escreve?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- É isso o amor... &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ao chegar em casa eu deito e volto a dormir.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-7212404881421236948?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/7212404881421236948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=7212404881421236948' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/7212404881421236948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/7212404881421236948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/10/os-burgueses-no-trepam.html' title='Os burgueses não trepam'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-434329035431857403</id><published>2007-10-17T03:17:00.000-02:00</published><updated>2007-10-17T03:25:21.414-02:00</updated><title type='text'>Quem vai puxar o gatilho?</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;O rosto do traficante está assustado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Na cara, não, chefia...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- É o quê??&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Na cara não, vai estragar o velório.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- 07, me passa a 12. Vai lá, Mathias, acaba com ele. Ele é seu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O rosto do traficante está assustado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O nome dele é Capitão Nascimento. Bad Ass Motherfucker, fodão, tortura traficante sem piedade, sem remorso, sem pensar duas vezes. Traficante é inimigo. Policial corrupto amigo de traficante também. Playboyzinho da Zona Sul que consome a droga e financia o tráfico também. A farda do BOPE é preta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Os números confirmam: o sucesso de “Tropa de Elite” é avassalador. Do playboyzinho ao traficante, todo mundo já viu. Um alcance sem precedentes, uma mensagem veiculada pelos quatro cantos cheios de sujeira da cidade e do país. Cabe a pergunta: mensagem que limpa ou que suja mais ainda?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Dentre os escombros da sociedade, surge a resposta: os números confirmam: Capitão Nascimento para presidente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O fascismo é fascinante e deixa a gente ignorante e fascinada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(Sabendo-se separar autor e obra: não é o Padilha quem tortura os moradores da favela).&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas quem vê além dos fanfarrões e dos playboyzinhos de merda? Quem ouve algum discurso além do “é você quem financia essa merda!” e “vai enfiar essa porra no cu?”? Quem, na massa ignorante brasileira, sem educação decente, sem saúde, sem porra nenhuma – que, deixando de lado a hipocrisia, não é mais inteligente do que o senso comum diz –, percebe algo além do Capitão Nascimento (o Bad Ass Motherfucker) e vê o Beto (o cara que vai ter um filho)?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ninguém vê, ninguém ouve, ninguém percebe, ninguém pensa. Porque é só estômago e catarse, tapa na cara e “nojinho”, “seu merda!” e “o senhor é um fanfarrão!”. Não sei se há distinção entre eles (a suposta massa ignorante brasileira) e nós (que, tão fascistamente quanto o Capitão Nascimento, nos colocamos acima, como uma elite intelectual). Todos queremos, no fundo, espancar o bandido junto com os caras do BOPE. Distanciando o olhar, vendo de fora: na atual conjuntura sócio-político-econômica-oqueseja do Brasil, alguém acha que eles – os habitantes do país – irão entender que o Capitão Nascimento não é a solução, e sim mais uma engrenagem no problema da organização policial? Alguém acha que essa população vai parar pra pensar nos direitos humanos dos bandidos? Alguém acha que esses habitantes indignados de um país tão violento serão algo mais que espectadores que vibram com os xingamentos do Wagner Moura, serão frios o suficiente pra ver que não é assim que a banda toca, serão compreensivos com os inocentes que morrem nas favelas? Capitão Nascimento responde: nunca serão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O tiro saiu pela culatra.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O filme é, sem dúvida, um tapa na cara. Mas na cara de quem? Deveria ser na nossa – nós é que deveríamos ser vítimas do tapa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O Mathias aponta a arma pra tela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas o plano – a imagem – é mentiroso. No fim das contas, a gente não tá do lado de cá da tela, do lado de cá do tapa, do lado de cá do tiro. A gente tá do lado de lá, atrás do Mathias, torcendo, dando o tapa, dando o tiro. A gente quer explodir a cara do traficante. É a catarse, a vontade de gritar o grito reprimido depois de tantos joão hélios anônimos, a ira contra quem financia o tráfico sem ter a menor noção, a raiva dos bandidos que arrastam inocentes para o crime, o Nascimento de uma fúria que quebra nossa passividade ao ver alguém finalmente tomando as rédeas e explodindo a cara do traficante.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas o tiro saiu pela culatra.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quem cai é a gente, quem sofre é a gente, quem morre é a gente. O traficante é só mais um traficante – outros virão. Nós, por outro lado... quando a gente se posta atrás do Mathias, ainda somos seres humanos. Mas aí a gente toma o tiro – saiu pela culatra –, e mata a humanidade que ainda tínhamos &lt;st1:personname productid="em nós. Nós" st="on"&gt;em nós. Nós&lt;/st1:PersonName&gt; também viramos monstros.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O Mathias aponta a arma para a tela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Meu nome é capitão nascimento. Mete o dedo nessa porra.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-434329035431857403?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/434329035431857403/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=434329035431857403' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/434329035431857403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/434329035431857403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/10/quem-vai-puxar-o-gatilho.html' title='Quem vai puxar o gatilho?'/><author><name>James M. Barrie</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09169923023552484844</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-1552472453176943050</id><published>2007-10-14T12:11:00.000-02:00</published><updated>2007-10-14T12:29:14.637-02:00</updated><title type='text'>Fairly Romantique Stream Of Consciousness</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vivêssemos todos como fôssemos filme o quão melhor o mundo seria? Enxergar a si próprio pelo olho da câmera, que a terceira pessoa é mais que a primeira. Sermos portanto, fãs de nós mesmos. Imaginarmo-nos assistidos justo por aqueles que mais amamos. Diante disso como não ser impecável? Amarmos sem medo de ser arrasados, à sombra do amor quem não é aprazível? Versando dormindo, sonhando acordado, caminhando com pernas de imaginação todo o resto do mundo sob o qual meus olhos inda não se deitaram; procedendo assim então quem há de apostar que sou falível? Galgando ainda degraus de escadas intelectuais, feitas dos conhecimentos infindos das mentes mais geniais, tão humanos quanto eu ou você; caminhando, braços dados a mim e a tudo que existe quem há de interpolar a ti ou a quem quer que seja? Probidade pautada nos próprios valores, como é importante ser fiel a algo, ser leal a alguém; que o outro é tudo aquilo que não somos, e vice-versa, e ainda desse modo fora dos outros não somos ninguém! Tendo em ti fortaleza e sendo porto-seguro de mim me dize agora, quem há de nós melindrar? Aperceber-se uma vez apenas de nossa pequenice diante do amor, da arte e do mundo, pois que tão logo dela ocupemo-nos uma segunda vez nossa insignficância virá nos acossar. Aquiescer diante da descoberta de que cada pequena coisa é tão grande que diante de uma delas apenas poderíamos refletir e nela aprender por toda uma existência. A soberba de beber da potencialidade de vida, conjeturas beirando a ininteligibilidade. Diante da acromática que acomete certos instantes por que não nos perder e achar em labirintos e peças auto-impostas, que condimentam o cotidiano e trazem um sentido particular à vida, tão importante para cada um de nós? Com estandartes de vontade, sem o fardo do imediatismo quem há de nos constringir os ímpetos? Ninguém, eu digo ninguém... A guerra é de nós consigo mesmos, vitorioso de si próprio portanto, já te posso profetizar: Ninguém te lesa!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-1552472453176943050?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/1552472453176943050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=1552472453176943050' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1552472453176943050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1552472453176943050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/10/fairly-romantique-stream-of.html' title='Fairly Romantique Stream Of Consciousness'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-3744162695877349225</id><published>2007-10-03T05:36:00.000-03:00</published><updated>2007-10-03T06:09:20.822-03:00</updated><title type='text'>III - Madrugada de merda.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- &lt;st1:verbetes&gt;Por&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;favor&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;moço&lt;/st1:verbetes&gt;, queira se &lt;st2:hm&gt;sentar&lt;/st2:hm&gt;. - Elena disse, &lt;st1:verbetes&gt;pela&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;primeira&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;vez&lt;/st1:verbetes&gt; olhando &lt;st1:verbetes&gt;diretamente&lt;/st1:verbetes&gt; pro &lt;st1:verbetes&gt;rosto&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes&gt;homem&lt;/st1:verbetes&gt;.- &lt;st1:verbetes&gt;Eu&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;nem&lt;/st1:verbetes&gt; perguntei &lt;st1:verbetes&gt;seu&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;nome&lt;/st1:verbetes&gt; né, &lt;st1:verbetes&gt;me&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;desculpa&lt;/st1:verbetes&gt;...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- &lt;st1:verbetes&gt;Tudo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;bem&lt;/st2:dm&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;senhorita&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;eu&lt;/st1:verbetes&gt; estou acostumado! &lt;st1:verbetes&gt;Nos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;lugares&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;onde&lt;/st1:verbetes&gt; será &lt;st2:dm&gt;bem&lt;/st2:dm&gt; recebido M. Errot prefere &lt;st2:hm&gt;ir&lt;/st2:hm&gt;, ao &lt;st1:verbetes&gt;invés&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;me&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:hm&gt;mandar&lt;/st2:hm&gt;. &lt;st1:verbetes&gt;Eu&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;me&lt;/st1:verbetes&gt; chamo Ibrahim, o &lt;st2:hm&gt;prazer&lt;/st2:hm&gt; é &lt;st1:verbetes&gt;todo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;meu&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- &lt;st1:verbetes&gt;Não&lt;/st1:verbetes&gt; fosse &lt;st1:verbetes&gt;esse&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes&gt;caso&lt;/st1:verbetes&gt;, o Sr. Errot ia &lt;st2:hm&gt;ser&lt;/st2:hm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;bem&lt;/st2:dm&gt; recebido &lt;st1:verbetes&gt;aqui&lt;/st1:verbetes&gt;, Ibrahim... &lt;st1:verbetes&gt;Todavia&lt;/st1:verbetes&gt; é &lt;st1:verbetes&gt;ridículo&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;me&lt;/st1:verbetes&gt; pede. É &lt;st1:verbetes&gt;ridículo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;esse&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;envelope&lt;/st1:verbetes&gt; e essa &lt;st1:verbetes&gt;situação&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;toda&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;me&lt;/st1:verbetes&gt; parece &lt;st1:verbetes&gt;muito&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;enfadonha&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Devo &lt;st2:hm&gt;confessar&lt;/st2:hm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;senhorita&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; faço &lt;st1:verbetes&gt;idéia&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; se &lt;st1:verbetes&gt;trata&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes&gt;Ele&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;me&lt;/st1:verbetes&gt; disse &lt;st3:sinonimos&gt;pra&lt;/st3:sinonimos&gt; &lt;st1:verbetes&gt;lhe&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:hm&gt;entregar&lt;/st2:hm&gt; a &lt;st1:verbetes&gt;carta&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;sem&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:hm&gt;ler&lt;/st2:hm&gt;, e &lt;st1:verbetes&gt;me&lt;/st1:verbetes&gt; deu &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;papel&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;recomendações&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st2:dm&gt;para&lt;/st2:dm&gt; as &lt;st1:verbetes&gt;quais&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;supostamente&lt;/st1:verbetes&gt; encontraria &lt;st1:verbetes&gt;uso&lt;/st1:verbetes&gt; no &lt;st1:verbetes&gt;instante&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;nos&lt;/st1:verbetes&gt; sentássemos &lt;st2:dm&gt;para&lt;/st2:dm&gt; &lt;st2:hdm&gt;conversar&lt;/st2:hdm&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;cujo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;qual&lt;/st1:verbetes&gt; deveria &lt;st1:verbetes&gt;apenas&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:hm&gt;abrir&lt;/st2:hm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;apenas&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;quando&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st1:verbetes&gt;senhorita&lt;/st1:verbetes&gt; se pusesse a &lt;st2:hdm&gt;falar&lt;/st2:hdm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;sobre&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes&gt;assunto&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;st1:verbetes&gt;Enquanto&lt;/st1:verbetes&gt; disse &lt;st1:verbetes&gt;isso&lt;/st1:verbetes&gt; Ibrahim retirou &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;papel&lt;/st2:dm&gt; do &lt;st1:verbetes&gt;bolso&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes&gt;Esse&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;papel&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;tinha&lt;/st1:verbetes&gt; uma &lt;st1:verbetes&gt;borda&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes&gt;mesmo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;violeta&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes&gt;envelope&lt;/st1:verbetes&gt;, o &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; aborreceu Elena &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;pouco&lt;/st1:verbetes&gt;. A &lt;st1:verbetes&gt;folha&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;era&lt;/st1:verbetes&gt; pautada e &lt;st1:verbetes&gt;tinha&lt;/st1:verbetes&gt; umas &lt;st1:verbetes&gt;coisas&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;escritas&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;garrancho&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;horroroso&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;absolutamente&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;ilegível&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;para&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;qualquer&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt;, excetuando-se &lt;st1:verbetes&gt;talvez&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;próprio&lt;/st2:dm&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- &lt;st2:dm&gt;Pois&lt;/st2:dm&gt; &lt;st2:dm&gt;bem&lt;/st2:dm&gt; Srta. Eluard. Comecemos. - Disse Ibrahim consultando &lt;st1:verbetes&gt;seu&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;papel&lt;/st2:dm&gt; e soando o &lt;st1:verbetes&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;austero&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; conseguia. - O &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; diz a &lt;st1:verbetes&gt;carta&lt;/st1:verbetes&gt;?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- &lt;st1:verbetes&gt;Não&lt;/st1:verbetes&gt; estou &lt;st1:verbetes&gt;certa&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; acredito &lt;st1:verbetes&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;você&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;quando&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;me&lt;/st1:verbetes&gt; diz &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;lhe&lt;/st1:verbetes&gt; revelou o &lt;st1:verbetes&gt;conteúdo&lt;/st1:verbetes&gt; da &lt;st1:verbetes&gt;carta&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Hmmm. Devia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- E de &lt;st1:verbetes&gt;onde&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;você&lt;/st2:dm&gt; o conhece?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Conheço &lt;st1:verbetes&gt;pouco&lt;/st1:verbetes&gt; o Monsieur Errot. Na &lt;st2:dm&gt;verdade&lt;/st2:dm&gt; sou &lt;st1:verbetes&gt;ordenança&lt;/st1:verbetes&gt; da &lt;st2:dm&gt;empresa&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;onde&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;trabalha&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes&gt;Não&lt;/st1:verbetes&gt; recebo &lt;st1:verbetes&gt;por&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;hora&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;razão&lt;/st1:verbetes&gt; essa &lt;st1:verbetes&gt;pela&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;qual&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;eu&lt;/st1:verbetes&gt; preferia &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;nos&lt;/st1:verbetes&gt; apressássemos. &lt;st1:verbetes&gt;Além&lt;/st1:verbetes&gt; disso &lt;st1:verbetes&gt;oficialmente&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;eu&lt;/st1:verbetes&gt; estou tratando de &lt;st1:verbetes&gt;negócios&lt;/st1:verbetes&gt;, e &lt;st1:verbetes&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; dos &lt;st1:verbetes&gt;assuntos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;pessoais &lt;/st1:verbetes&gt;dele, &lt;st1:verbetes&gt;realmente&lt;/st1:verbetes&gt; temos &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:hm&gt;economizar&lt;/st2:hm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;tempo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;aqui&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Tá, ok. - exclamou a &lt;st1:verbetes&gt;moça&lt;/st1:verbetes&gt; irritada. &lt;st1:verbetes&gt;Ele&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;quer&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes&gt;coração&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;volta&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- &lt;st1:verbetes&gt;Perdão&lt;/st1:verbetes&gt;?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Mandou &lt;st2:dm&gt;você&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;aqui&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st3:sinonimos&gt;pra&lt;/st3:sinonimos&gt; &lt;st2:hm&gt;buscar&lt;/st2:hm&gt; o &lt;st1:verbetes&gt;coração&lt;/st1:verbetes&gt; dele de &lt;st1:verbetes&gt;volta&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- &lt;st1:verbetes&gt;Literalmente&lt;/st1:verbetes&gt;, digo, &lt;st1:verbetes&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;miocárdio&lt;/st1:verbetes&gt; e &lt;st1:verbetes&gt;tudo&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;átrios&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;ventrículos&lt;/st1:verbetes&gt;?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- &lt;st1:verbetes&gt;Sim&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;homem&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st2:dm&gt;você&lt;/st2:dm&gt; é &lt;st2:dm&gt;bem&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;lento&lt;/st1:verbetes&gt; né? &lt;st1:verbetes&gt;Nunca&lt;/st1:verbetes&gt; entregou &lt;st1:verbetes&gt;seu&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;coração&lt;/st1:verbetes&gt; a uma &lt;st1:verbetes&gt;mulher&lt;/st1:verbetes&gt;?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- &lt;st1:verbetes&gt;Não&lt;/st1:verbetes&gt; estamos &lt;st1:verbetes&gt;aqui&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st3:sinonimos&gt;pra&lt;/st3:sinonimos&gt; &lt;st2:hdm&gt;falar&lt;/st2:hdm&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;mim&lt;/st1:verbetes&gt;...- Disse ressentidamente &lt;st1:verbetes&gt;enquanto&lt;/st1:verbetes&gt; consultava os &lt;st1:verbetes&gt;garranchos&lt;/st1:verbetes&gt; no &lt;st2:dm&gt;papel&lt;/st2:dm&gt;. - Hmm. &lt;st1:verbetes&gt;Então&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;você&lt;/st2:dm&gt; tem de &lt;st1:verbetes&gt;me&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:hm&gt;dar&lt;/st2:hm&gt; o &lt;st1:verbetes&gt;coração&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st3:sinonimos&gt;pra&lt;/st3:sinonimos&gt; &lt;st1:verbetes&gt;eu&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:hdm&gt;botar&lt;/st2:hdm&gt; na válise e &lt;st2:hm&gt;levar&lt;/st2:hm&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;volta&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;para&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt;, é &lt;st1:verbetes&gt;isso&lt;/st1:verbetes&gt;?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- É. &lt;st1:verbetes&gt;Não&lt;/st1:verbetes&gt; teve a &lt;st1:verbetes&gt;desfaçatez&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st2:hm&gt;vir&lt;/st2:hm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;mesmo&lt;/st1:verbetes&gt; e mandou o &lt;st2:dm&gt;senhor&lt;/st2:dm&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- O &lt;st1:verbetes&gt;fato&lt;/st1:verbetes&gt; é &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;anda&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;ocupado&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes&gt;Mas&lt;/st1:verbetes&gt; satisfaça &lt;st1:verbetes&gt;minha&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;curiosidade&lt;/st1:verbetes&gt; Srta. Eluard, &lt;st1:verbetes&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt; está &lt;st1:verbetes&gt;sem&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;coração&lt;/st1:verbetes&gt;?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- &lt;st1:verbetes&gt;Claro&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes&gt;Ele&lt;/st1:verbetes&gt; tem &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;coração&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;mas&lt;/st1:verbetes&gt; está &lt;st1:verbetes&gt;sob&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;meus&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;cuidados&lt;/st1:verbetes&gt;. Estava. Está. &lt;st1:verbetes&gt;Não&lt;/st1:verbetes&gt; sei &lt;st1:verbetes&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt;...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Devo &lt;st2:hm&gt;supor&lt;/st2:hm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes&gt;seu&lt;/st1:verbetes&gt; está &lt;st1:verbetes&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;também&lt;/st1:verbetes&gt;... - afirmou &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;curioso&lt;/st1:verbetes&gt; Sr. Ibrahim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- ...&lt;st1:verbetes&gt;isso&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; é da &lt;st1:verbetes&gt;sua&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;conta&lt;/st2:dm&gt;. &lt;st1:verbetes&gt;Não&lt;/st1:verbetes&gt; estamos &lt;st1:verbetes&gt;aqui&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st3:sinonimos&gt;pra&lt;/st3:sinonimos&gt; &lt;st2:hm&gt;perder&lt;/st2:hm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;tempo&lt;/st1:verbetes&gt;... - Afirmou a &lt;st1:verbetes&gt;moça&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;sem&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:hm&gt;conseguir&lt;/st2:hm&gt; &lt;st2:hm&gt;disfarçar&lt;/st2:hm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;tom&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st3:sinonimos&gt;resignado&lt;/st3:sinonimos&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- &lt;st1:verbetes&gt;Não&lt;/st1:verbetes&gt; cuidou &lt;st2:dm&gt;bem&lt;/st2:dm&gt; do &lt;st1:verbetes&gt;coração&lt;/st1:verbetes&gt; dele &lt;st1:verbetes&gt;talvez&lt;/st1:verbetes&gt;, do &lt;st1:verbetes&gt;contrário&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; teria &lt;st1:verbetes&gt;me&lt;/st1:verbetes&gt; mand--&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- &lt;st1:verbetes&gt;Não&lt;/st1:verbetes&gt; seja &lt;st1:verbetes&gt;idiota&lt;/st1:verbetes&gt;. - &lt;st1:verbetes&gt;Ela&lt;/st1:verbetes&gt; interrompeu &lt;st1:verbetes&gt;friamente&lt;/st1:verbetes&gt;. - &lt;st1:verbetes&gt;Ela&lt;/st1:verbetes&gt; está &lt;st1:verbetes&gt;intacto&lt;/st1:verbetes&gt; se &lt;st1:verbetes&gt;quer&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:hm&gt;saber&lt;/st2:hm&gt;. Vou &lt;st1:verbetes&gt;lhe&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:hdm&gt;mostrar&lt;/st2:hdm&gt;. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Elena abriu uma &lt;st1:verbetes&gt;gaveta&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;branca&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;por&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;baixo&lt;/st1:verbetes&gt; da &lt;st1:verbetes&gt;mesa&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;forma&lt;/st2:dm&gt; de "L", &lt;st1:verbetes&gt;totalmente&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;imperceptível&lt;/st2:dm&gt; &lt;st2:dm&gt;para&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;alguém&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; procurasse especificamente &lt;st1:verbetes&gt;por&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;ela&lt;/st1:verbetes&gt;. As &lt;st1:verbetes&gt;gavetas&lt;/st1:verbetes&gt; tinham &lt;st1:verbetes&gt;fios&lt;/st1:verbetes&gt;, DVDs, &lt;st1:verbetes&gt;folhas&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st2:dm&gt;papel&lt;/st2:dm&gt; A4 &lt;st1:verbetes&gt;dentre&lt;/st1:verbetes&gt; outras &lt;st1:verbetes&gt;coisas&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;escritório&lt;/st1:verbetes&gt;. Tirou uma &lt;st1:verbetes&gt;gaveta&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;inteira&lt;/st1:verbetes&gt;, apoiou-a no &lt;st1:verbetes&gt;colo&lt;/st1:verbetes&gt; e tirou o &lt;st1:verbetes&gt;tampo&lt;/st1:verbetes&gt;, revelando &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;fundo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;falso&lt;/st1:verbetes&gt;. Tirou de &lt;st1:verbetes&gt;dentro&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;embrulho&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;feito&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;toalhas&lt;/st1:verbetes&gt; coloridas amarradas &lt;st1:verbetes&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;laço&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;fita&lt;/st1:verbetes&gt;. Desamarrou cuidadosamente o &lt;st1:verbetes&gt;laço&lt;/st1:verbetes&gt; e foi tirando &lt;st2:dm&gt;camada&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;por&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;camada&lt;/st2:dm&gt; as finas &lt;st1:verbetes&gt;toalhas&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;artesanais&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes&gt;Um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;cheiro&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;suave&lt;/st2:dm&gt; e &lt;st1:verbetes&gt;agradável&lt;/st1:verbetes&gt; tomou &lt;st2:dm&gt;conta&lt;/st2:dm&gt; do &lt;st2:dm&gt;quarto&lt;/st2:dm&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;como&lt;/st1:verbetes&gt; houvesse uma &lt;st1:verbetes&gt;porção&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;sabonetes&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;dentro&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes&gt;embrulho&lt;/st1:verbetes&gt;; &lt;st1:verbetes&gt;mas&lt;/st1:verbetes&gt; na &lt;st2:dm&gt;verdade&lt;/st2:dm&gt; o &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; Ibrahim viu foi &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;coração&lt;/st1:verbetes&gt; pulsando ritmadamente. O &lt;st1:verbetes&gt;coração&lt;/st1:verbetes&gt; de Monsieur Errot.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-3744162695877349225?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/3744162695877349225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=3744162695877349225' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/3744162695877349225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/3744162695877349225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/10/iii-madrugada-de-merda.html' title='III - Madrugada de merda.'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-6022284868562550559</id><published>2007-09-28T09:54:00.000-03:00</published><updated>2007-09-28T09:59:13.731-03:00</updated><title type='text'>II - Oddity Tower</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;           O &lt;st1:verbetes&gt;homem&lt;/st1:verbetes&gt; meneou &lt;st1:verbetes&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st1:verbetes&gt;cabeça&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;humildemente&lt;/st1:verbetes&gt; - &lt;st1:verbetes&gt;sim&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;senhorita&lt;/st2:dm&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;sim&lt;/st1:verbetes&gt;! - e entrou, &lt;st1:verbetes&gt;todo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;cheio&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;gestos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;humildes&lt;/st1:verbetes&gt;, de &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; desajeito &lt;st1:verbetes&gt;singular&lt;/st1:verbetes&gt;. Elena estava visivelmente transtornada &lt;st2:dm&gt;após&lt;/st2:dm&gt; &lt;st2:hm&gt;ler&lt;/st2:hm&gt; o &lt;st1:verbetes&gt;tal&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;papel&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;violeta&lt;/st1:verbetes&gt;. Mandou o &lt;st1:verbetes&gt;homem&lt;/st1:verbetes&gt; segui-la &lt;st1:verbetes&gt;através&lt;/st1:verbetes&gt; de uma &lt;st1:verbetes&gt;escadaria&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;apertada&lt;/st1:verbetes&gt;. O &lt;st1:verbetes&gt;carpete&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;branco&lt;/st1:verbetes&gt; e as &lt;st1:verbetes&gt;paredes&lt;/st1:verbetes&gt; azul-escuro pareciam &lt;st2:hm&gt;chamar&lt;/st2:hm&gt; a &lt;st1:verbetes&gt;atenção&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes&gt;humilde&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;moço&lt;/st1:verbetes&gt;. Subiram 3 &lt;st1:verbetes&gt;lances&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;escadas&lt;/st1:verbetes&gt;, e as &lt;st1:verbetes&gt;portas&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; janelinhas redondas faziam-no sentir-se &lt;st1:verbetes&gt;dentro&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;navio&lt;/st1:verbetes&gt;. As &lt;st1:verbetes&gt;passadas&lt;/st1:verbetes&gt; barulhentas de Elena contrastavam &lt;st1:verbetes&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes&gt;silêncio&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes&gt;moço&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; a válise na &lt;st1:verbetes&gt;mão&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes&gt;Em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;verdade&lt;/st2:dm&gt; Elena estava &lt;st1:verbetes&gt;era&lt;/st1:verbetes&gt; irritada, a &lt;st2:dm&gt;ponto&lt;/st2:dm&gt; de atirá-lo do &lt;st1:verbetes&gt;alto&lt;/st1:verbetes&gt; das &lt;st1:verbetes&gt;escadas&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st3:sinonimos&gt;pra&lt;/st3:sinonimos&gt; vê-lo se &lt;st2:hm&gt;esborrachar&lt;/st2:hm&gt;. &lt;st1:verbetes&gt;Por&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;instante&lt;/st1:verbetes&gt; pensou &lt;st1:verbetes&gt;talvez&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:hm&gt;cogitar&lt;/st2:hm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;isso&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;mas&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;como&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;religiosa&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;era&lt;/st1:verbetes&gt; atestou &lt;st3:sinonimos&gt;pra&lt;/st3:sinonimos&gt; &lt;st1:verbetes&gt;si&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;mesma&lt;/st1:verbetes&gt; "&lt;st1:verbetes&gt;Deus&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;eu&lt;/st1:verbetes&gt; sou &lt;st1:verbetes&gt;terrível&lt;/st1:verbetes&gt; né?" (Elena acreditava &lt;st2:hdm&gt;ter&lt;/st2:hdm&gt; uma &lt;st1:verbetes&gt;conexão&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;direta&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;Deus&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;razão&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;pela&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;qual&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;raramente&lt;/st1:verbetes&gt; se encontrava falando &lt;st1:verbetes&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;pelos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;cantos&lt;/st1:verbetes&gt;) ao &lt;st1:verbetes&gt;mesmo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;tempo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; alertava o &lt;st1:verbetes&gt;rapaz&lt;/st1:verbetes&gt;: - &lt;st1:verbetes&gt;Não&lt;/st1:verbetes&gt; vá se &lt;st2:hm&gt;machucar&lt;/st2:hm&gt; nas &lt;st1:verbetes&gt;escadas&lt;/st1:verbetes&gt;! - ao &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;prontamente&lt;/st1:verbetes&gt; respondia - &lt;st1:verbetes&gt;obrigado&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;senhorita&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;eu&lt;/st1:verbetes&gt; estou &lt;st2:dm&gt;bem&lt;/st2:dm&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;obrigado&lt;/st1:verbetes&gt;!&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A &lt;st1:verbetes&gt;porta&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes&gt;terceiro&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:hm&gt;andar&lt;/st2:hm&gt; estava &lt;st1:verbetes&gt;aberta&lt;/st1:verbetes&gt;, e &lt;st1:verbetes&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; uma &lt;st1:verbetes&gt;cunha&lt;/st1:verbetes&gt; no &lt;st1:verbetes&gt;calço&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; impedia &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; esta se fechasse. &lt;st1:verbetes&gt;Aparentemente&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;alguém&lt;/st1:verbetes&gt; andou forçando a &lt;st2:dm&gt;maçaneta&lt;/st2:dm&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; se encontrava &lt;st1:verbetes&gt;torta&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes&gt;Ele&lt;/st1:verbetes&gt; notou &lt;st1:verbetes&gt;ainda&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; havia diversas &lt;st1:verbetes&gt;peças&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;roupa&lt;/st1:verbetes&gt; penduradas na &lt;st1:verbetes&gt;porta&lt;/st1:verbetes&gt;; &lt;st2:dm&gt;cuecas&lt;/st2:dm&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;blusas&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;calças&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;saias&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;além&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;peças&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;tão&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;pequenas&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;só&lt;/st1:verbetes&gt; poderiam &lt;st2:hm&gt;pertencer&lt;/st2:hm&gt; a &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;bebê&lt;/st2:dm&gt;. Elena convidou-o &lt;st2:hm&gt;entrar&lt;/st2:hm&gt; no &lt;st2:dm&gt;quarto&lt;/st2:dm&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; na &lt;st2:dm&gt;verdade&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;era&lt;/st1:verbetes&gt; uma &lt;st1:verbetes&gt;espécie&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;escritório&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes&gt;Lá&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;dentro&lt;/st1:verbetes&gt; uma &lt;st1:verbetes&gt;mesa&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;branca&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;forma&lt;/st2:dm&gt; de "L" &lt;st1:verbetes&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;computador&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;tapete&lt;/st2:dm&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;pele&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st2:dm&gt;dois&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;sofás&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st2:dm&gt;dois&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;lugares&lt;/st1:verbetes&gt; separados &lt;st1:verbetes&gt;por&lt;/st1:verbetes&gt; uma &lt;st1:verbetes&gt;estante&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;madeira&lt;/st1:verbetes&gt; apoiada &lt;st1:verbetes&gt;sobre&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;pequeno&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;armário&lt;/st1:verbetes&gt;. Nas &lt;st1:verbetes&gt;prateleiras&lt;/st1:verbetes&gt; havia uma &lt;st1:verbetes&gt;porção&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;livros&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;muitos&lt;/st1:verbetes&gt; deles &lt;st1:verbetes&gt;escrito&lt;/st1:verbetes&gt; nalguma &lt;st1:verbetes&gt;língua&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes&gt;moço&lt;/st1:verbetes&gt; provavelmente desconhecia. &lt;st1:verbetes&gt;Por&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;sobre&lt;/st1:verbetes&gt; os &lt;st1:verbetes&gt;livros&lt;/st1:verbetes&gt; da &lt;st2:dm&gt;prateleira&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;alta&lt;/st1:verbetes&gt; havia uma &lt;st1:verbetes&gt;imagem&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;cesto&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;frutas&lt;/st1:verbetes&gt; cuidadosamente &lt;st1:verbetes&gt;pintado&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;sobre&lt;/st1:verbetes&gt; uma &lt;st1:verbetes&gt;superfície&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;frágil&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;papelão&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;talvez&lt;/st1:verbetes&gt;. As &lt;st1:verbetes&gt;prateleiras&lt;/st1:verbetes&gt; eram fechadas &lt;st1:verbetes&gt;por&lt;/st1:verbetes&gt; uma &lt;st1:verbetes&gt;porta&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st2:hm&gt;correr&lt;/st2:hm&gt; &lt;st2:dm&gt;feita&lt;/st2:dm&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;vidro&lt;/st1:verbetes&gt; e &lt;st1:verbetes&gt;por&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;sobre&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;seu&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;tampo&lt;/st1:verbetes&gt; haviam &lt;st1:verbetes&gt;diversos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;vasos&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;plantas&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;toda&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;sorte&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;cactos&lt;/st1:verbetes&gt; e &lt;st1:verbetes&gt;plantas&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;regiões&lt;/st1:verbetes&gt; áridas. O &lt;st1:verbetes&gt;homem&lt;/st1:verbetes&gt; notou &lt;st1:verbetes&gt;ainda&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;cesto&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st2:dm&gt;papel&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;absolutamente&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st3:sinonimos&gt;abarrotado&lt;/st3:sinonimos&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;embalagens&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;comida&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;casacos&lt;/st1:verbetes&gt; aleatoriamente largados ao &lt;st1:verbetes&gt;chão&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;algo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;dia&lt;/st1:verbetes&gt; teria sido uma &lt;st1:verbetes&gt;estante&lt;/st1:verbetes&gt; de DVD's &lt;st1:verbetes&gt;agora&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;tão&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;somente&lt;/st2:dm&gt; uma &lt;st1:verbetes&gt;pilha&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;embalagens&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;títulos&lt;/st1:verbetes&gt; de western e &lt;st1:verbetes&gt;shows&lt;/st1:verbetes&gt; de rock de &lt;st1:verbetes&gt;artistas&lt;/st1:verbetes&gt; das &lt;st1:verbetes&gt;década&lt;/st1:verbetes&gt; de 80 e 90, &lt;st1:verbetes&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; as &lt;st1:verbetes&gt;caixas&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;abertas&lt;/st1:verbetes&gt; e os &lt;st1:verbetes&gt;discos&lt;/st1:verbetes&gt; espalhados &lt;st2:dm&gt;pelo&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;chão&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O &lt;st2:dm&gt;quarto&lt;/st2:dm&gt; perturbava o &lt;st1:verbetes&gt;homem&lt;/st1:verbetes&gt;. Parecia &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; importava o &lt;st1:verbetes&gt;quando&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt; olhasse &lt;st1:verbetes&gt;nunca&lt;/st1:verbetes&gt; terminaria de &lt;st2:hm&gt;ver&lt;/st2:hm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;tudo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;tinha&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;ali&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;dentro&lt;/st1:verbetes&gt;, todas as &lt;st1:verbetes&gt;impressões&lt;/st1:verbetes&gt; e &lt;st1:verbetes&gt;sensações&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes&gt;lugar&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;poderia&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;lhe&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:hm&gt;oferecer&lt;/st2:hm&gt;. Elena pediu &lt;st1:verbetes&gt;polidamente&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt; se sentasse e se acomodasse. Pensou &lt;st1:verbetes&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; oferecer-lhe &lt;st1:verbetes&gt;algo&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;mas&lt;/st1:verbetes&gt; estava notoriamente contrariada e &lt;st1:verbetes&gt;indisposta&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st2:hm&gt;descer&lt;/st2:hm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;novamente&lt;/st1:verbetes&gt; as &lt;st1:verbetes&gt;escadas&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st3:sinonimos&gt;pra&lt;/st3:sinonimos&gt; buscar-lhe &lt;st1:verbetes&gt;algo&lt;/st1:verbetes&gt; na &lt;st1:verbetes&gt;cozinha&lt;/st1:verbetes&gt;. O &lt;st1:verbetes&gt;dia&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;nem&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;bem&lt;/st2:dm&gt; havia começado e &lt;st1:verbetes&gt;ela&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;já&lt;/st1:verbetes&gt; estava esperando &lt;st1:verbetes&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt; acabar...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-6022284868562550559?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/6022284868562550559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=6022284868562550559' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/6022284868562550559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/6022284868562550559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/09/ii-oddity-tower.html' title='II - Oddity Tower'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-3075630523724718914</id><published>2007-09-27T19:46:00.000-03:00</published><updated>2007-09-28T10:08:29.063-03:00</updated><title type='text'>I - Savile Row</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O homem olha o relógio, pega uma válise de ferro que mais parece uma grande lancheira e sai, não sem antes consultar o mapa colado por sobre as portas: Oxford Circus. Levanta-se e desce do vagão, sobe as escadas rolantes e sai. Desce a Regent Street, dobra à direita na Conduit e em seguida à esquerda e dá de cara na placa: Savile Row. - É aqui - Ele pensa. Vai caminhando a rua, atentando aos detalhes enquanto aparenta buscar um número específico. Passa por uma estação de polícia, diversas lojas fantásticas com sapatos e ternos ridiculamente caros, mas isso parece perder a importância quando ele encontra o prédio com o número 3 na parede.&lt;br /&gt;         Escolhe &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; dos &lt;st1:verbetes&gt;vários&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;botões&lt;/st1:verbetes&gt; da &lt;st1:verbetes&gt;campainha&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;mas&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;escuta&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;resposta&lt;/st1:verbetes&gt;. Dá umas &lt;st1:verbetes&gt;batidas&lt;/st1:verbetes&gt; violentas na &lt;st1:verbetes&gt;porta&lt;/st1:verbetes&gt;, senta-se &lt;st1:verbetes&gt;nos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;degraus&lt;/st1:verbetes&gt; da &lt;st1:verbetes&gt;escada&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;diante&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes&gt;pequeno&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;edifício&lt;/st1:verbetes&gt; e &lt;st2:dm&gt;espera&lt;/st2:dm&gt;. A &lt;st1:verbetes&gt;porta&lt;/st1:verbetes&gt; abre &lt;st1:verbetes&gt;pouco&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;depois&lt;/st1:verbetes&gt;, uma &lt;st1:verbetes&gt;bela&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;moça&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;alta&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;vestido&lt;/st1:verbetes&gt; listrado se &lt;st1:verbetes&gt;mostra&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;diante&lt;/st1:verbetes&gt; dele &lt;st1:verbetes&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;cara&lt;/st2:dm&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;poucos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;amigos&lt;/st1:verbetes&gt;. A &lt;st1:verbetes&gt;compleição&lt;/st1:verbetes&gt; da &lt;st1:verbetes&gt;moça&lt;/st1:verbetes&gt; o surpreende &lt;st1:verbetes&gt;enquanto&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes&gt;homem&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;tenta&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:hm&gt;disfarçar&lt;/st2:hm&gt; a &lt;st1:verbetes&gt;curiosidade&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes&gt;Ele&lt;/st1:verbetes&gt; se levanta, bate &lt;st1:verbetes&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st1:verbetes&gt;mão&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;nos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;fundilhos&lt;/st1:verbetes&gt; da &lt;st1:verbetes&gt;calça&lt;/st1:verbetes&gt; desbotada e pergunta:&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- É a Srta. Elena Éluard?&lt;br /&gt;- &lt;st1:verbetes&gt;Quem&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;deseja&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:hm&gt;saber&lt;/st2:hm&gt;?&lt;br /&gt;- &lt;st1:verbetes&gt;Eu&lt;/st1:verbetes&gt; venho representando os &lt;st1:verbetes&gt;interesses&lt;/st1:verbetes&gt; de Monsieur Errot...&lt;br /&gt;- &lt;st1:verbetes&gt;Isso&lt;/st1:verbetes&gt; é &lt;st1:verbetes&gt;ridículo&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt; vem &lt;st2:hdm&gt;ter&lt;/st2:hdm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;diretamente&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;comigo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;quando&lt;/st1:verbetes&gt; necessitamos &lt;st2:hdm&gt;tratar&lt;/st2:hdm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;algo&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;br /&gt;- Na &lt;st2:dm&gt;verdade&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;eu&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;só&lt;/st1:verbetes&gt; estou fazendo &lt;st1:verbetes&gt;meu&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;trabalho&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;senhorita&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;talvez&lt;/st1:verbetes&gt; se a &lt;st1:verbetes&gt;senhorita&lt;/st1:verbetes&gt; lesse a &lt;st1:verbetes&gt;carta&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;lhe&lt;/st1:verbetes&gt; é endereçada...&lt;br /&gt;- O &lt;st2:dm&gt;senhor&lt;/st2:dm&gt; tem &lt;st1:verbetes&gt;ela&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;aí&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;eu&lt;/st1:verbetes&gt; suponho.&lt;br /&gt;- &lt;st1:verbetes&gt;Sim&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;sim&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;senhorita&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;já&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;lhe&lt;/st1:verbetes&gt; entrego.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Após &lt;st1:hm&gt;dizer&lt;/st1:hm&gt; &lt;st2:verbetes&gt;isso&lt;/st2:verbetes&gt; o &lt;st2:verbetes&gt;homem&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes&gt;passa&lt;/st2:verbetes&gt; a &lt;st2:verbetes&gt;ela&lt;/st2:verbetes&gt; o &lt;st2:verbetes&gt;mais&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes&gt;enfadonho&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes&gt;envelope&lt;/st2:verbetes&gt; de &lt;st2:verbetes&gt;carta&lt;/st2:verbetes&gt; de &lt;st2:verbetes&gt;que&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes&gt;já&lt;/st2:verbetes&gt; se teve &lt;st2:verbetes&gt;notícia&lt;/st2:verbetes&gt;, &lt;st2:verbetes&gt;um&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes&gt;pequeno&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes&gt;envelope&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes&gt;violeta&lt;/st2:verbetes&gt;, &lt;st2:verbetes&gt;todo&lt;/st2:verbetes&gt; estampado de &lt;st2:verbetes&gt;rosas&lt;/st2:verbetes&gt; e outras &lt;st2:verbetes&gt;flores&lt;/st2:verbetes&gt;. Elena, entendendo &lt;st2:verbetes&gt;cada&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes&gt;vez&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes&gt;menos&lt;/st2:verbetes&gt;, abre o &lt;st2:verbetes&gt;envelope&lt;/st2:verbetes&gt;; permanece fitando a &lt;st2:verbetes&gt;mensagem&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes&gt;por&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes&gt;breves&lt;/st2:verbetes&gt; 10 &lt;st2:verbetes&gt;segundos&lt;/st2:verbetes&gt;, &lt;st2:verbetes&gt;suspira&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes&gt;aborrecidamente&lt;/st2:verbetes&gt; e levanta os &lt;st2:verbetes&gt;olhos&lt;/st2:verbetes&gt; pro &lt;st2:verbetes&gt;moço&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes&gt;sem&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st1:hdm&gt;levantar&lt;/st1:hdm&gt; o &lt;st2:verbetes&gt;resto&lt;/st2:verbetes&gt; da &lt;st2:verbetes&gt;cabeça&lt;/st2:verbetes&gt; - queira &lt;st1:hm&gt;entrar&lt;/st1:hm&gt;, &lt;st2:verbetes&gt;por&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st1:dm&gt;favor&lt;/st1:dm&gt;?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;br /&gt; &lt;!--[if !supportLineBreakNewLine]--&gt;&lt;br /&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-3075630523724718914?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/3075630523724718914/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=3075630523724718914' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/3075630523724718914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/3075630523724718914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/09/i-savile-rowolooofsaiolooo.html' title='I - Savile Row'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-581946574947931647</id><published>2007-09-26T00:48:00.000-03:00</published><updated>2007-09-26T01:39:10.351-03:00</updated><title type='text'>Aquele neguinho era foda.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    Dedico esse memento apenas aos felizardos que já tiveram um master system, cujo lema era "é um jogo, mas poderia ser verdade". Aqueles cartuchos pretos e sem graças com o nome do jogo escrito em branco num adesivo vermelho nem de longe tinham comparação com os adesivos coloridassos dos cartuchos do mega-drive. O console sim era alucinante (só o do master system II. O I eu nunca vi e o III era uma bosta). Tinha um esquema cheio de setas mostrando as conexões dos controles, do cabo da antena e do "ADAPTADOR AC", com uma luz verde maneiríssima por cima do "power". O cabo da antena era uma merda, uma caixa de alumínio com uma chave pra selecionar entre "antena" e "tv". Dela saía um fio e na outra extremidade desse fio havia dois dentinhos de ferro em "u", pra você ligar na antena da TV, que fatalmente haveriam de arrebentar com o tempo. Daí você ia desencapar as terminações do fio e enrolar o cobre em volta da porra do pitoco da antena, e toda vez que quisesse tirar o videogame e levar pra outro lugar teria de desenrolar o fio de cobre, o que logicamente haveria de fodê-lo todo. Trocando em miúdos em poucas semanas você não tinha mais o fio, só a caixinha. Era hora de adquirir um novo cabo. Também tive problemas de mal-contato no ADAPTADOR AC, mas nunca cheguei a trocá-lo, virou uma questão de saber a posição correta. As fitas também criavam um transtorno dos diabos, porque com o tempo você tinha de tirar e botar (a fita) várias vezes pra fazê-la funcionar senão o jogo não entrava, e você ia ver a tela inicial do único jogo que vinha na memória do próprio console: ALEX KIDD IN THE MIRACLE WORLD. Óbvio que com o tempo Alex tornava-se um jovenzinho muito irritante e as primeiras notinhas da canção tema emputeciam até o mais beato dos &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(0, 0, 0);"&gt;gamers&lt;/span&gt;. Sem contar as várias vezes em que você simplesmente desistia de fazer a fita funcionar e jogava a porra do ALEX KIDD IN THE MIRACLE WORLD; você desligava o videogame e tentava encaixar a fita mais tortinha pro lado, mais tortinha pro outro, soprava os contatos eletrônicos da fita e do videogame (reabrindo a polêmica do "sua saliva vai enferrujar o chip do cartucho e foder o videogame pra sempre") e por fim você colocava a fita folgada no buraco e dava uma moca de mão fechada pra atochá-la no console. Às vezes funcionava, às vezes não mas quase sempre era irritante. Mas na verdade eu quero falar de um jogo específico, o "California Games (Jogos de Verão)". A fita mais divertida de longe. Primeiro porque até OITO pessoas podiam jogar. Segundo porque você podia escolher o seu patrocinador. O seu patrocinador na verdade não servia pra porra nenhuma. A marca figurava ao lado do seu nome e ocupava a maior parte do seu troféu após as competições. Fora isso nada. Quando eu era criança sempre escolhia a CASIO como minha patrocinadora. Inclusive era uma briga pra ver quem ficaria com a CASIO. Depois vinha a Op - OCEAN PACIFIC, para os surfistas de plantão, empatada com a Kawasaki (pensando bem a Kawasaki era foda também). De resto só escrotice: Nomes como Auzzie, Spin Jammer e Santa Cruz Skateboards, que não me diziam nada quando eu era menino. Tinha um também muito estranho, era uma águia com a bandeira dos EUA, que se chamava RAY-D-O BAXGEAR. Lembro que pronunciava o "radio" certo, mas na segunda palavra eu me enrolava e falava "baixiguér". Gosto de crer que todos falavam "baixiguér também. Terceiro (sim, eu estava contando) porque o jogo apresentava diversas modalidades fantásticas. half-pipe (skate) era a primeira, surfing era a terceira se não me engano. A nota do surfing era feita pela média aritmética das notas dadas por cinco imbecis dentro de um quiosque e um pombo, se não me engano. No meio deles tinha um loirinho, que com certeza era um haole do caralho, que sempre dava a menor nota de todas, te deixando mais longe da média 5.5 necessária para bater o recorde do jogo (que zerava toda vez que você desligava seu MASTER SYSTEM II). Havia também um golfinho que debochava de você quando você tomava uma vaca, um tubarão (que supostamente comia você) e uma ave (que simplesmente passava voando, a mais irritante de todas). Aparentemente todos eles fazia sua nota cair, caso aparecessem na sua vez, dizia a lenda. Era meu favorito, o surfing... A quarta modalidade era skating, uma piranha de patins que tropeçava em toda sorte de obstáculos, areia, cascas de banana, bolões do posto de gasolina, sorvetes. Aliás, as ruas da California são um lixo, imundas no cair da tarde. Essa competidora, devo acrescentar era muito imatura e esperneava horrores com a cara virada pro chão quando eu deixava ela cair. Eu passei anos deixando ela cair com a cara no chão e ela nunca se acostumou. Ela deve ter treinado horrores, mas comigo não tinha essa. Ela ia beijar a lona, azar. Depois vinha o BMX. Divertido que só, com seus high jumps, tabletops, harlie wheelies, 360 turns, frontward backflips e aquela radicalidade toda. Basicamente era só tu não dar mole na hora do backflip se não quebrava o pescoço e não tinha volta... Depois tinha o flying disc. Duas moças num parque jogando frisbee. Pra calibrar o seu arremesso era só coordenar a seta nos parâmetros "speed" e "angle". E para uma criança como eu era mais do que natural achar que speed e angle eram os nomes das moças. Mas a segunda modalidade, essa sim era do balacobaco. FOOT BAG. Yeah, FOOT BAG. Nos outros consoles era um loiro aguado que estudava em Yale fazendo peripécias com uma bola similar à uma de tênis. Mas no MASTER SYSTEM II não. No MASTER SYSTEM II era um tremendo neguinho malemolente. Um neguinho tremendamente foda. Pra alcançar o equilíbrio perfeito pra prática do FOOT BAG mantinha os braços levemente abertos, como se estivesse constantemente na corda bamba. Lembrava o Michael Jackson na época do Thriller e eu só lembro das sequências alucinantes de horseshoes e full axles que eu mandava, emendando com fives in a row e jesters... Aquele neguinho, vou lhes dizer, nunca teve oportunidade. Ele nasceu no Ghetto, for real... Pulou corda ouvindo Public Enemy e Afrika Bambaata, viu sua mãe lavar roupa pra ganhar dinheiro e morava com seis trilhões de irmãos neguinhos. Só tinha um tênis bamba e uma bolinha qualquer, arrojada o bastante pra prática do FOOT BAG. Matou aula pra aprender os segredos, ralou os joelhos, quase foi atropelado atravessando a rua com pressa pra não perder a bolinha. Não foi pra Yale, never went to college. Foi ganhando torneios regionais, primeiro do bairro, depois da cidade, do estado, ganhou o nacional, apareceu em clipes de breakdancing, figurou no filme "Beat Street", comeu a patinadora cai-cai, comeu a Speed e a Angle, a mãe e a irmã do loirinho que joga o FOOT BAG no mega drive e no nintendo. E ainda tinha classe pra acertar com uma cabeçada certeira o Seagull George, um pombo abusado que tentava atrapalhar suas peripécias no certame do FOOT BAG. O MASTER SYSTEM II era o seguinte: Era sim um jogo, que de tão caquético nem fodendo poderia ser verdade. Aqueles braços imotos do neguinho jamais poderiam ser verdade, são a negação da realidade, um flerte com o impossível; imóveis, tortinhos legal mesmo... De uma bacaneza de tão poucos pixels que chega a dar dó. Nem óculos 3D, nem pistola light phaser, nem rapid fire. O apogeu do master foi ele, aquele neguinho era foda mesmo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-581946574947931647?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/581946574947931647/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=581946574947931647' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/581946574947931647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/581946574947931647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/09/aquele-neguinho-era-foda.html' title='Aquele neguinho era foda.'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-4224108538676215835</id><published>2007-09-24T23:34:00.000-03:00</published><updated>2007-09-24T23:37:46.010-03:00</updated><title type='text'>O dia em que um coelho derrubou a Foca.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O futebol brasileiro tá lascado.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;O melhor time do país, há alguns anos, é o São Paulo. Os números confirmam: é o time que mais pontos fez desde o início da era dos pontos corridos. O triunfo da melhor defesa, da retranca – do jogo tático, amarrado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;E o melhor jogador do país, dizem os críticos, é um goleiro. Rogério Ceni. Os números confirmam: é o goleiro que tomou menos gols nesse Brasileiro. Chegou o dia em que o futebol praticado no Brasil tem como seu grande jogador o defensor da meta – aquele encarregado de impedir justamente o que é uma das maiores tônicas do que é (ou era) o futebol brasileiro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;Outro candidato a essa posição seria o Thiago Neves. Um cara que teria características dignas do futebol brasileiro: bons passes, driblador, autor de belos gols. Mas é um jogador que, convenhamos, está muito aquém dos craques que esse país já produziu – eu mesmo, que sou tricolor, admito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;E o último possível merecedor de receber a denominação de “melhor em atividade no país” seria o Dodô. Balança as redes de formas diversas, sempre bonitas; um artilheiro nato. Entretanto, vítima da burocracia e de leis de efetividade duvidosa, foi julgado e condenado por doping, sendo que foi provado que não consumiu deliberadamente a substância detectada. E seu time, o Botafogo, que jogou o futebol mais vistoso do país no primeiro semestre, caiu de produção – devido também às suas próprias falhas, é verdade – mas vítima principalmente dos erros de arbitragem.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;Arbitragem essa que também está em crise desde o escândalo da “máfia do apito”, e rodada após rodada os juízes brasileiros protagonizam pelo menos um lance polêmico. Punições são mal aplicadas, os árbitros são mal preparados, e nada é feito em relação ao assunto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;Mas essa – ladroagem ou má preparação? – não é mérito exclusivo da Comissão de Arbitragem. Os dirigentes também devem receber os louros. Peguemos o Corinthians, por exemplo: o previsível campeão de 2005. Campeão por quê? Por causa da arbitragem e por causa, principalmente, da corrupção de seus dirigentes e da falada parceria com a MSI, que resultou num dos maiores escândalos do futebol esse ano.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;Dentro de campo e fora de campo, os problemas se multiplicam.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;Enquanto isso – no meio disso – o São Paulo continua soberano. Os números confirmam: é o time de melhor aproveitamento do campeonato. Regularidade, constância. Há anos a disputa ficou sem graça: chega-se o momento em que fica fácil determinar o campeão. O futebol ficou previsível, frio. O futebol não é mais alegre. O futebol não é mais a metáfora da vida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;Ou pior: ainda é. A vida é que ficou racional, constante e fria.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;Mas eu? Eu prefiro o futebol arte, o futebol alegre. Quero o Ronaldinho Gaúcho dando balãozinho no cara da Venezuela e comemorando com socos no ar. Quero o Fenômeno se livrando de todos os puxões à sua camisa do Barcelona, driblando o time inteiro do Compostela até o gol. Quero o Robinho pedalando na frente do Rogério na entrada da área. Quero o Dodô imitando o Romário no Pacaembu. Quero o Kerlon fazendo o “drible da foca”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;Mas insistem em banir a alegria do futebol. Com tática, com falta, com juiz, com burocracia, com corrupção, com o que quer que seja.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;Todo mundo acha normal o Coelho parar o cara com uma ombrada no meio do rosto. “Qualquer zagueiro faria isso mesmo”, dizem, ignorando o horror que essa verdade contém. O Luiz Alberto falou que arregaçaria. O Leão falou que, qualquer dia desses, “a foca” vai tomar um soco no meio do rosto e não vai mais jogar futebol.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;No futebol de hoje, o leão e o coelho estão certos. A Foca que está errada. A Foca está sozinha. Esse é o problema.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;Mas eu nem quero que a Foca revide. Eu quero que a Foca passe incólume por um, dois, onze coelhos. E faça o gol – o golaço.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;Porque, se não, o Brasil inteiro tá lascado.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-4224108538676215835?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/4224108538676215835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=4224108538676215835' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/4224108538676215835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/4224108538676215835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/09/o-dia-em-que-um-coelho-derrubou-foca.html' title='O dia em que um coelho derrubou a Foca.'/><author><name>James M. Barrie</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09169923023552484844</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-3468340624601130469</id><published>2007-09-15T13:10:00.000-03:00</published><updated>2007-09-15T13:23:52.427-03:00</updated><title type='text'>Fisiologia da Saudade (ou Sobre a Falibilidade Corporativa)</title><content type='html'>A saudade é uma megacorporação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuja rede se estende (e muito)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em todo o espaço que compreende&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desde os filamentos de ceratina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de meus fios de cabelo esparsos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;até as pontas desgastadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de minhas falanges de metatarso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim os neurônios me conduzem impulsos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que fatalmente hão de ser nervosos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes castigam-me os dendritos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que vão descarregar nos axônios, coitados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que acabam em pandarecos, esses desditosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E toda vez a mesma história&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os impulsos que são transferidos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da cabeça, vão dar no coração que é a sede;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;onde calha de todos, inexoravelmente,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;terem sede da mesma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vez em sempre se perdem no caminho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vão desembocar num estrutura qualquer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vão culminar num movimento sem nexo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salvo as raras ocasiões em que tomam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminho certo, e seguem confiantes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lotados de informações mais que bastantes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para acavalar-me os plexos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A saudade, por seu caráter de empresa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Funciona justamente como todas as outras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ela não temos escolha, e a despeito dos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;serviços mal-prestados, dos corpos e corações&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cansados, e de toda essa burocracia douda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela existe, é real, quase tangível e demais faz mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A título de cautela deixo aqui o seu devir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pro amigo e o desavisado, pra que possam previnir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou quiçá, em verdade, seja só eu a desabafar,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vendo a vida passar sentado sob a sombra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De minha tremenda saudade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-3468340624601130469?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/3468340624601130469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=3468340624601130469' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/3468340624601130469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/3468340624601130469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/09/fisiologia-da-saudade-ou-sobre.html' title='Fisiologia da Saudade (ou Sobre a Falibilidade Corporativa)'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-4593109892736866273</id><published>2007-09-14T00:13:00.001-03:00</published><updated>2007-09-14T00:13:38.590-03:00</updated><title type='text'>Os Brutos do Jardim</title><content type='html'>Eu entendo a sua tristeza e sei que suas mágoas são nossa inspiração para o futuro, o que você cria, porto seguro. Percebo seu chute nas pedras e sei que não vai se ocultar mesmo que suas palavras lhe cortem a carne.&lt;br /&gt;Mesmo quando cansar de fazer tudo por si só, a sua carne seca, e eu já empanturrado de tanto aipim e sexto sentido, junto os nossos pratos para tentar uma bendita combinação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste derradeiro momento nossas misturas vão dar em poesia, e no Jardim é que se anuncia que estamos rompendo com a antiga dança e a nossa mesma alegria. Nos tornamos esnobes a espera dos elogios e do futuro, é a recompensa por andarmos sem rumo.&lt;br /&gt;Ando sempre preguiçoso e você adiante com novos planos, um candango e o outro candente, um de boleia na vida e outro na civilização, nosso momento é ano que vem ou bem depois, hospitaleira amizade daqueles que acham graça por se sentirem melhores consigo mesmo.&lt;br /&gt;Nos bares sua cantoria irradia toda a nossa polifonia e transforma a menina fagueira em cerveja gelada. E quando tu nem tão bem se anuncia, percebo as caras chorando de alegria, bato palmas para você e faz questão de colocar o plural no singular. Não “é nós”, mas sim, eu e você. Sorte minha ter alguém por perto que espia notoriamente a genialidade dos entes simples, que observa numa coisa aspectos diferentes da mesma coisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E até mesmo quando a mistura não cai bem, e de cara amarrada vai cada um para o seu canto, saberemos que quem se une escrevendo não se calará jamais. Quando precisar cansar, estarei disposto, quando precisar parar estarei cansado. Quando precisar dormir, estarei ninado, e se precisar acordar a cama já estará no baú, o irmão mijando sentado e as risadas no vento. Quando precisar de cúmplices, estarei armado, se precisar de um álibi vou preso e se precisar de alegria, por ai vamos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que eu precisava dizer isso para você antes que cortassem as minhas mãos fora e cegassem meus olhos com superbonder.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-4593109892736866273?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/4593109892736866273/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=4593109892736866273' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/4593109892736866273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/4593109892736866273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/09/os-brutos-do-jardim_14.html' title='Os Brutos do Jardim'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-8907182600999051224</id><published>2007-09-13T02:16:00.000-03:00</published><updated>2007-09-13T11:23:57.304-03:00</updated><title type='text'>Assalto</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Quando me afasto de você já declaro minha saudade, &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Na sua ausência sempre acabo morrendo de qualquer coisa e em qualquer segundo percebo o perigo que corro pelas ruas sem sua calma. Porém, quando nos encontramos, você já me toma pelos seus braços da tranqüilidade e eu vou do meu melindrado receio à sua malcriada serenidade. E por mais que entremos em ruelas escuras ou ônibus a pino não haverá perigo. Mesmo que nosso algoz nos encoste a arma no peito, firmando-se na autoridade de ladrão e dispare contra o nosso ânimo, estarei bem quando estou com você.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ao encontro do nosso ordinário sossego, você me beija e seus lábios me convidam a sua moradia levando-me da alheia maldade à sua botoeira. Esqueço por um instante tudo aquilo que é difícil de ver. Exponho ao perigo só aquilo que os meus dedos podem tocar, já adiante posso enxergar, estamos bem.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Seu sorriso me traduz uma sensação de segurança, um sentido de que ao seu lado estou satisfeito e que nada mais importa. Não porque anda armada ou possa me defender, apenas porque se o carrasco voltar e disparar contra o nosso peito e a perda de sangue começar a definhar a vida, estarei feliz. Morrendo ao seu lado nada mais temeria, partiria dessa para uma melhor em paz. Pois minha única apreensão era viver sem você.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-8907182600999051224?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/8907182600999051224/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=8907182600999051224' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/8907182600999051224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/8907182600999051224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/09/assalto.html' title='Assalto'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-9175552653395203020</id><published>2007-09-10T21:23:00.000-03:00</published><updated>2007-09-10T21:37:16.774-03:00</updated><title type='text'>Testemunho do mundo sobre o que faremos hoje</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele vai fechar o olho e contar até 3. Daí abrirá os olhos e ela estará ao seu lado. Assistirão até o fim um filme na TV, já pela metade e daí sairão pra jantar, jantar bem. Provavelmente irão ao Leme. Chegando lá falarão da vida, do Gauguin, do Dali, do amor, do futuro, de tanto faz. Degustarão toda sorte de coisas, Tomarão um champagne. Sem pressa e sem excessos terão sobremesas. Ele irá terminar primeiro e observá-la enquanto come a sua. Pedirão dois cafés. Já bem menos falante ele há de tomá-la pela mão enquanto espera pacientemente o café esfriar. Vez ou outra vai fechar os olhos e pensar nela parada, bem diante dele. Daí abrirá o olho e estará certo. Ela perguntará se ele não vai tomar o café. Ele vai sorrir e tomar tudo dum gole só. O gosto vai estar horroroso. Ele pagará a conta e os dois sairão do restaurate, pesados e leves. Ele acenará para um taxi, que vai levar cerca de 40 segundos até parar diante de ambos. A brisa da orla fará com que a moça sinta frio dentro de seu lindo vestido e encolha seus braços junto ao torso; o que vai automaticamente fazer com que ele a traga junto a seu corpo. Esperarão por 35 segundos, inebriando-se um do cheiro do outro e então o taxi vai chegar. Sem tempo para o motorista dirão a ele tão somento o destino. A moça dormirá com a cabeça no ombro do rapaz. Acordará na porta de casa, vendo o taxi sumir na esquina adiante. Cambaleantes de sono e satisfação se deitarão refestelados pra dormir o sono dos justos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-9175552653395203020?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/9175552653395203020/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=9175552653395203020' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/9175552653395203020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/9175552653395203020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/09/testemunho-do-mundo-sobre-o-que-faremos.html' title='Testemunho do mundo sobre o que faremos hoje'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-914107179516920967</id><published>2007-09-07T20:23:00.000-03:00</published><updated>2007-09-07T20:38:16.897-03:00</updated><title type='text'>Breviário de Vida</title><content type='html'>Haja o dia que meu amor me deixar tudo bem,&lt;br /&gt;Que já está quase tudo acabado&lt;br /&gt;Se o choro esgota, se me seca a fonte,&lt;br /&gt;Vem o sono e me embala deitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto faz toda a felicidade&lt;br /&gt;Como o fazem o bem ou o mal,&lt;br /&gt;Tão distintas veredas que levam a gente,&lt;br /&gt;invariavelmente pro mesmo final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto faz, que essa estrada é tão curta&lt;br /&gt;Termina dum susto, logo mesmo após começar&lt;br /&gt;E o aprendizado da vida culmina numa lágrima,&lt;br /&gt;Que corre rotunda do rosto&lt;br /&gt;De quem sabe que saber é pesar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto faz pro que fica parado, prostrado&lt;br /&gt;E pro que determinado se põe a andar.&lt;br /&gt;Um, o outro e eu, igualmente perdidos na bruma;&lt;br /&gt;Como dentes-de-leão, de um leão velho, voando&lt;br /&gt;lentos ao sabor de um vento alísio&lt;br /&gt;Arrastados por cima a sudoeste de nada&lt;br /&gt;Por baixo a noroeste de coisa alguma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sigo então meu viver sem sossego,&lt;br /&gt;rechaçando a rotina, o normal&lt;br /&gt;Mas tão pouca diferença faz, meu Deus!&lt;br /&gt;Que essa minha vida mal começou,&lt;br /&gt;E já vejo luzindo o final...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-914107179516920967?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/914107179516920967/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=914107179516920967' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/914107179516920967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/914107179516920967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/09/brevirio-de-vida.html' title='Breviário de Vida'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-6404336653064929532</id><published>2007-09-04T00:06:00.000-03:00</published><updated>2007-09-04T00:12:57.581-03:00</updated><title type='text'>Os dois</title><content type='html'>Os corpos que há pouco tempo estavam um por cima do outro agora estavam lado a lado.     &lt;p class="MsoNormal"&gt;Do lado feminino ficou nítida uma expressão de desconforto, enquanto do lado masculino originou-se por si só um certo alívio. Do lado feminino a preocupação após o gozo pontual, do lado masculino a sensação de que o gozo que agira para ambos, seria um remédio para causas impossíveis. O lado masculino mais uma vez equivocava. Do lado feminino sentia-se que algo aconteceria, mas ainda que óbvio, ela não enxergava. Os dois continuaram divagando em silêncio até que interrompe o telefone. Ela se ouriçou, seus pêlos reagiram, levantaram e de prontidão se juntaram aos sentidos acompanhando o desfecho da cena que seria inédita, porém há muito esperada. Era preciso que ele atendesse o telefone para o receio dela tornar-se realidade, tinha a nítida certeza que isso a machucaria. Só dele ouvir a voz, de despojar toda a elegância ao falar com outra como fazia com ela, já a faria vomitar aquilo que ela própria comia, que ela sentia. Convicta que as migalhas bestas que sobravam deste relacionamento poderiam ainda feri-la, que a dor só acaba quando encontra a sua solução final, ainda preferia que ele atendesse a que a ignorasse. Os segundos lentos passavam e ele procurava o telefone, até que achou e atendeu.&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Oi, querida. Tudo bem? – Tou bem sim... - Ainda não, hum-hum, acho que não iremos fazer nada hoje. Eu vou ficar por aqui e depois devemos beber. – Cinema? Tou sem saco, e eu já vi este do Almodóvar, não... não. - Enfim, se quiser beber me ligue mais tarde. - Correto, mandarei o beijo. Beijos, querida. - Eu sei, eu sei...Eu também. Tchau.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;                       &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Colocou o telefone em cima da cabeceira da cama e deitou-se.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Quem ligou?&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Nádia, queria saber o que faríamos. Ela te mandou um beijo.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Ela é muito adorável, deveria tê-la chamado para sair.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Deveria, mas não o fiz. Não tenho muita paciência com ela. Apesar de não me chatear, não me inspira. Sei que é adorável, que gosto dela e vice-versa. Infelizmente, ela não tem me feito sentir mais nada, as pessoas às vezes me cansam, sobretudo as carentes.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Você é carente, Felipe! &lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;- Talvez por isso...&lt;span style=""&gt;                                  &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ele apagou a luz e voltou a deitar, mal fechou os olhos e o telefone voltou a tocar. Desta vez ele não reagiu. Preferiu ficar deitado com ela sem saber quem estava do outro lado, afinal, esse momento de paz é raro. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não vai atender?&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Deve ser a Nádia, deixa tocar...&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;Do lado feminino ela não agüentou de curiosidade, sentou-se na cama entre os lençóis, pegou o celular e por um curto tempo namorou o painel. Foi uma derrota premeditada. Sabendo que se magoaria, por que precisaria continuar? Nenhum dos lados saberia responder esta questão.&lt;br /&gt;Do lado feminino o fato de saber o que aconteceria e não poder evitar, nem ao menos perdoar, causou uma aflição atroz. A curiosidade dela foi ainda mais cruciante, a dor foi intolerável. Para ele, tolerável foi a fúria que a tomou de súbito e, como numa avalanche, o celular foi arremessado. Com uma força estúpida, o aparelho foi de encontro ao peito masculino, que assimilou o golpe e sentou na cama, observando o telefone tocar sem dizer nada.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Atende essa merda!&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Do lado masculino, sem saber dizer que sim e nem que não, emudeceu. Do lado feminino já tinha perdido a razão faz tempo, mas sendo a aposta muito alta, era necessário ver no que daria. Ela avançou sob a cama até o celular e atendeu.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Um momento que ele já vai atender.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ele apenas observou calado e ficou consternado pelo lado feminino dele, mas o lado masculino dela não perdoaria tão fácil.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Felipe, atende, é para você. – Ainda estavam lado a lado em lados opostos, enquanto do outro lado era audível os alôs ao léu.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não vou atender, para com isso, é patético. – Notando que a palavra foi um terrível golpe ao ego da amada.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Graças à esta frase, por um instante tudo se bloqueou, as palavras, os gestos, até que um milagre aconteceu. Todos que eram surdos por um instante voltaram a ouvir, mas infelizmente todos aqueles que falavam ficaram mudos. Enfim, foi apenas um instante e logo a vida voltaria ao seu rumo habitual e a pessoa do outro lado pois fim à ligação.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Ela quer falar com você, não é? Liga para ela, toma essa porra.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Para com isso por favor, você não merece...&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Vai tomar no cu! – Interrompendo e discando o telefone que tinha avistado na bina, mas teve que refazer o caminho pois tinha esquecido o dígito a cobrar. Com isso Felipe investiu pelo colchão, lutou, tomou o telefone da mão dela e desligou.&lt;/p&gt;Os corpos que há pouco tempo estavam lado a lado agora estavam um por cima do outro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-6404336653064929532?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/6404336653064929532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=6404336653064929532' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/6404336653064929532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/6404336653064929532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/09/os-dois.html' title='Os dois'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-4672610857835118093</id><published>2007-08-27T01:07:00.000-03:00</published><updated>2007-08-27T01:51:45.792-03:00</updated><title type='text'>A monodia de um cavalheiro lagalhé</title><content type='html'>Em um segundo está feito, um tiro certeiro&lt;br /&gt;Condena à morte o meu alazão premiado&lt;br /&gt;De tudo meu o mais caro, o que mais amo.&lt;br /&gt;O sangue se esvai lento, coitado&lt;br /&gt;Tenho certeza que vai doer tanto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não devolvo o olhar quando ele me procura&lt;br /&gt;Agoniando, pra saber por que fiz&lt;br /&gt;Busca conforto e socorro em mim,&lt;br /&gt;Que o alimentei, que o fiz forte&lt;br /&gt;Agora vejo-o retorcer no leito.&lt;br /&gt;Inteiro roto, em seu infortúnio de morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E justo agora, diante de sua desdita&lt;br /&gt;Me falta a coragem, logo não lhe conto;&lt;br /&gt;Não fui eu que atirei. Logo vai estar morto.&lt;br /&gt;E pouca ou nenhuma diferença haveria de fazer&lt;br /&gt;Pro infeliz caso soubesse de fato, no fechar&lt;br /&gt;Das cortinas do último ato, o que eu mesmo&lt;br /&gt;Nunca pude entender:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi você que me lê o autor do disparo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-4672610857835118093?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/4672610857835118093/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=4672610857835118093' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/4672610857835118093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/4672610857835118093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/08/monodia-de-um-cavalheiro-lagalh.html' title='A monodia de um cavalheiro lagalhé'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-7856032263994333949</id><published>2007-08-08T02:22:00.000-03:00</published><updated>2007-08-08T02:54:49.944-03:00</updated><title type='text'>Despertar</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;No chacoalhar do ônibus, voltava para casa bêbado do desgosto que a noite tinha me trazido, felizmente a bebida não tinha me causado nenhum mal-estar. Apenas uma pequena letargia que deixava o mundo em câmera lenta. Vislumbrei pela janela um céu belamente indeciso. Era a recompensa de um último dissabor mostrando que tudo é uma ilusão: nada é, tudo está sendo. Tudo que se vê foi tudo que se viu, tudo que se foi. Voltei ao céu para contemplar a sua indecisão entre o ocaso e o amanhecer, entre a boca da noite e o raio do dia. Pude reparar que ele estava num tom de lilás antes da manhã conhecer o azul como ele é. O mar funcionava como um espelho refletindo o lilás do céu, as estrelas e a Lua que aos poucos apagava. A Baía da Guanabara testemunhava o fim de noite mais belo. Como num profundo silêncio, nem mesmo a maré ousava interromper com suas oscilações, criando entre o céu e o mar uma sinergia incrível. As primeiras fumaças de nuvem chegavam como num jardim fugaz e o alaranjado no horizonte iluminava os prédios mais brancos. Tudo mudava de cor numa velocidade insensata reclamando o mundo como ele é: efêmero. Cada piscar de olhos era uma estrela que morria, um desejo a menos, era mais uma noite. Enquanto a cortina da madrugada fechava, apagavam-se os refletores e o amarelo tomava o dia. Raiava o sol, sacolejava o ônibus, sacolejava o meu corpo, ela sacolejou o meu corpo e eu acordei, era um sonho bom...&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Felipe, acorda. – Um beijo na bochecha. – Estou indo...&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não, fica. – Sonolento, com uma voz suave, rola na cama e puxa a coberta.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Estou ficando por ficar, dia após dia, e não tem sinal nenhum de melhora. Receio não ter nem mesmo algo para falar...&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Abri os olhos com uma certa dificuldade,saí do sono bem vagarosamente e de maneira deliciosa, como um gato ao espreguiçar.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Felipe, é preciso colocar o chão nos pés.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- E você sempre dizendo que nunca iria me abandonar.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- E você sempre dizendo que o mundo e suas configurações mudam o tempo todo.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Eu sonhei com você, sabia? Estava tudo lilás quando te encontrei...&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Felipe, não deixe tudo mais difícil que já está, foi uma ilusão, nada mais.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Que insensatez, é preciso por os pés no chão. Sempre ficamos bem, nos gostamos, desde aquele dia em que o seu sorriso engoliu o mundo.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Querido, tudo o que você vê foi tudo que se viu, tudo que se foi...&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Com isso ela se levantou da cama onde estava sentada apoiando o seu sorriso sob meu rosto, colocou o seu chapéu de sol e saiu pela porta.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;A cortina do dia se abria e o sol raiava pelo quando invadindo a cama. O meu corpo aquecia, o calor aquecia meu corpo e eu acordei, era um sonho bom...&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Eu sonhei com você...&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Outra vez, meu bem?&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Foi um sonho bom, você me sacolejava, me beijava, tudo para me despertar.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Entendo.... – Fez uma longa pausa, respirou fundo - Estou de partida, Felipe.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;A perda tomou conta de mim, fiquei descompassado, falando por falar, sem respirar.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não, por favor fica eu amo você, os planos, os dias, as noites, os bares, os filhos, os cachorros, as abelhas, seus sinais, e por todas as coisas possíveis de amar, não vá...&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Já conversamos isso tantas vezes e sabemos que é o mais inteligente para nós dois. Não é fácil para mim, o filme acabou, a sessão já foi, o ingresso esgotou, a lanterna apagou e com ela todas as coisas possíveis de amar, até...&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não é a nossa inteligência, mas a nossa capacidade de amar que define o que somos. – Argumenta.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não é o nosso amor, mas a nossa capacidade de sentir que define o que somos. – Ela sentencia.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- É preciso colocar o chão nos pés, não adianta partir pelo dia sem rumo. – De sobressalto ele levanta – Fica!&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Vou partir meu bem, você sabe...Aqui já não é meu lugar, eu já saí de você, nosso amor acabou, foi uma ilusão, foi um sonho bom. Não quero te perder. Mas talvez precise te perder para me sentir melhor e para você se sentir melhor.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Dormir é bom, mas despertar dói...&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Já passamos por isso antes querido, tudo que se viu foi tudo que se vê, tudo que se foi.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Com isso, caí de joelhos em chão duro enquanto conjugava o amor numa só silaba tônica. Impassível, ela se despediu.&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;A cortina se fechava, a boca da noite engolia o dia, a luz se apagava, os astros se ascenderam, eu corri, estava suado, a noite brilhava, meu corpo brilhava, o seu canto brilhava e eu acordei com a sua voz...&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;i style=""&gt;- &lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Era uma ilusão no interior de uma outra ilusão, maior...”&lt;/span&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;– Ela cantava para eu despertar.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Era um sonho bom... – Disse ainda de olhos fechados.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Como foi, meu bem? – Com um sorriso de engolir o mundo.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não importa, sonhei com você e foi exatamente como naquela música, lembra? &lt;i style="font-style: italic;"&gt;“Você foi pro Sol, noite me envolveu num silêncio igual ao seu. E então o seu canto veio me acordar”&lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;.&lt;/span&gt; – Sorriu, encolhido na cama. &lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Que lindo, querido... – Considerou tudo, pensou sobre e deixou pra lá. – Vamos, já está na hora, não vamos nos atrasar.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não desta vez, querida... Já está mais que na hora de acordar, me beija e diga que está tudo bem...&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Um beijo e a certeza que tudo ficará bem.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-7856032263994333949?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/7856032263994333949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=7856032263994333949' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/7856032263994333949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/7856032263994333949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/08/despertar.html' title='Despertar'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-8822738379137126323</id><published>2007-08-04T04:07:00.000-03:00</published><updated>2007-08-04T04:15:41.606-03:00</updated><title type='text'>O lado vazio do sofá.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;A porta estava aberta.&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;E ele, barba por fazer, cabelo despenteado, olheiras fundas, estava sentado em um sofá vermelho – sentado bem no canto, deixando um grande espaço vazio ao seu lado. Vestia um paletó preto e sóbrio, claramente castigado pelo tempo, e uma gravata igualmente preta, sem adornos. A camisa branca estava suja. Os sapatos, caídos no chão.&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;A porta estava aberta – era como se alguém tivesse acabado de sair.&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Acendeu um cigarro na esperança de um pouco de alívio. Deu tragadas apressadas porque o cigarro não é suficiente, o ar não é suficiente, a vida não é suficiente. É tudo pequeno demais, acaba rápido demais, indo embora na fumaça, evaporando, se esvaindo.&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Entrava um vento cinicamente suave pela porta aberta.&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;A meia-luz do abajur cheio de adornos incidia sobre a cabeceira. Um copo de whisky, com três pedras de gelo. Meio vazio. Ele soltava baforadas enquanto fingia pra si mesmo que essa cena pateticamente boêmia valia mais a pena do que estar lá fora, procurando uma resposta. Melhor ficar com a ilusão de que as coisas se resolveriam com a fumaça pouco densa do cigarro.&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;A janela estava fechada – por segurança –, e as cortinas impediam a visão da rua. Mas, ainda assim, ouvia-se o barulho da vida acontecendo na noite do lado de lá do vidro.&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Ele estava de pé ao lado da estante; olhava sua coleção de CD’s. Sentia nos lábios o gosto da nicotina. Ele não sabia se gostava dessa sensação. Essa coisa de tossir pra limpar os pulmões, pra então conseguir falar; essa coisa de puxar mais ar do que existia à sua volta. Escolheu um CD e colocou-o no som. “Eu que não amo você” soou pela sala.&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;A porta continuava aberta. Engraçado como aquele vazio emoldurado pelo portal parecia encará-lo.&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;O cigarro diminuía rápido em sua boca. Começou a apalpar os bolsos à procura do maço. O maço estava vazio. Preocupado, procurou em sua roupa por algum cigarro perdido; olhou nas almofadas em volta, levantou o pano de bordados complexos sobre a cabeceira, foi até a cozinha, checou o balcão, as prateleiras, a mesinha, até o forno; ao não encontrar nada, voltou e sentou-se, agoniado.&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Olhou o vazio da porta.&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Um vazio que – refletiu ele, quando resolveu vasculhar debaixo do tapete pra ver se achava o cotoco perdido de algum cigarro fumado na madrugada anterior – um vazio que, no fim das contas, enche mais do que o coração pleno e a certeza inabalável de quem não sabe o que é essa sensação de perda. De quem sempre deita no centro da cama, sempre senta no centro do sofá; de quem não sabe o que é aquele espaço vago, justamente por nunca ter tido nada nem ninguém para ocupá-lo.&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;O barulho da rua sumira. O CD havia acabado.&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;O silêncio se abateu e ele se deu conta de que, embaixo do tapete, só havia cinzas. Levantou-se e fez menção de pegar o cigarro fumado pela metade que colocara cuidadosamente sobre o cinzeiro, para que não apagasse. Mas o cigarro havia apagado.&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Só sobraram as cinzas embaixo do tapete e a fumaça pouco densa. O gelo derretido no fundo do copo. O silêncio ressonante após o fim da música. A manhã cinza se anunciava lá fora, mas ainda era noite do lado de cá do vidro.&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;O vazio, a solidão e o silêncio nunca se haviam feito tão presentes. Era como se, de repente, eles tivessem resolvido bater mais forte no peito. Ele se sentou no canto esquerdo do sofá e levou as mãos à cabeça. Sem vergonha e com vontade, começou a chorar.&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Foi então que a luz do alvorecer entrou meio tímida pela fresta da cortina e veio incidir sobre o chão perto da estante. E ali, jogado em meio à poeira, estava o cigarro. Ele correu naquela direção, recolheu o cigarro, acendeu-o com o isqueiro e tragou profundamente. Relaxou.&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Foi andando calmamente em direção à porta. Fechou-a sem fazer barulho. Deu outra tragada profunda. Voltou ao sofá e sentou-se no centro, sem deixar muito espaço nem à direita, nem à esquerda. Tirou o cigarro da boca e olhou-o com ternura.&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;“O cigarro”, pensou ele, “é o amor do novo milênio”.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-8822738379137126323?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/8822738379137126323/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=8822738379137126323' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/8822738379137126323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/8822738379137126323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/08/o-lado-vazio-do-sof.html' title='O lado vazio do sofá.'/><author><name>James M. Barrie</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09169923023552484844</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-5037854648308383276</id><published>2007-07-23T00:09:00.000-03:00</published><updated>2007-07-23T00:11:05.217-03:00</updated><title type='text'>Antes de mais nada...</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Volta... e faça o tempo regredir, crie no meu peito um afago para a saudade que é onipresente. Crie entre os dois lados qualquer coisa mais inteligente que uma ponte, não faça um caminho para nos unir, nos una por um caminho só. Faça comigo a conspiração dos amantes na cumplicidade dos eternos, respire o ar de quem sobrevive com amor em terras tão tristes e vazias de solidão. Vá, corra, volte. E quando voltar pela segunda vez faça o tempo regredir, crie no meu peito um afago para a saudade que é onipresente. Crie entre os dois lados qualquer coisa mais inteligente que uma ponte, não faça um caminho para nos unir, nos una por um caminho só. Volta... e faça o tempo regredir ...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-5037854648308383276?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/5037854648308383276/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=5037854648308383276' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/5037854648308383276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/5037854648308383276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/07/antes-de-mais-nada.html' title='Antes de mais nada...'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-979353015215247892</id><published>2007-07-15T22:50:00.000-03:00</published><updated>2007-07-15T22:52:55.251-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Certo dia, em um vilarejo distante, oito crianças brincavam de queimado. Daí a mãe de uma delas chamou o filho para jantar e sobraram sete. Como nenhum time ia ficar com um elemento a mais e como ninguém queria sair, a brincadeira acabou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-979353015215247892?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/979353015215247892/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=979353015215247892' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/979353015215247892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/979353015215247892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/07/certo-dia-em-um-vilarejo-distante-oito.html' title=''/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-877155830349674278</id><published>2007-07-08T01:30:00.000-03:00</published><updated>2007-07-08T01:51:35.775-03:00</updated><title type='text'>A mola que impede que a Cuca funda</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Metafisicamente falando poder-se-ia afirmar que há no interior de nossas cabeças um dispositivo que responde por "a mola que impede que a cuca funda". Tal era a constatação que o homem fizera na semana anterior, pela manhã. Fora semana de muito estresse, estava abarrotado de preocupações e andava tão genuínamente indiposto que lhe parecia paradoxal a forma como se sentia exortado a enfrentar todos os dias que insistiam em nascer, quase que por implicância com a vida.&lt;br /&gt; Não é que ele andasse por aí a vomitar querelas, muito pelo contrário, andava com soberba tal e portava-se de modo que parecia até que havia acabado de tomar uma injeção de brio; mas sob uma segunda análise qualquer um perceberia seu olhar cansado, mirando o absolutamente nada. Esse estava sempre opaco, salvo por momentos breves em que o semblante resfolegava e o olho brilhava de novo, mas nesses momentos ele estava em outros lugares, perdido noutros dias que, quer já tivessem passado quer não tivessem chegado ainda definitivamente não eram o hoje, o agora.&lt;br /&gt; Trabalhava em turnos muito estranhos e seus amigos sempre ficavam com a impressão de que o rapaz montava sua agenda de forma que os compromissos acabassem sempre inconciliáveis. Por vezes simplesmente aparecia na faculdade, no último quarto de hora da penúltima aula, entrava na sala respirando pesado (ele sempre respirava pesado embora nunca tivesse sido visto correndo, daí sentava-se sem se importar com os comentários que sua chegada suscitava, jogava a mochila por sobre a mesa e dobrava-se como uma concha por um instantes, pra abrir um livro qualquer que tratasse de um tema qualquer que não a aula) e após 10 minutos lá dentro dizia aos amigos - olha só a hora, eu preciso ir... - e levantava-se de novo e ia embora sem dar satisfação, sem fazer sentido. Simplesmente botava os fones de ouvido e ia embora.&lt;br /&gt; Quantos aos fones de ouvido não se sabia por certo se o sujeito funcionava sem eles, ele só os tirava pra falar, quando os tirava (geralmente tirava só o da orelha direita, sempre o da orelha direita). A verdade é que ele simplesmente tornara-se incapaz de andar pelas ruas sem ouvir música. Volta e meia era visto trocando as pilhas do aparelhinho e guardando a usada dentro de uma caixa cinza. É que ele passava muito tempo dentro de ônibus e vans e toda sorte de coletivos, e só de olhar pra ele já dava pra perceber que não sentia lá muita vontade de conversar com os outros na rua. As paisagens eram muito repetitivas e com as pessoas era a mesma coisa.&lt;br /&gt; A música lhe atribuia à vida o caráter de filme, essa era a grande verdade. Era como uma trilha sonora e ele conseguia se sentir o protagonista, era sua própria personagem favorita. Certamente era dali que tirava força pra fazer todo esse monte de coisa que nem eu nem vocês sabemos o que era ao certo. Sentia-se terrivelmente bem quando entrava no elevador abarrotado da faculdade e, sem ser notado observava os ponteiros do elevador indicando o andar - um, dois, três ... - enquanto o fone jorrava miríades de frequências dentro do seu canal auditivo. Ninguém o notava, ele via todos e não escutava ninguém, só a música o dizia. Seus olhos eram genuinamente lentes, feitos de vidro - ele pensava. Mais um pouco e enxergaria em widescreen.&lt;br /&gt; Mas como eu ia dizendo, na manhã da semana anterior ele ajustou seu despertador e deitou-se, pronto pra dormir mal. Olhou as paredes de seu quarto e pensou que elas eram horrorosas. Apagou a luz, deitou-se, jogando o braço direito por baixo do travesseiro, buscando o mesmo conforto à curto prazo que o faria acordar doído. Revirou-se diversas vezes durante a noite e como de costume acordou assustado olhando as paredes pra entender o lugar onde estava e contar os dedos da mão direita. Ele nunca sabia onde estava quando acordava, e embora sempre dormisse em seu quarto morria de medo de acordar em outro lugar, da mesma forma que morria de medo de perder os dedos da mão, e sempre acordava com a mão e o braço direito dormentes, pois invariavelmente dormia por cima deles. Daí contava os dedos da mão pra ter certeza que estavam os cinco lá, depois contava de novo pra ter certeza de que o sono não tinha lhe feito errar a contagem. Daí balbuciava um nome de mulher, apertava o travesseiro com força como estivesse abraçando alguém, ajeitava-se e pegava no sono de novo.&lt;br /&gt; Porém naquela manhã da semana passada o despertador tocou mais alto. Talvez estivesse sonhando aos atropelos, talvez simplesmente tivesse dormido muito pouco nos últimos dias, ou talvez estivesse vivendo demais, querendo demais, fazendo e planejando e tramando demais. O fato é que quando o despertador tocou, às quatro e meia da manhã, ele acordou no sobressalto, e não soube onde estava, os dedos não estavam lá, as paredes giravam e ele sentia vontade de chorar. Sentiu-se desmanchando, o mundo desvanecendo numa espiral e os sentidos todos ficando turvos até virarem todos um fardo, uma merda qualquer pra lá de desconfortável. A altura e a intensidade do despertador variavam como latejassem dentro da cabeça do coitado e ele sentiu como estivesse sendo açoitado por uma chuva de marretas e bigornas, lançadas do céu por anjos debochados que berravam toda sorte de impropérios lá de cima, todos devidamente salvos. Toda aquela opressão exógena estava fazendo com que se sentisse forçado contra seu próprio centro de gravidade, como se fosse sumir dentro de si mesmo. E foi aí, que num instante dolorosamente arrastado ele viu. Olhava o interior de sua própria cabeça, e enxergou-a, quase esclerosando, como um dinamômetro forçado ao limite. A mola.&lt;br /&gt; Quando estava certo de que ela ia arrebentar tudo voltou ao lugar, a mola comprimiu-se de um susto, e num gesto hipócrita o mundo deixou de oprimir o infeliz, como que afirmando "eu? mas eu não fiz nada!". Levantou-se, tomou banho e saiu. Não adianta dar meia-volta quando não se sabe pra onde está indo.&lt;br /&gt; A mola quase arrebentou-lhe a cabeça, mas isso foi semana passada e ainda hoje estamos aqui; eu, você e ele.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-877155830349674278?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/877155830349674278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=877155830349674278' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/877155830349674278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/877155830349674278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/07/mola-que-impede-que-cuca-funda.html' title='A mola que impede que a Cuca funda'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-6715532980174007546</id><published>2007-07-05T09:04:00.000-03:00</published><updated>2007-07-05T09:14:39.668-03:00</updated><title type='text'>Abro as cortinas para ti que eu não te escondo de ninguém</title><content type='html'>Vejam só esse rapaz&lt;br /&gt;Anda se rasgando em versos&lt;br /&gt;Reescrevendo-se em verdade&lt;br /&gt;Mas que verdade são essas?&lt;br /&gt;Não importa.&lt;br /&gt;Aprendeu a respeitar as suas&lt;br /&gt;Anda sendo tudo aquilo que gostaria&lt;br /&gt;Aprendendo a ser um&lt;br /&gt;Mas dividindo e dividindo-se&lt;br /&gt;Em quartas partes?&lt;br /&gt;Eu não sei&lt;br /&gt;Mas eu mesma já nem sei&lt;br /&gt;De quantas partes por dentro sou dele&lt;br /&gt;De sorrisos, abraços e laços&lt;br /&gt;Vejam só ele&lt;br /&gt;Anda mesmo é sendo valente&lt;br /&gt;Pegando de dentro e olhando de frente&lt;br /&gt;Transformando confusão em filosofia&lt;br /&gt;Se envaidecendo&lt;br /&gt;Deixando o que ama por amar&lt;br /&gt;Ousando em dizer verdades&lt;br /&gt;Às avessas&lt;br /&gt;Usando a vida em versos&lt;br /&gt;Rasgando gêneros&lt;br /&gt;E eu daqui o vejo&lt;br /&gt;Deitado no divã de si mesmo&lt;br /&gt;E daqui eu digo&lt;br /&gt;Vai meu amigo&lt;br /&gt;E não se preocupa&lt;br /&gt;Não faça das certezas tuas dúvidas.&lt;br /&gt;Seja. Que o que vier, eu já amo em ti.&lt;br /&gt;Acalma tua busca&lt;br /&gt;E sossegue tuas duvidas&lt;br /&gt;E vai no mundo...&lt;br /&gt;Sem medo&lt;br /&gt;Que ele é menor que ti&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-6715532980174007546?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/6715532980174007546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=6715532980174007546' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/6715532980174007546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/6715532980174007546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/07/abro-as-cortinas-para-ti-que-eu-no-te.html' title='Abro as cortinas para ti que eu não te escondo de ninguém'/><author><name>Miss Jane</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05812097842134408993</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-253699688876725011</id><published>2007-07-01T22:00:00.000-03:00</published><updated>2007-07-01T22:05:00.441-03:00</updated><title type='text'>Conspiração</title><content type='html'>Poderia ter sido Emilio Santiago ou Toni Garrido,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Poderia ter sido apenas o aipim,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Poderia ter sido o dinheiro gasto com o táxi,&lt;br /&gt;Poderia ter sido animação tediosa do "Lost in Snow",&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Poderia ter sido a comida sem graça vegetariana,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Poderia ter sido a derrota fulminante no pinball,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Poderia ter sido o cansaço da chegado do metrô,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Poderia ter sido a língua queimada no fundi,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Poderia ter sido a cara de cu do parabéns,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Poderia ter sido a virada da noite sonâmbula,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Poderia ter sido uma triste despedida&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas era na verdade...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;                        &lt;p class="MsoNormal"&gt;Leila Pinheiro e Nana Caymmi,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Era também a carne seca,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;A velocidade do mundo ao nosso favor,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;A parábola do Kafka a nos realizar,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;O delicioso sanduíche de cheddar,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;A vitória na corrida de carro,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;A satisfação por ter sido bem breve a ausência,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;O divino chocolate com frutas,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Os incríveis músicos a tocar para você,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;A noite passada no colo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;E a felicidade que tudo isso ainda irá se repetir, e quem sabe a vida seja ainda mais improvável e tudo se torne melhor do que já é.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-253699688876725011?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/253699688876725011/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=253699688876725011' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/253699688876725011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/253699688876725011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/07/conspirao.html' title='Conspiração'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-6073233998648143970</id><published>2007-06-23T17:31:00.000-03:00</published><updated>2007-06-23T17:38:26.167-03:00</updated><title type='text'>Segunda Chance</title><content type='html'>Fazia um ano que tinha acontecido, pelo menos foi assim que eu fiquei sabendo.&lt;br /&gt;Eles estavam fazendo um churrasco em casa, e convidaram alguns vizinhos e amigos próximos.&lt;br /&gt;Ela estava namorando um rapaz, mas o pai não aprovava muito o namoro. O namorado havia ido embora alguns minutos antes do pai chegar, para que não houvesse briga.&lt;br /&gt;Ela deitou-se para tirar um cochilo. Tinha problemas respiratórios.&lt;br /&gt;Três homens naquele dia entraram na casa, e foram para o fundo, sem serem percebidos. Eles queriam entrar pela janela do quarto do fundo para roubar alguma coisa, sem chamar a atenção.&lt;br /&gt;Ela acordou de surpresa quando dois deles estavam no quarto dela. Um estava com uma faca, e enfiou-a no pescoço da garota antes que ela pudesse gritar.&lt;br /&gt;Eles voltaram para fora e saíram correndo. Foi assim que quem estava na casa percebeu a presença deles. Uma outra moça vizinha vinha pelo corredor externo e topou com eles vindo em direção contrária. O que estava com a faca a golpeou também. Os três fugiram. As duas morreram.&lt;br /&gt;Nesse momento qualquer discórdia que havia desapareceu. O pai ficou arrasado.&lt;br /&gt;Mas isso já havia acontecido a um ano.&lt;br /&gt;Então a minha mãe me chamou para ir num churrasco que iria acontecer na casa do vizinho. Ele estava meio aborrecido, pois a filha estava namorando um rapaz, e ele não aprovava o namoro. Ela havia mandado o rapaz embora uns minutos antes do pai chegar para que não houvesse briga.&lt;br /&gt;Então eu percebi que aquela história trágica que supostamente havia acontecido a um ano iria acontecer naquele dia.&lt;br /&gt;E o que eu faço agora com o que eu sei?&lt;br /&gt;Ou eu deixo que esse destino se cumpra, ou eu mudo o destino. Eu poderia evitar que duas pessoas morressem.&lt;br /&gt;Então eu vou para o quarto onde ela dorme. E fico na janela, a uma certa distância. E eu flagro o momento em que o primeiro ladrão coloca as mãos na janela. Ele não era o que estava armado, e corre. Os outros vão atrás dele.&lt;br /&gt;Então corro para a porta da cozinha, onde do lado de fora não muito longe eles iriam encontrar a outra garota. Pego uma vassoura, e acerto as pernas do que carregava a faca, antes que ele chegasse na garota. E digo para ela correr. Ela percebe na hora o que acontece e obedece. Os ladrões fogem, todos da casa ficam alarmados.&lt;br /&gt;Ninguém se feriu, felizmente.&lt;br /&gt;Ninguém saberá nada sobre isso. Não há o que contar.&lt;br /&gt;O futuro volta a ser desconhecido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-6073233998648143970?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/6073233998648143970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=6073233998648143970' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/6073233998648143970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/6073233998648143970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/06/segunda-chance.html' title='Segunda Chance'/><author><name>Rinoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14199996507076775001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-5650487644852005647</id><published>2007-06-21T19:25:00.000-03:00</published><updated>2007-06-21T19:34:38.727-03:00</updated><title type='text'>A solidão late alto</title><content type='html'>&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;- Você tem medo de cachorro?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Que bom.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Que bom o quê? Ele é grande?&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Sim.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Morde?&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não gente...&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Felipe fez sinal insistentemente para o ônibus parar, ela riu de maneira agradável, afinal, não era necessária tanta ênfase, pois aquele era o ponto final. Ele, no momento, ponderou em perguntar o motivo do riso, não o fez, preferiu fingir que entendeu. O ônibus parou de sacolejar, passaram pelos três derradeiros degraus, saltaram, depois o meio-fio, o sinal e finalmente a rua que levava à casa dele. A rua estava escura, pouco movimento, isso fez com que ela caminhasse apreensiva exigindo que ele a acalmasse com palavras tranqüilizadoras até chegar ao portão de ferro. Subiram as escadas até o segundo andar e quando se detiveram na porta, ela perguntou.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Qual o nome dele?&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Brendan.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela riu, agora de modo escandaloso.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Deu a ele nome de gente?&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Sim, achou ruim?&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não, mas é esquisito.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Hum... é Brendan Fraser .&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mais uma gargalhada, o sensor do corredor apaga a luz, a do vizinho acende visível pela fresta da porta, o trinco geme desmanchando o segredo, a porta abre e resta apenas o silêncio. Ela ficou ansiosa, ele ficou cabisbaixo, durante um tempo que ninguém sabe ao certo quanto foi, nenhum cachorro apareceu.&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Vai ver sua irmã o levou para passear, viu, nem precisava se preocupar. – Disse ela rompendo o silêncio. – Podemos ir para o bar agora, vamos?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ele entrou e jogou o paletó por cima da mesa, enquanto ela entrou devagar e repousou os ombros no portal da minúscula ante-sala.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Ok! Só preciso de um banho – Dirigiu-se para o banheiro&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Tudo bem – Ela sentou no sofá.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fechou a porta e sentou-se em cima da tampa da privada enquanto olhava para o seu próprio corpo, levantou-se, foi até a sala.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Querida, se você quiser tem refrigerante, cerveja, queijo, requeijão, presunto na geladeira, tem biscoito e pão no armário, e no bar tem vinho. Sirva-se do que quiser.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Riu – Quanta coisa! Obrigado.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ele voltou ao banheiro e começou a tirar as peças das roupas, ela se dirigiu até a porta e falou através dela.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Agora eu entendi seu malandro – disse ela aos berros – Você queria mesmo é me trazer para sua casa né, tem cachorro nenhum, que esperto!&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não é iss... – ela interrompeu – Tá bom Felipe.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Felipe ouviu os passos dela se afastando, ele entrou no Box, ligou o chuveiro, deixando logo de uma vez a água cair por completo no seu corpo, ficou um tempo pensando e soprando a água que insistia entrar em sua boca. Sabia que não teria cachorro nenhum, ele já tinha morrido, mas ainda sim era memória viva e não tinha se acostumado a viver sem este amor, sem ele. O viu pela primeira vez ele atirado no asfalto, todo machucado, com as patas feridas, o corpo manchado, enrolado aos farrapos e dormindo aos gemidos como quem tivesse pesadelos. Felipe lembrou que &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;o pegou no colo com cuidado e levou para casa, e este sempre foi de uma lealdade incrível, mesmo que o seu dono nunca cobrasse, uma amizade que se perdera pelos limites da vida e mesmo assim, a fidelidade prometida no início permanecia no peito. O cachorro ficou cada vez mais humano e Felipe cada vez mais cachorro... Acabou o banho, foi para o quarto, botou uma música e foi se arrumar..&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Com a demora, ela levantou do sofá, abriu a porta que estava entreaberta e deparou com ele sentado em cima do móvel acabando de colocar a meia.&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Que foi?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Nada querida, tava apenas ouvindo música,&lt;span style="color:red;"&gt; &lt;/span&gt;que horas são?&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Quase dez horas... – A música interrompe as palavras, entrando a canção mais alta que a voz dela.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;“&lt;i style=""&gt;Você é o que resiste ao desespero e à solidão/ nada existe o tempo é triste/ sem você/ meu amor, meu amor”&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ele abaixa o som.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- São 10 horas. – Ela sorriu com a delicadeza da música.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Tá tarde. Aonde vamos?&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;- Tava pensando em ir naquele bar &lt;st1:personname productid="em Santa Tereza."&gt;em Santa Tereza.&lt;/st1:personname&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Poxa, lá é ruim de subir. – &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Tem van que saí lá no bar do Gomes, deixa na porta...&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não quero ir lá.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Então, vamos à Lapa?&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não gosto da Lapa.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Podemos ir por aqui, o que acha?&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não quero, acho que quero ficar em casa. – Ele disse quase que sem jeito.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela fechou a cara, afinal era para terem saído muito antes, mas vieram levar o cachorro para passear. Ela ponderou em insistir, achava que isso não adiantaria, então apelou para outra tática.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Porra, Felipe! Tá de sacanagem? Eu poderia ter saído antes, poderia ter ido ao bar com meus amigos, poxa sacanagem, vamos lá agora...&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- São 10 horas querida, tá cedo, chama alguém para sair. - Forçou um sorriso.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Quem? Quem vai sair essa hora, todos já saíram.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Chama seus amigos, algum vai querer.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sem alternativa, ela foi até a sala, pegou o celular e fingiu aumentando o tom de voz que falava com um amigo, simulou uma recusa e volta para o quarto. Quando chega, ele já está de pijama e deitado.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Meus amigos não querem sair...&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Desculpa, eu não deveria ter te chamado, desculpa.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Felipe você tá brincando, né? – ele nada respondeu – Poxa, estou te chamando a semana toda e quando você aceita, deita aí com essa cara de triste, eu gosto de você, ficamos muito tempo separados, me dê uma chance, vamos lá?&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Felipe ficou mudo enquanto ela insistia, depois ela cansou, foi até a sala, ligou a TV, voltou – Depois lhe devolvo a chave – disse, pegou a chave da porta e do portão e foi embora. Felipe não esboçou nenhuma reação, ele apenas ouviu o barulho do segredo desmanchando, depois o trinco da porta, o portão e ficou deitado. Durante um tempo tudo ficou mudo, depois ouviu o portão abrindo, o segredo desmanchando e o trinco fechando. Ela deitou ao lado dele enquanto ele chorava miúdo, ela não se moveu, apenas velou todo o choro. Com o tempo foi acalmando, cessando, até o pranto dar lugar a voz baixinha.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Vamos sair, tou com vontade.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ele se arrumou e foram ao bar, beberam diversas cervejas e comeram pastéis, ele pediu um de carne seca, ela de palmito, depois ele pediu um de chocolate com morango. Ele brincou com as crianças em volta que acabaram com todas as balas dela, ele pagou a conta, fez um afago no animal da mesa ao lado, chamou um táxi para a casa. Ela pensou em fazer menção que teria que ir embora para ele convidá-la, mas ele não o fez, então ela se calou e entrou no apartamento sem menção alguma. Eles deitaram, ela tomou coragem e o beijou, ele retribuiu, ela virou-se de costas, ele a tocou com a ponta dos dedos, depois disso colocou a chave no segredo enquanto ele se desmanchava todo e finalmente adormeceram junto com a música.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;“&lt;i style=""&gt;Nunca te ausentes de mim/ para que eu viva em paz/ para que eu não sofra mais/ tanta mágoa assim, num mundo sem você...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-5650487644852005647?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/5650487644852005647/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=5650487644852005647' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/5650487644852005647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/5650487644852005647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/06/solido-late-alto.html' title='A solidão late alto'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-9094385291143849321</id><published>2007-06-18T23:28:00.000-03:00</published><updated>2007-06-18T23:36:10.153-03:00</updated><title type='text'>Esse eu curti</title><content type='html'>O cabelo ajeitado de um gesto. Bonitão.&lt;br /&gt;O blaser jogado por sobre um ombro. Bonitão.&lt;br /&gt;Sorrindo pras raparigas na rua. Bonitão.&lt;br /&gt;Pro Bonitão é mole.&lt;br /&gt;A calça que veste na marca certinho. Bonitão.&lt;br /&gt;Uma barba bagunçado-maneira. Bonitão.&lt;br /&gt;Despojado sentar na cadeira.&lt;br /&gt;Vá se foder, Bonitão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bonitão tá tomando um Whisky,&lt;br /&gt;Foi na rua de samba-canção;&lt;br /&gt;Bonitão tá fazendo exercício,&lt;br /&gt;Bonitão tá prendendo ladrão.&lt;br /&gt;Al Pacino Bonitão (o cara é foda).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querer ser Bonitão é tristeza&lt;br /&gt;Pro coitado fadado a bufão&lt;br /&gt;Sorte a nossa que a tal da beleza&lt;br /&gt;Tá no olhar do que vê o Bonitão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mundo vasto mundo, mais vasto é o meu coração.&lt;br /&gt;Mas o mundo inda é vasto (e vago) o bastante&lt;br /&gt;Para haver quem me vê Bonitão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-9094385291143849321?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/9094385291143849321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=9094385291143849321' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/9094385291143849321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/9094385291143849321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/06/esse-eu-curti.html' title='Esse eu curti'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-3721909565277767712</id><published>2007-06-16T11:33:00.000-03:00</published><updated>2007-06-16T15:14:04.577-03:00</updated><title type='text'>Satisfação (e uma contradição discreta)</title><content type='html'>I.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, essa saudade sem fim que me acomete, meu bem!&lt;br /&gt;E eu que me pus a testar a mim, saudoso nato&lt;br /&gt;Mas esse hiato é antes digestão que um castigo,&lt;br /&gt;tenho sempre fome de ti, mas tava farto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atente, foi e é livre, não é minha!&lt;br /&gt;E quando o for será por opção. Sentar-me-ei à tua mesa,&lt;br /&gt;lenço no pescoço, garfo e faca na mão,&lt;br /&gt;Trazê-lo-à em reluzente bandeja prateada&lt;br /&gt;e sem cerimônia devorarei teu coração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E será livre ainda! Amando,&lt;br /&gt;e bebendo amor por opção&lt;br /&gt;mesmo que dona do meu amor não&lt;br /&gt;Poderá negá-lo, renegá-lo e relegá-lo&lt;br /&gt;Mas nunca fazer secar sua fonte febril&lt;br /&gt;não, não é essa tua atribuição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E me recosto no sofá quando penso,&lt;br /&gt;não preciso te convencer do que já sabe&lt;br /&gt;A mim não cabe ser esquecido ou superado&lt;br /&gt;Por isso digo que se acalme meu coração&lt;br /&gt;hoje descompassado, mas acostumado a palpitar&lt;br /&gt;em toda sorte de compassos compostos.&lt;br /&gt;Não estou cansado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda que estivesse, pouca importância teria&lt;br /&gt;Que quando me calo, da goela cansada&lt;br /&gt;o pulmão já túrgido de tantos suspiros;&lt;br /&gt;o amor sem cerimônia me toma emprestada a boca&lt;br /&gt;e lhe fala&lt;br /&gt;Para que não dê alento à tua tristeza&lt;br /&gt;E quando à beira do abismo&lt;br /&gt;que insista e encare a vida, sob meus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E penso em como te sente lá no fundo,&lt;br /&gt;a boca seca e o coração acelerado&lt;br /&gt;condenada a guardar pra si a boa-nova:&lt;br /&gt;eis a dona do maior amor do mundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sejamos fortes enquanto disseco&lt;br /&gt;essa novidade, ainda enquanto ela está viva&lt;br /&gt;Ainda que muito te doa, como fosse a morte;&lt;br /&gt;à segunda análise descobrirá que isso&lt;br /&gt;é em seu cerne a vida, em sua essência sorte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que seja leve, e de um cenho manso&lt;br /&gt;Seja nada cansaço, seja tudo descanso&lt;br /&gt;Por seu caráter de chama, que ilumine&lt;br /&gt;e tremule, e mesmo que eterna somente enquanto tremular&lt;br /&gt;proponho por fim que, num gesto solene a Vinícius&lt;br /&gt;provemos meu ponto ao mundo&lt;br /&gt;e não deixemo-la nunca apagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que aí eu canto aos poetas que no amor eu pude tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-3721909565277767712?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/3721909565277767712/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=3721909565277767712' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/3721909565277767712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/3721909565277767712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/06/satisfao-e-uma-contradio-sutil.html' title='Satisfação (e uma contradição discreta)'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-3796420813723995711</id><published>2007-06-15T00:05:00.000-03:00</published><updated>2007-06-18T23:02:04.615-03:00</updated><title type='text'>Sete Destinos</title><content type='html'>Se a verdade - fantasmas que crio&lt;br /&gt;Sopra alto e me salva ao cair&lt;br /&gt;Quando os passos marcados à frente&lt;br /&gt;Giram a estrada e confundem o seguir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o medo que toca gelado&lt;br /&gt;Do pequeno passado sem fé&lt;br /&gt;Faz dos ossos que quebrem parados&lt;br /&gt;E desmonto caído de pé&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão revolto de mar, terra e fogo&lt;br /&gt;Corro certo dos lados de cá&lt;br /&gt;Tão fugido de sete destinos&lt;br /&gt;Qual meu lado devo eu abraçar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico só, encontrado no outro&lt;br /&gt;Num olhar que me foge e não vê&lt;br /&gt;Me existo suspenso do corpo&lt;br /&gt;Não sou nada e sem sonhos pra ser&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-3796420813723995711?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/3796420813723995711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=3796420813723995711' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/3796420813723995711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/3796420813723995711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/06/sete-destinos.html' title='Sete Destinos'/><author><name>Coelhuu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10640747142542860496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_4lhg-Ix4oqc/S8u83E3diEI/AAAAAAAAAD0/WbMLvQCn_Ak/S220/n701471314_1272131_8356.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-5890257670722958677</id><published>2007-06-13T23:09:00.000-03:00</published><updated>2007-06-14T01:12:28.907-03:00</updated><title type='text'>Um Casal Admirável</title><content type='html'>Quando desertei da vida você foi a única parte que sobrou de todo o resto, quando eu ignorei o dia-a-dia, quando deixei de multiplicar por quantidade e dividi pela qualidade. Quando deixei de viver a acasos e sortes para ser senhor de minha própria vida. Quando comecei a controlar tudo que eu realmente sabia, quando construí minha pequena filosofia e quando enfim me tornei tudo que sou. Quando fiz isso, e por fim eu consegui tudo . . . desertei outra vez, e você foi a única parte que sobrou novamente. E sempre foi a única parte de mim que eu aceitei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando despertou para a vida eu era a única parte que tinha, e começou a conquistar todo o resto, viajou para longe, conheceu outros lugares, outras pessoas, multiplicou-se e botou suas partes à venda em todas as regiões que quis conquistar, conquistou. Tinha uma beleza sagaz, e tudo mais que eu lhe transmiti, construiu em volta de si sua própria cidade, seus próprios costumes e quando cansou e despediu-se da vida, eu fui a única parte de você que te aceitou.    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tudo que pude perceber é que no nosso último jantar já tínhamos ultrapassado tudo ao nosso redor, todas as barreiras que nossos laços estreitos propuseram, todos os abraços que nossos laços desataram, e sobrou o silêncio do jantar. Notei que comia o feijão como se pudesse me imaginar queixando-se dele, e eu nem sentia o gosto, sentia tristeza por ser apenas comida que digeria com você. Já você, lamentava, pois era apenas uma mesa, pratos, uma sala, armários... como se fosse um aquário sujo aquilo que vivíamos e víamos, como se não pudesse enxergar nada através do lodo.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu nunca consegui ser livre de você desde o momento que suas unhas penetraram o meu coração, sabia que era questão de tempo para ele sangrar, aceitei, e nunca quis me livrar de você, pois era a única parte de mim que se manteria intacto nas mudanças e rugas da vida. A única parte de mim que eu realmente amava, mesmo quando me ignorei, quando me deixei, quando tive outras, quando te insultei, quando me retratei, quando me recriei, em todos os momentos era sempre você a única parte de mim que eu aceitei.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu não tenho mais nada de novo para te contar, nada a lhe mostrar que possa te interessar. Você sugou tudo que eu lhe ensinei e te mostrei, usou em seu próprio benefício, criou sua própria personalidade através de tudo que tirou de mim, do amor, do dinheiro, de tudo que subtraiu para si. Tudo que conseguiu foi outros lugares, bares, outras camas, outros livros, e por fim sugou-se e subtraiu-se. Sentia-se em plena liberdade quando me machucava, quando saía de casa sem hora para voltar e trazia consigo cheiro de outros homens, sem ao menos tomar banho, sem ao menos se lamentar pelo cheiro do álcool, sentia-se livre ao me ver acabado, sem força para te abandonar, sem me abandonar, em todos os momentos era sempre eu a única parte de você que te aceitou.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Com o tempo ficamos juntos em corpo sem alma, aceitando um ou outro, sem melodia ou palavrão. E você começou a considerar a nossa distância, sua real liberdade, quando notou que estávamos fora do alcance, que estava ressentido e que olhava para você sem te olhar, apenas para descansar o pensar.&lt;br /&gt;Depois de ter conseguido tudo o que queria, que era tudo muito fácil, descobriu que ainda continuava frustrada. Come feijão como uma pessoa frustrada, assisti TV como uma pessoa assim, perdura ao longo do dia e da tarde embaixo do lençol de modo tão frustrado e acomodado que não tem nem gosto suas lágrimas, nem tem forças para lacrimar. Passa dias, desarrumada, passa dias suja e drogada, passa dias desajeitada e distraída.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu estava descansando quando te olhei após o jantar e vi o quanto era linda distraída, quanto era linda desajeitada, drogada, depressiva, frustrada... Levantei, lavei meu prato meio desconcertado com a descoberta do que já tinha por sabido. Caminhei pela sala, peguei a carteira, deixei um dinheiro em cima do piano, trouxe comigo os cigarros e me dirigi até a porta. Pus a chave da fechadura e por meus ouvidos penetraram a melodia, meu tato aguçou e meu coração já estava para lá de sereno quando eu ouvi a sua voz de modo ressabiado, melhor, de modo assobiado.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Felipe... – com uma ponta de dor ela interrompeu o silêncio, me virei para ela.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Estava de saída, o que quer? Deixei o dinheiro no piano. – Suspirei torcendo para ser outro motivo do chamado, como sempre torcia. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Eu tenho algo para dizer.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Eu também tenho – Saindo sem querer, sufocado pelas palavras.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- O que é? O que tem a dizer? - Ela se interpôs, insegura.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Diga você primeiro, a minha é coisa rápida – desconversei.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Eu na verdade, queria falar sobre..., queria poder falar sobre eu e você. Sobre esses dias, queria... – fez uma pausa grande – Eu não tenho nada a dizer – triste.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Sei... – Destranquei a porta e abri lentamente.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Para onde estava indo? O que estava indo fazer? &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não sei, não vou fazer nada, não sei de nada....&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Vamos ao cinema? – Disse de uma maneira espontânea.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não sei...&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Vamos? – Convidou&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não quero ir num cinema, não quero fazer algo, quero apenas sair.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Posso ir com você? Talvez eu consiga falar, talvez você consiga algo para fazermos.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Pensei, não sei se queria. Não sei se vivia isso tudo de novo. Parei, pensei, e talvez eu devesse...&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Se arrume. – disse quase que baixinho.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Vamos! Deixa eu me arrumar, tomar um banho, não vou demorar, eu só preciso... – E foi correndo falando coisas que a pressa não me deixou entender.&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sentei no banco do piano, olhei para o vazio da sala enquanto ouvia o barulho no quarto. Ela voltou e fiquei observando.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- O que foi? – Disse colocando o casaco, ela ainda se mantivera linda por esses anos.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Olhei para ela, apenas para descansar o pensar, fiquei tranqüilo pois sabia que éramos as únicas peças nas nossas vidas que se encaixaram.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-5890257670722958677?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/5890257670722958677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=5890257670722958677' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/5890257670722958677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/5890257670722958677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/06/um-casal-admirvel.html' title='Um Casal Admirável'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-9071819338418176396</id><published>2007-06-11T00:17:00.000-03:00</published><updated>2007-06-11T00:18:02.477-03:00</updated><title type='text'>Vá que dá, vá que dê...</title><content type='html'>Diz-se dele que haveria de ser força quando fosse fraca&lt;br /&gt;De ser oxigênio enquanto fosse chama&lt;br /&gt;De ser silêncio se ela fosse cansaço&lt;br /&gt;De ser deitado se ela fosse cama&lt;br /&gt;De ser vigilante quando estivesse solta&lt;br /&gt;De ser a chave quando fosse cadeado&lt;br /&gt;De ser a camisa quando estivesse louca&lt;br /&gt;De juntar os cacos ao encontrar quebrado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de falar sem ser ouvido, de lutar sem seu cavalo&lt;br /&gt;De orientar mesmo perdido e acertar mesmo que errado;&lt;br /&gt;Sofrer da perna menor que o passo, multiplicar o pão e peixe;&lt;br /&gt;Ressucitar no primeiro dia, sem nem ser crucificado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz-se dele que foi rindo. Sabe Deus que fim levou...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-9071819338418176396?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/9071819338418176396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=9071819338418176396' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/9071819338418176396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/9071819338418176396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/06/v-que-d-v-que-d_11.html' title='Vá que dá, vá que dê...'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-2833247723334545845</id><published>2007-06-05T22:07:00.000-03:00</published><updated>2007-06-09T01:23:17.847-03:00</updated><title type='text'>Inverno</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje estive pensando (e quando não estou?) que minha estação favorita sempre foi o inverno, desde pequeno. Sempre preferi o frio ao calor, o calor sempre me irritou, o frio sempre me pareceu mais digno. Todos mais bonitos, melhor vestidos, uma melancolia agradável no cair da tarde. Mas só agora, hoje talvez, percebi porque sempre gostei mais do inverno. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O inverno pra mim, mais que qualquer coisa sempre foi a premissa de algo maravilhoso. Passei alguns deles apaixonado de forma pueril, vivendo do "e se fosse". Sentia estar sempre a um passo da felicidade mais sublime do mundo e sabia que era não mais que uma centelha faltando ali pra acender tudo, pra tudo se encaixar de forma mística, como fosse a vida um filme com final feliz. A centelha não veio, nunca, mas nem por isso deixo de esperá-la toda vez que a época chega. E todo ano o inverno me castiga, de frio e ausência. Todo ano ele me joga na cara a alegria dos casais na rua, o desperdício de vida que é dormir só noite após noite. A vida sempre me foi muy generosa, eu admito. Se fizesse agora um rápido retrospecto me daria conta de que sou marcado por toda sorte de fortuna e bem-aventuranças. Mas o amor não. Esse joga pesado sabe Deus por quê. Acho que o frio deixa ele impiedoso, mas pouco importa que não é tanta a diferença que faz. Sei que ele me olha de rabo-de-olho nas outras estações também, como quem não quer ser notado. Mas eu noto, que a gente nota tudo quando é só. Pensar e notar é o que os sós fazem, até onde pude perceber. E a memória nunca me falha quando o outono chega, com pompa de arauto da solitude, apregoando o 12 de junho aos quatro ventos, pra que o só fuja pra debaixo da coberta, pra que os casais fujam pra debaixo da coberta. Ele antecipa que é chegado o momento de ouvir as mesmas músicas, sentir as mesmas dores e afogar-se na mesma complacência morna de quem só tem a si mesmo. Para os inertes é hora de esperar o milagre que não tem porque chegar. Para os amargurados é hora de embriagar-se e ter com a sarjeta. Para os leves e cegos é hora de botar o casaco e fazer exatamente o que se faz todo dia. Já para mim é hora de fazer doutra forma.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não vou sangrar de machucado velho, os castigos do inverno não me derrubam mais. Eles doem, mas agora eu escolho olhar prele com a firmeza de quem teme não sentir mais dor, de quem prefere morrer a viver uma vida em tons de cinza. E ele vai me açoitar com frio, com lágrimas geladas caídas de nuvens carrancudas, com relâmpagos e trovões estrondosos e não vai adiantar absolutamente nada, porque foi-se o tempo em que cabia me dobrar diante do escuro, foi-se o tempo de chorar do que não foi e não haveria de ter sido. Foi-se o tempo de ser espectador da vida e de estender amor a estranhos que vão relegá-lo às traças na manhã seguinte. O inverno vai chegar e vou olhar gravemente diante de seus olhos e lhe dizer gentilmente que cesse seu esforço, e que torne a ser só a parte que me cabe, a premissa de qualquer coisa de maravilhoso; pra que eu possa enfim torná-lo em certeza e prestar honras àquelas minhas memórias de menino só. Daí volto aqui e lhes digo como fazem no inverno os que amam e dividem o prato, a conta, o teto e o coração...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-2833247723334545845?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/2833247723334545845/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=2833247723334545845' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/2833247723334545845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/2833247723334545845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/06/inverno.html' title='Inverno'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-4336864337578209020</id><published>2007-06-03T16:21:00.000-03:00</published><updated>2007-06-03T16:24:07.469-03:00</updated><title type='text'>Joana</title><content type='html'>Fosse eu um milhão de portas&lt;br /&gt;Eu necessitaria escolher&lt;br /&gt;Pra cada um que me cruzasse o caminho&lt;br /&gt;As que abria e deixava fechadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só veriam em mim se eu quisesse&lt;br /&gt;Não mostrava o defeito, o revés.&lt;br /&gt;E daí eu torcia bem quieto&lt;br /&gt;Que se fosse um milhão de portas&lt;br /&gt;Nem ao menos uma delas&lt;br /&gt;Eu dava conta de trancá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se eu fosse lá essas portas&lt;br /&gt;E você fosse bem o que é&lt;br /&gt;Estariam-nas todas abertas&lt;br /&gt;Pra que entrasse quando bem quisesse&lt;br /&gt;E tão cedo quanto entrasse&lt;br /&gt;A felicidade proposta tivesse&lt;br /&gt;E se eu fosse eu mais as portas&lt;br /&gt;Eu bem que espiava da fresta&lt;br /&gt;Pra saber qual seria a resposta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se o mundo é bem como penso&lt;br /&gt;E tão injustos a correr os dias&lt;br /&gt;Tenho por certo, não hesitaria,&lt;br /&gt;Retribuiria, lhes daria as costas.&lt;br /&gt;E fechá-las-ia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-4336864337578209020?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/4336864337578209020/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=4336864337578209020' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/4336864337578209020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/4336864337578209020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/06/joana.html' title='Joana'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-6678527960712087944</id><published>2007-05-28T10:22:00.000-03:00</published><updated>2007-05-28T10:26:17.607-03:00</updated><title type='text'>Do Alto da Torre</title><content type='html'>Existem diversos casais combalidos que para se saírem bem precisam mais de uma vez brigar, e outras tantas vezes se arrasarem com palavras cunhadas especialmente para magoar.&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Existem casais insensíveis que precisam de pouco em vez chorar a desgraça dos tapas e pontapés. Tais fazem sexo como animais abomináveis que são, e comem, comem, e vomitam, vomitam. Esses violarão a transa dos mortais, e farão sexo sobre a pálida face da morte.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Os casais inseguros vivem em cárcere privado para serem detentos de algo, e se prendem uns aos outros, por pura destruição do tempo.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Os casais comuns sentem prazer na ferida aberta, e jogam sal no machucado alheio para sangrar, mostrando assim que é real e que tem domínio sobre o outro ser.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Os casais diários não são amantes e vivem do convívio do esquecer, do convívio do prazer egoísta.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Os tolos rogam aos 4 ventos, 7 mares, 9 luas, que amam mais que o infinito e o eterno são capazes de imaginar, mas quando sua própria natureza é traída e precisam confrontar sua moral, abandonam o relacionamento como se fosse fácil desmaterializar o amor.&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;Desgraçados amam abraçados, e transforma prazer em gratidão, paixão em escravidão.&lt;br /&gt;Amam a pureza imaculada que não existe, e fazem tronos de reis que nunca reinaram de verdade.&lt;/p&gt;              &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tem os hipócritas que amam a ilusão que criarão um do outro, e vivem de mentiras e falsas juras, como se fosse o amor um dia possível de prometer.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;E existe eu e você, que somos o casal do que nos convém o dia-a-dia, somos o casal de nada, e nada nos pertence, nem mesmo um ao outro. Estamos juntos apenas por uma paixão que cresce sem remédio para parar. Sobre nós não versa o tempo, ele passa e nós não. Sobre nós não versa a traição, ela vem, traímos com aptidão e ela vai, nós não. Sobre nós pesa qualquer leveza, e nos faz atravessar as pontes mais sombrias como quem pisasse em terras abençoadas.&lt;br /&gt;Sobre nossa noite vela a mais bela lua e as mais belas estrelas, do chão mais frio e da pedra mais pontiaguda. Sobre a luz negra, e o silêncio da madruga, há sim uma cegueira, e neste momento corre nua atrás de mim, e não me acha, e chora em desgraça, e chora de medo, rezar para não ter perdido nossa cumplicidade, reza para não ter sido a maior decepção da galáxia, teme por em algum momento eu ter faltado com a sinceridade, teme por sua paixão ser uma simples ilusão e gasta tanta energia temendo que não percebe que eu te assisto de cima da torre.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Quando nota corre sob os degraus apressada, e no alto da torre me abraça como se qualquer momento fosse o último, como se tudo entre nós fosse efêmero como são quase tudo na vida, me beija sem razão, pelo meu corpo sem nexo, chora, ri, e ignora. Me olha e sabe que nem mesmo o tempo leva. Cria com sua sabedoria dos inocentes a espada dos amantes, e sobre o alento do meu corpo forja no meu coração tantas vezes forjados por amores combalidos, insensíveis, inseguros, comuns, diários, tolos, hipócritas, desgraçados, forja desta vez um amor apaixonado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu caio de joelhos e num décimo de segundo todos os amores passam por mim como se fossem apenas perfumes, o cheiro deles expira junto com a saudade. Ao te ver suja e suada da correria nua pelas as escadarias da torre imunda, admiro-te com sinceridade e digo:&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Acho que me apaixonei por você está noite.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Você sorri e neste lindo e gigantesco sorriso, acaba por engolir a mim e o mundo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-6678527960712087944?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/6678527960712087944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=6678527960712087944' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/6678527960712087944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/6678527960712087944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/05/do-alto-da-torre.html' title='Do Alto da Torre'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-5493489667308172373</id><published>2007-05-24T01:01:00.000-03:00</published><updated>2007-05-24T01:04:07.002-03:00</updated><title type='text'>Desde que meu bem se foi por aquela porta</title><content type='html'>As plantas morreram dos vasos&lt;br /&gt;Os prisioneiros morreram das celas&lt;br /&gt;Os motoristas largaram dos carros&lt;br /&gt;E cada anjinho largou sua capela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai em casa esqueceu do serviço&lt;br /&gt;e seus filhos não foram à escola&lt;br /&gt;O juiz que esqueceu-se do apito&lt;br /&gt;riu dos times jogando sem bola&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as cores quentes foram ter com parentes&lt;br /&gt;E seus distantes relógios que reclamam cansaço&lt;br /&gt;E com os leões de outrora orgulhosos&lt;br /&gt;Que hoje comem capim e ostentam fracasso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora todo dia eu choro crepúsculo&lt;br /&gt;E o céu cinzento chora por sobre a aurora,&lt;br /&gt;mas só vi quando saiu pela porta, meu bem&lt;br /&gt;Que não é de hoje que o mundo chora&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-5493489667308172373?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/5493489667308172373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=5493489667308172373' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/5493489667308172373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/5493489667308172373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/05/desde-que-meu-bem-se-foi-por-aquela.html' title='Desde que meu bem se foi por aquela porta'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-929144475822068038</id><published>2007-05-23T12:07:00.000-03:00</published><updated>2007-05-23T12:21:41.194-03:00</updated><title type='text'>Enviando...</title><content type='html'>(Quero dizer antes que está é a 102 postagem do blog, todos estão de parabéns por este mais de 1 ano de blog, todos os escritores contribuíram muito para o nosso blog, obrigado. Gostaria de agradecer também aos escritores que não mais estão com a gente e seus nomes não constam no painel, mas seus textos ainda estão no blog, nos meses anteriores, podem conferir. Estou feliz com o Jardim, obrigado mais uma vez a todos. Não posso me esquecer também dos leitores fiéis deste Jardim (sem trocadilho com o filme) sendo sempre um excelente incentivo escrever mais e mais, sabendo que tem gente que lê, gosta, ri, chora, se emociona, comenta e participa de toda está construção. O Jardim é de todos, então podem continuar admirar ele, o nosso, um abraço.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                            (***)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música e o pensamento voam de acordo com o que está sendo escrito no papel, com desleixo e ao ritmo, as frases vão sendo construída sem nexo ou precisão, sem importância, é escrito com pressa e desatenção. E este ritmo só é quebrando quando mais alto que o sonâmbulo pensamento e entre o silêncio de uma música e outra, uma mensagem de celular rompe e quebra o acordo do escritor com seus escritos. Ele pega e lê a mensagem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;“Ufa! Você não será o pai do meu filho!”&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ele apenas consegue emitir um sorriso de alivio e o medo que isto signifique o fim de um romance, salva a mensagem, aproveita que já fora interrompido e continua lendo as mensagens antigas.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;”Obrigado pelo o dia. Foi mais uma vez divertido, tava com saudades sabia?” – Salva a mensagem, sem denuncia de qualquer expressão&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Fui embora tão rápido que estou com a sensação de vazio... mas enfim gostei bastante de hoje meu bem.” – Salva mensagem e sorri.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Uma das melhores coisas que você me fez foi ter me tornado vascaína. Boa noite querido.” – Deleta a mensagem bufando irritação.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Wait for me, vou com você” – Deleta sem lembrar onde foi...&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;“A vida é bela, não gaste sua energia com o que é irrelevante para o seu crescimento. Vamos sair esse fim de semana” – Salva a mensagem&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Estou no ônibus indo para casa” – Deleta a mensagem.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Imperador, não irei ao Maraca, mas ligue quando acabar o jogo, quero ter a honra de sua companhia! Beijos já saudosos da sua “conbubina” ( e outro para o Severo)” – Solta uma gargalhada com a espirituosa mensagem e a salva. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;“ Mais uma vez... foi mal... estarei bebendo aqui no Leblon me liga quando sair do cinema, beijos” – Deleta a mensagem&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Exemplo de homossexualidade ser crime na aula de História: Oscar Wilde, maravilha! Beijoca” – Salva a mensagem, apenas pelo o Oscar.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Segura que eu tou chegando” – Deleta a mensagem&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Ta passando 2046 no cinemax!” – Deleta a mensagem com raiva por não ter Tv a cabo.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Acabaram os créditos? Não deixe de Falar....” – Deleta antes de ler toda a mensagem.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;“ “ A fidelidade é para a vida emotiva o que a coerência é para o intelecto: pura e simplesmente uma confissão de fraqueza!” Genial!” – Salva a mensagem pelo o Oscar mais uma vez.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Espero que vossa alteza esteja presente na entrada real da majestade! Tragam os tapetes vermelhos! Toquem as cornetas vassalos! Hahaha! “ – Salva a mensagem e sorri em silêncio.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Amore! O almoço ta quase pronto! E ta ficando muito bonito e gostoso! Se quiser participar cola aqui até 1 hora” – Deleta com fome.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Felipe quero deixar registrado, meu pedido de desculpa pela interpretação errônea do seu depoimento! Assumo ser mãe retrograda. Te quero bem creia, um beijo no seu coração” – Salva a mensagem com um certo alívio.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Prefiro perder a lutar, prefiro não ter a sofrer, prefiro levar está faca no meu ventre a velar mais uma vez esta amizade, o que ela significa e tudo que passou.” – Faz o mesmo, e deleta a mensagem&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Sing me to sleep, sing me to sleep, antes que a velocidade das coisas me assuste!” – &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Começa a responder “Fear of sleep...” Mas prefere apagar e fechar o celular.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Volta ao texto, coloca um ponto final e vai atrasado para o trabalho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-929144475822068038?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/929144475822068038/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=929144475822068038' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/929144475822068038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/929144475822068038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/05/enviando.html' title='Enviando...'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-8230155253307888639</id><published>2007-05-22T22:27:00.000-03:00</published><updated>2007-05-24T22:45:28.201-03:00</updated><title type='text'>Amor em quatro tempos</title><content type='html'>Por que saltas, Grilo falante?&lt;br /&gt;Por que tocas gentil meu jardim?&lt;br /&gt;Se vês grama seca sem verde esperança&lt;br /&gt;Por que me escolhes, sorri e diz sim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que tentas, Grilo enfante?&lt;br /&gt;Por que tentas salvar-me de mim?&lt;br /&gt;Se o amor que me salva lento nos mancha&lt;br /&gt;Por que danças alegre na frágil jasmin?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que choras, Grilo incessante?&lt;br /&gt;Por que amas e sofres assim?&lt;br /&gt;Se sabes de certo que o futuro não encanta&lt;br /&gt;Por que ficas se sabes ter fim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se é pra sempre, Grilo amante?&lt;br /&gt;Se, mais forte, o amor não tem fim?&lt;br /&gt;Te prometo tu estás bem guardado&lt;br /&gt;Em meu coração que pra ti é jardim&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-8230155253307888639?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/8230155253307888639/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=8230155253307888639' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/8230155253307888639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/8230155253307888639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/05/amor-em-quatro-tempos.html' title='Amor em quatro tempos'/><author><name>Coelhuu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10640747142542860496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_4lhg-Ix4oqc/S8u83E3diEI/AAAAAAAAAD0/WbMLvQCn_Ak/S220/n701471314_1272131_8356.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-8078480692090403707</id><published>2007-05-18T13:32:00.001-03:00</published><updated>2007-05-18T13:40:37.239-03:00</updated><title type='text'>Sexta série</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;     Já passava das 6 da tarde quando ouvi a porta abrindo, ele acabava de chegar. - Sua aula acabou meio-dia, por onde diabos andou? - eu perguntei. - Olha, nada interessante, eu confesso, mas se quiser eu conto. Como você sabe eu fui ao colégio e tem esse tal professor, aquele que eu te disse que acho que é racista. Aliás, não tenho dúvidas ele é racista e penso que possa ser homossexual. Lhe contei a respeito, não? - Porque não me conta onde estava? - Hoje foi um dia difícil, tivemos trabalho em grupo e uma exaustiva prova escrita sobre aquele livro varandas da história. - Veredas - Hã? - Veredas da história. - Que seja. - E como se saiu na prova? - Era múltipla-escolha, eu acho que consegui me sair razoavelmente bem. - Toda vez ele dizia a mesma coisa. Este menino, vou lhes contar, sempre dava um jeito muito peculiar de se safar na escola de forma extremamente displicente. Seu histórico se equilibrava ano após ano por sobre a tênue linha que separava a aprovação da reprovação. Era a única responsabilidade que o pequeno tinha na vida, e talvez justamente por isso tenha sido a única coisa da vida na qual ele não se saiu perfeitamente bem. Mas prossigamos com a história, voltemos às veredas. - A prova era só de múltipla escolha? - Não, tinha uma questão discursiva, essa sim realmente importante, valia uma porção de pontos. - Do que se tratava? - Era pra explicar o que era a lei do ventre livre. - E você explicou? - Naturalmente. Expliquei que tinha como objetivo a distribuição de laxantes e relacionei com a lei do ventre preso. - E que porra seria a lei a do ventre preso? - Era essa parte que eu não tinha certeza! Você sabe o que era? - Vou te dizer, eu acho que você errou a questão. Espero que tenha acertado as múltipla-escolhas. - Relaxa, eu acertei todas. - Já conversamos sobre o que acontece se você repetir de ano né? - Sim, eu vou pro colégio público, onde os favelados vão me enfiar a porrada e roubar meu dinheiro. - Você não tem medo?  -Se tenho! É melhor eu passar de ano. - Hmm. E por onde você andou? - Posso lhe contar um segredo se prometer ficar de bico fechado... - Diga agora, ou te farei chorar. - Fui ver uma rinha. - Uma rinha? - É, uma rinha. você já viu? - Hm. Não. - Devia, é muito impressionante. - E onde foi isso? - Isso eu não posso lhe contar, senão eu me complico, entende? Vou ser sincero, tenho visto essas brigas de animais a certo tempo, galinhas, pitbulls e alguns outros mais. Inclusive venho gastando o dinheiro do lanche em apostas a um bom tempo. - Notei que você tá mais magrinho, agora tá explicado. Agora eu exijo que me conte como começou essa história de rinhas. - Ok, ok, mas se você se irritar a culpa não será minha. Lembra-se daquela vez que te liguei do orelhão da escola e pedi pra ficar até mais tarde jogando bola? - Sim, lembro. - Então,  já passava das 6 da tarde quando ouvi a porta abrindo, ele acabava de chegar. - Sua aula acabou meio-dia, por onde diabos andou? - eu perguntei. - Olha, nada interessante, eu confesso, mas se quiser eu conto. Como você sabe eu fui ao colégio e tem esse tal professor, aquele que eu te disse que acho que é racista. Aliás, não tenho dúvidas ele é racista e penso que possa ser homossexual. Lhe contei a respeito, não? - Porque não me conta onde estava? - Hoje foi um dia difícil, tivemos trabalho em grupo e uma exaustiva prova escrita sobre aquele livro varandas da história. - Veredas - Hã? - Veredas da história. - Que seja. - E como se saiu na prova? - Era múltipla-escolha, eu acho que consegui me sair razoavelmente bem. - Toda vez ele dizia a mesma coisa. Este menino, vou lhes contar, sempre dava um jeito muito peculiar de se safar na escola de forma extremamente displicente. Seu histórico se equilibrava ano após ano por sobre a tênue linha que separava a aprovação da reprovação. Era a única responsabilidade que o pequeno tinha na vida, e talvez justamente por isso tenha sido a única coisa da vida na qual ele não se saiu perfeitamente bem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-8078480692090403707?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/8078480692090403707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=8078480692090403707' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/8078480692090403707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/8078480692090403707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/05/sexta-srie.html' title='Sexta série'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-9055339673816066528</id><published>2007-05-17T14:52:00.000-03:00</published><updated>2007-05-17T15:01:53.514-03:00</updated><title type='text'>Por um segundo teu, no meu msn, por um segundo mais feliz!</title><content type='html'>Isso me c a n s a m u i t o... diz:&lt;br /&gt;Viu quando?&lt;br /&gt;clicia diz:&lt;br /&gt;Sei lá...mas ví&lt;br /&gt;clicia diz:&lt;br /&gt;Peguei a sinopse aqui e já vi&lt;br /&gt;Isso me c a n s a m u i t o... diz:&lt;br /&gt;Viu nada&lt;br /&gt;Isso me c a n s a m u i t o... diz:&lt;br /&gt;Nunca passou aqui&lt;br /&gt;Isso me c a n s a m u i t o... diz:&lt;br /&gt;Viu como?&lt;br /&gt;Isso me c a n s a m u i t o... diz:&lt;br /&gt;Com Roberto Benini&lt;br /&gt;Isso me c a n s a m u i t o... diz:&lt;br /&gt;Há não ser que vc tenha visto como eu no festival do Rio&lt;br /&gt;clicia diz:&lt;br /&gt;Ôh Felipe, isso tem em dvd&lt;br /&gt;clicia diz:&lt;br /&gt;Eu não posso estar confundindo de forma alguma&lt;br /&gt;Isso me c a n s a m u i t o... diz:&lt;br /&gt;Tem não querida&lt;br /&gt;Isso me c a n s a m u i t o... diz:&lt;br /&gt;Passe a sinopse&lt;br /&gt;clicia diz:&lt;br /&gt;É o que tem uma tal de ovelha de jade&lt;br /&gt;clicia diz:&lt;br /&gt;Uma porra assim&lt;br /&gt;clicia diz:&lt;br /&gt;É raposa de jade...hahahaha&lt;br /&gt;Isso me c a n s a m u i t o... diz:&lt;br /&gt;Tem nada disso&lt;br /&gt;clicia diz:&lt;br /&gt;Tem sim&lt;br /&gt;clicia diz:&lt;br /&gt;Entao nao é O tigre e o dragão&lt;br /&gt;Isso me c a n s a m u i t o... diz:&lt;br /&gt;Não tem Clícia&lt;br /&gt;Isso me c a n s a m u i t o... diz:&lt;br /&gt;Não&lt;br /&gt;Isso me c a n s a m u i t o... diz:&lt;br /&gt;É o Tigre e a Neve&lt;br /&gt;clicia diz:&lt;br /&gt;Ah táááá&lt;br /&gt;clicia diz:&lt;br /&gt;Hahahhahahaha&lt;br /&gt;Isso me c a n s a m u i t o... diz:&lt;br /&gt;Hahhahahahaha&lt;br /&gt;Isso me c a n s a m u i t o... diz:&lt;br /&gt;Teimosa&lt;br /&gt;clicia diz:&lt;br /&gt;Não. Não sou não!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-9055339673816066528?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/9055339673816066528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=9055339673816066528' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/9055339673816066528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/9055339673816066528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/05/por-alguns-segundos-teu-no-meu-msn-por.html' title='Por um segundo teu, no meu msn, por um segundo mais feliz!'/><author><name>Miss Jane</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05812097842134408993</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-5728826950527226109</id><published>2007-05-16T00:38:00.000-03:00</published><updated>2007-05-16T00:40:18.340-03:00</updated><title type='text'>A mais-que-corriqueira anomia branda de Severo</title><content type='html'>Meu Deus, como eu tô só E eu ando tão pesadotãopesadopesado, como isso me cansa eu preciso mudar de ares eu preciso de novidade como o tempo passa rapido é bom e é ruim e eu cresço mas tudo muito longe não dá tempo de aproveitar tudo nem dá jeito de aproveitar nada como eu tô melhor como eu não me caibo acho que eu vou precisarde companhia o fato e que minha paz mora em outro lugar como pode o fracasso deprimir e o sucesso esgotarcansar eu quero muitomuito mais tempo tresvezes mais tempo e construir agora eu me recuso a fazer comotodo mundo sempre a mesmacoisa e tudo anda na mesma direção sempre e sempreninguém sabe porque e nem sabe que não sabe e eu fico daqui do alto ou daqui do baixo vendo eles e obvioque ninguem vai me entender quase ninguem vai entender mas eles vão ser leves e semnemsaber elesnaovaosabernada e viver rindo que sorte e sem referencias sem vírgulas sem pausa o reconhecimento me cansa, minha ambição me esgota e o amor me infla masnão consigo sair do chão nem por um,dois decretos e tanto faz o mundo ser bom ou ruim as dicotomias, isso quem determina sou eu não há rigidez ordem nem flexibilidade há só consciência e vontade, tudo pode tudo há de ser e isso c a n s a m u i t o...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não venham nunca me dizer que a vida não presta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isso não é uma ironia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-5728826950527226109?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/5728826950527226109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=5728826950527226109' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/5728826950527226109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/5728826950527226109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/05/mais-que-corriqueira-anomia-branda-de_16.html' title='A mais-que-corriqueira anomia branda de Severo'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-1153480298117240541</id><published>2007-05-15T00:07:00.000-03:00</published><updated>2007-06-17T17:09:00.955-03:00</updated><title type='text'>Super-Humano</title><content type='html'>Sentado e só.&lt;br /&gt;Na realidade havia com ele uma estranha vontade de escrever, como um teste pra si próprio.&lt;br /&gt;Lembrou por uns instantes de uma série, dessas americanas, onde o herói surge caído dos céus.&lt;br /&gt;Pegou papel, caneta e vomitou cada palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Herói caído da lama&lt;br /&gt;Entre o nada, o sujo, a merda&lt;br /&gt;Explorado e explorando o que é baixo&lt;br /&gt;És ato mais puro pois tudo em ti resta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E do baixo do tu, onde vives&lt;br /&gt;Onde ganhas verdade esse mundo&lt;br /&gt;Tomas forte a indecência do todo&lt;br /&gt;Beijas brilho o que sobra de imundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se as belezas do esquadro da vida&lt;br /&gt;Enganam com heróis que navegam no céu&lt;br /&gt;Digo, o lindo do alto caído&lt;br /&gt;Só vive do lindo, não voa de fato, é mentira de véu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram poucos os intermináveis minutos de entrega e tudo o que achava de extremo humano estava na sua frente.&lt;br /&gt;Era sua verdade, mas pensou poder ser ele mesmo.&lt;br /&gt;O frio na espinha tomou conta do corpo, respirou já com dificuldade, correu e puxou da mochila seu calmante, certo de que cada letra o sufocaria naquele momento.&lt;br /&gt;Horas depois, mais calmo, teve a certeza.&lt;br /&gt;Nunca será Super-Humano.&lt;br /&gt;Não suportaria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-1153480298117240541?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/1153480298117240541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=1153480298117240541' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1153480298117240541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1153480298117240541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/05/sentado-e-s.html' title='Super-Humano'/><author><name>Coelhuu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10640747142542860496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_4lhg-Ix4oqc/S8u83E3diEI/AAAAAAAAAD0/WbMLvQCn_Ak/S220/n701471314_1272131_8356.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-6274900567585806684</id><published>2007-05-14T01:10:00.000-03:00</published><updated>2007-05-14T01:38:19.462-03:00</updated><title type='text'>Apenas um Conto.</title><content type='html'>Fazia frio durante todo aquele mês de agosto, e naquela manhã de quarta-feira não poderia ser diferente.&lt;br /&gt;Celso, um cara simples, cabelos grossos e negros, pele pálida (não deveria ir à praia havia um bom tempo), beleza rústica, do tipo que atrairia de meninas na flor da idade até as coroas mais experientes, andava em meio às pessoas na rua, com claros sinais de pressa, a começar pela velocidade de seus passos e a aparência desleixada em sua face. Suas roupas amarrotadas e mal vestidas denunciavam um atraso gravíssimo no serviço. Seria o único motivo para fazer com que um sujeito se portasse daquele modo àquela hora da manhã. E como a maioria das pessoas na sua idade, se preocupava em provar o seu valor perante a sociedade, mesmo que essa batalha não obtivesse o resultado esperado pelo mesmo.&lt;br /&gt;No trabalho (um emprego temporário, dizia Celso) era encarregado de um pequeno setor de tele-marketing, um serviço que, ele sabia, era inconveniente. E se havia algo que Celso não gostava nem um pouco era de incomodar os outros, ainda mais estranhos no conforto de seus lares. Seguindo sempre a mesma rotina de seu emprego temporário que já duravam longos dois anos e meio, Celso ligava para alguns números em uma extensa lista de clientes cadastrados oferecendo promoções e serviços pouquíssimo atraentes. Então, ao ligar para determinado número, fora atendido por uma bela voz feminina que lhe soava estranhamente familiar.&lt;br /&gt;- Alô?- Bom dia, senhora. Aqui quem fala é Celso, e venho em nome da “No Reply Telefônica” para lhe oferecer uma...&lt;br /&gt;- Celso?!&lt;br /&gt;- Perdão, senhora?&lt;br /&gt;- Celso?! Celso Oliveira?? Meu Deus!! É... é você?!&lt;br /&gt;- Que.. quem está falando??&lt;br /&gt;- Nossa... Só assim mesmo pra você me ligar! Não vá me dizer que não reconhece minha voz...&lt;br /&gt;Fez se um breve silêncio, pois Celso se concentrava para poder lembrar de onde conhecia aquela voz tão familiar, mas nem precisou de muito tempo.&lt;br /&gt;- Nanda?!&lt;br /&gt;- Há!! Eu sabia que você ia se lembrar. Nossa... Mas faz tanto tempo, hein? Desde aquele...&lt;br /&gt;- Eu sei. Olha... me desculpe... Eu tenho que desligar. Preciso trabalhar!&lt;br /&gt;- Espera! Não desligue! Eu... eu fico com a tal da promoção. Pronto. Mas conversa um pouquinho comigo... Meu Deus... faz tanto tempo! Como eu senti saudades!&lt;br /&gt;- Bom... Nesse caso, é um serviço bastante econômico que no final do mês vai lhe poupar uma...&lt;br /&gt;- Eu não dou a mínima pra essa promoção. Basta me incluir nos seus registros e mandar a conta pra mim. Só isso. Mas por Deus, homem! O que tem feito? Por que sumiu desse jeito?&lt;br /&gt;- Olha, Nanda, eu acho melhor pararmos logo com isso. Eu demorei muito pra te esquecer, pra esquecer de tudo. Sofri muito com aquela história toda. Mas isso já passou... Por favor, paremos por aqui, sim?&lt;br /&gt;- Mas Celso, você sabe que o que aconteceu não foi minha culpa...&lt;br /&gt;- Por favor, Nanda!&lt;br /&gt;- Mas...&lt;br /&gt;- Grato pela sua atenção, senhora. Tenha um bom dia.&lt;br /&gt;E dessa maneira abrupta, Celso desligou e partiu, como se nada houvesse ocorrido, para os outros nomes de sua infinita lista, mas não sem ficar o resto daquela manhã com a bela voz que lhe atendera ecoando em sua cabeça.&lt;br /&gt;Hora do almoço. Celso, ao sair do elevador e cruzar toda a galeria do térreo daquele edifício comercial de onde trabalhava, deu de cara com uma velha conhecida sua, a dona daquela voz tão doce:&lt;br /&gt;- O que você faz aqui? – Perguntou Celso num misto de surpresa, rancor e mágoa, mas com uma estranha felicidade, ainda que soterrada dentro de seu peito.&lt;br /&gt;- Ora... Não é tão difícil assim encontrar o edifício dessa sua empresa, querido.&lt;br /&gt;Fernanda era o tipo de mulher que, numa primeira olhada não chamaria tanto à atenção, mas que, ao se conviver, aprendia-se a admirar e, fatalmente, se apaixonar. Tinha um corpo bastante normal, nada muito chamativo, cabelos lisos e castanhos, pele alva, um sorriso cativante, um ar de mulher madura, porém com muito pouca idade, e os olhos expressivos, negros e brilhantes como uma noite estrelada. E como era cheirosa aquela mulher.&lt;br /&gt;- O que exatamente você veio fazer aqui?&lt;br /&gt;Celso já permitira amolecer um tanto seu jeito bruto para com a moça.&lt;br /&gt;- Ora, Celsinho... Precisava tanto te ver. Já faz um bom tempo que eu te procuro mas era como se você não quisesse mesmo ser encontrado. Só Deus sabe o quanto eu tentei. Mas quando eu estava quase desistindo, o destino tratou de te trazer a mim. Que coisa, não?&lt;br /&gt;- Bom, agora que você já me viu, se me der licença, eu preciso almoçar.&lt;br /&gt;- Perfeito! Vou com você. Não comi nada o dia inteiro.&lt;br /&gt;Celso não relutou nem um pouco, e permitiu que sua inesperada companhia o seguisse até um estabelecimento que por ali havia, um restaurante considerado por muitos – inclusive Celso – o melhor da região.&lt;br /&gt;- Mesa para dois? – Perguntou um simpático garçom.&lt;br /&gt;- Fazer o quê... – Respondeu Celso admitindo o fato de Fernanda estar ali com ele, e, a essa altura, fingindo totalmente estar desgostoso com a companhia, mesmo sem conseguir convencer.&lt;br /&gt;- Meu querido... Como eu senti sua falta!&lt;br /&gt;- Olha... Você já veio até aqui, já começou a me atazanar, e até agora eu estou aceitando numa boa, mas não começa com essa história, porque eu não estou no clima, certo?!&lt;br /&gt;- Credo! Precisava ser tão curto e grosso?&lt;br /&gt;- É o melhor jeito para se fazer entender!&lt;br /&gt;- Sei...&lt;br /&gt;Fez-se então um desconfortável silêncio que não parecia ser vantajoso para nenhum dos dois, até o mesmo ser quebrado pelo adorável garçom.- Gostariam de fazer o pedido?&lt;br /&gt;- Sim! – Responderam os dois, no susto.&lt;br /&gt;- Por favor, Nanda. – Gesticulou Celso num ato de cavalheirismo.&lt;br /&gt;- Obrigada. Por favor, eu gostaria de um executivo desses, mas no lugar das batatas eu preferia uma saladinha, se possível.&lt;br /&gt;- Pois não, senhorita. E pro cavalheiro?&lt;br /&gt;- Qualquer coisa que se possa mastigar já estaria de bom tamanho. – Respondeu Celso, agora um tanto aéreo.&lt;br /&gt;- Trarei o prato do dia pro senhor. E para beber?&lt;br /&gt;- Vodka! Sem limão, sem gelo. – respondeu automática e repentinamente aquele outrora atordoado Celso.&lt;br /&gt;Fernanda arregalou seus grandes e expressivos olhos na mesma hora, checou sem pudores o relógio em seu pulso e, com um ar de censura e reprovação, finalmente perguntou:&lt;br /&gt;- Vodka numa hora dessas?!?&lt;br /&gt;- Me deixe! – Respondeu Celso, bastante seco.&lt;br /&gt;- E pra senhorita? – Perguntou o garçom.&lt;br /&gt;- Ah, qualquer coisa que se possa molhar a garganta já estaria de bom tamanho. – Respondeu Fernanda num tom deveras irônico.&lt;br /&gt;Então, com a saída do simpático garçom, o silêncio voltava a se instaurar entre aqueles dois.&lt;br /&gt;-Sabe, Celso... Não foi minha culpa! Você sabe disso! – Disse finalmente Fernanda, como quem tira de si um enorme peso, e repentina como o sol que se abria lá fora.&lt;br /&gt;- Você é mesmo muito orgulhoso – Continuou Fernanda – Sempre foi orgulhoso!&lt;br /&gt;- É, Nanda! Acontece que eu sou assim, e você, como acaba de me confirmar, sabia disso desde o princípio. Pensasse nisso antes de...&lt;br /&gt;- Mas meu amor... entenda uma coisa: Eu te amo! Você sabe que se eu tivesse escolha, jamais teria feito qualquer coisa pra te deixar envergonhado, magoado!&lt;br /&gt;Celso não disse nada. Preferiu fitar seus dedos grossos por sobre a mesa. Mas, depois de outro pequeno momento em silêncio absoluto, finalmente desabafou:&lt;br /&gt;- Eu fiquei muito traumatizado...&lt;br /&gt;- Traumatizado?!? VOCÊ ficou traumatizado? Ah, mas é claro! Esqueci que foi você que passou por tudo aquilo. Aquela situação desagradável! Não eu! Não foi? Mas que egoísta filho da...&lt;br /&gt;- Você não sabe pelo que eu passei...&lt;br /&gt;- Ah, você? Tudo é você! Pois o que VOCÊ passou nunca vai superar o que EU passei!&lt;br /&gt;- Mas mesmo assim...&lt;br /&gt;- Mesmo assim o quê?! Olha... Quem tinha que estar com raiva de alguém aqui nessa história era eu de você! Não o contrário! Mas, pra você ver o quanto eu te amo, eu estou aqui! Eu te procurei esse tempo todo sabendo que você me abandonou no momento em que eu mais precisei do seu apoio! Você não vê?! Eu passei por cima do meu orgulho, do meu trauma, da minha depressão, da humilhação que eu passei, de tudo! E é assim que você me recebe?!&lt;br /&gt;- É. Me desculpa... eu não soube o que fazer, o que dizer... O que se faz numa situação dessas? Eu fiquei com tanta vergonha... Fiquei com raiva de você... da situação!&lt;br /&gt;- Tudo bem, meu amor. Tudo bem. Eu estou aqui, disposta a esquecer de tudo, te perdoar, deixar tudo pra trás. Se você, ainda assim, não quiser mais me ver, eu vou respeitar sua vontade. Eu sumo de sua vida.&lt;br /&gt;- Sério?&lt;br /&gt;- Claro, meu amor!&lt;br /&gt;Uma expressão de alívio no rosto de Celso. Foi tudo que se viu naquele momento.&lt;br /&gt;- Mas então... Você acha que podemos voltar de onde paramos? – Perguntou Fernanda, um tanto ansiosa.&lt;br /&gt;- Nossa... Já fazem o quê? Três anos? Olhando agora, parece que foi ontem...&lt;br /&gt;- Eu te fiz uma pergunta. Por favor, não enrola...Após passar a mão pela cabeça freneticamente, Celso encarou sua companheira e disse:&lt;br /&gt;- Ora, mas é claro! Isso foi o que eu sempre quis, mas nunca tive coragem de admitir, pra te falar a verdade.&lt;br /&gt;- Então o que estamos esperando? – Perguntou Fernanda, enquanto puxava Celso pela camisa, e a seguir desferiu-lhe um beijo com a intensidade que só mesmo três longos anos de saudade poderiam provocar.&lt;br /&gt;Após muito namorico, conversas, fofocas, risadas e uma refeição inteira ignorada, os dois se levantaram, e seguiram rumo às suas novas velhas vidas.&lt;br /&gt;- Você viu que foi parar na Internet? – Perguntou, grave, Celso voltando ao assunto.&lt;br /&gt;- Sim, querido. Eu vi. Muita gente viu.&lt;br /&gt;- Como você tem lidado com isso?&lt;br /&gt;- Melhor do que eu esperava. Mas e você? Acha que consegue conviver com isso?&lt;br /&gt;- Acho que o amor que eu sinto por você, no final das contas, é bem maior que isso. Eu só precisava ter você por perto pra ter coragem de admitir.&lt;br /&gt;Então, após uma longa despedida regada de beijos e carícias sob um sol que normalmente não estaria ali, cada um seguiu seu rumo. Ao chegar em seu andar, já no edifício em que trabalhava, Celso notou um pequeno tumulto em volta de um micro-computador que por ali havia. Quando chegou perto, ao som de risadas incontroláveis, flagrou na tela do monitor ninguém menos que Fernanda numa banheira dessas de hidromassagem com um ar preocupado, porém tentando disfarçar. Fernanda não estava só, e, através das imagens podia se identificar Celso e mais alguns amigos em companhia da mesma. De repente uma mancha amarronzada se espalhou pela água por debaixo de Fernanda, que se levantou num susto, totalmente envergonhada e incrédula na medida em que os outros tentavam se desvencilhar das fezes que avançavam para cima dos mesmos.Ao som dos colegas rindo, Celso se dirigiu ao pequeno cubo que ele chamava de escritório, alojou o microfone em sua cabeça, sublinhou alguns nomes e números, agarrou o telefone, se pôs a discar uma seqüência nos teclados, e, bastante conformado, retomou suas atividades temporariamente rotineiras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-6274900567585806684?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/6274900567585806684/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=6274900567585806684' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/6274900567585806684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/6274900567585806684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/05/apenas-um-conto.html' title='Apenas um Conto.'/><author><name>not for sale</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09838039239651212353</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-1624527769804538079</id><published>2007-05-12T14:53:00.000-03:00</published><updated>2007-05-14T02:07:55.842-03:00</updated><title type='text'>Goodbye amigo, até os 40!</title><content type='html'>Lembro bem um dia que eu estava muito doente, na verdade, a doença foi pelo meu excesso. Tenho uma saúde muito gostosa o que me possibilita ficar doente mais por excessos do que qualquer outra coisa, e talvez por saber disso, testo esta possibilidade ao máximo. Mas a questão é que neste dia, estava com uma dor cretina e aguda no estomago, sentado no chão me remoendo, enquanto ele me olhava fixo. Sentou do meu lado e ficou calado, esperando a dor passar, e eu não conseguia parar de gemer no chão, de pedir ajuda em silêncio, em palavras, apelando para sei lá quem fizesse a dor desaparecer.  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fiquei implorando quase sem ar, para que ele fosse dormir que não precisava ficar ali ao meu lado, que já era tarde, mas ele não falou nada, apenas me olhou. Isso durou minutos, e por minutos ele apenas olhou para o lado vez ou outra, ou tentava não dormir forçando os olhos para que se mantivessem acessos, ele bocejava, mas em momento nenhum reclamou ou se afastou, como faria normalmente se fosse uma situação comum. Ficamos mais de uma hora no chão, com o tempo a dor melhorou e eu fiquei admirando ele, pois ele não queria saber se era excesso ou não, ele só queria saber de me acompanhar naquela dor infeliz. Quando me levantei, ele já estava de pé e prontamente caminhou até o leito, já eu, caminhei até o quarto e dormi eternamente grato por aquele gesto.&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;Minha admiração e meu carinho só não aumentaram, porque eu já dedicava isto de uma maneira muito intensa a ele, acho que não haveria necessidade de forçar tamanho sentimento. No correr dos dias, dos meses, tivemos muitos momentos felizes, brincamos muito, passeamos muito, rimos muito um do outro, debochamos muito da vida, ele sempre reclamando com uma inteligência absurda e eu sempre admirado, muitas vezes tinha que expulsar ele do quarto para dormir, outros momentos ele que me expulsava quando estava cansado para mim. Mas sempre tínhamos em mente o carinho de um pelo o outro, claro que eu sempre aliciei ele das maneiras mais variadas, e ele me aliciava sempre com aqueles olhos negros, o beijo molhado, um amigo incrível, paciente, perspicaz e esperto, como poucos amigos que tenho. Sábio, como poucos amigos serão, como poucas vezes serei, e nosso tempo passou, nossa amizade distanciou-se e é capaz dele nem mesmo lembrar de mim ou do meu cheiro. Eu lembro, e vive em mim está saudade, e esse amor...&lt;br /&gt;Nunca senti nada assim, mas espero que onde ele esteja, com lembranças de mim ou não, esteja bem. E que durma muito pois aquela noite em claro valeu para manter sempre acordado a admiração que tenho por ele. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;(Às vezes, certas lembranças são tão boas que achamos que não existiram &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;e que tudo ainda permanece inédito, que não passa do mais delicioso sonho e você está acordado. Que tudo não passa de seus delírios, mas neste caso eu sei que aconteceu.) &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;No futuro eu estava andando tinha 40 anos, era cabeludo, não tinha barba, óculos escuros grandes, calça jeans, casaco de tricô verde musgo com duas listras grandes roxas e uma pequena entre as duas com a cor gelo, usava um sapato velho e na mão tinha um cigarro pelo fim. Era um dia frio, numa terra que parecia estrangeira, um silêncio total, apenas o som do meu calçado enquanto eu caminhava pelo o negro asfalto, diversas poças da chuva passada e o sol que secava o ontem, mas não aquecia o hoje. Uma rua que circulava um parque verde, totalmente arborizado e apesar dos pássaros havia um grande silêncio, um lugar calmo. Eu continuava a caminhar lentamente até que abro meu sorriso amarelo, jogo o cigarro numa poça e vejo o meu amigo correndo. Ele vem pulando, seu corpo malhado, branco com diversas bolas pretas, sem coleira, sem a preocupação de suas patas molharem nas poças, forte, magro e animado. Atrás dele, uma menina de 5 anos, com um casaquinho, um gorro, luvas, toda empacotada. Com carinho desvencilha a sua mão da mãe, despede e com timidez vem atrás do meu amigo, para o encontro com seu pai, para o abraço delicioso dos três, num dia muito feliz.&lt;/p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Tem certos dias que você acorda tão triste e disso cria algo tão belo, que por mais que a vida não tenha sentido nenhum, você consegue achar um belo motivo para se viver até os 40.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-1624527769804538079?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/1624527769804538079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=1624527769804538079' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1624527769804538079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1624527769804538079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/05/quando-voc-sonha.html' title='Goodbye amigo, até os 40!'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-1837930107620146943</id><published>2007-05-11T01:50:00.000-03:00</published><updated>2007-05-11T02:33:06.794-03:00</updated><title type='text'>O texto mais chato do mundo ( ou Alternativa aos alternativos)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    Vou lhes contar amigos, ainda a pouco estive com amigos e caí na noite. Não queria, lhes juro. Mas o fato é que era barato, as companhias eram boas e eu sabia que uma banda demasiado boa ia se apresentar na ocasião, o trabalho do baixista me influencia muito, daí que pensei: "Ora diabos, eu vou!" E fui, caí na noite, estive com amigos. Aliás, antes liguei pra um camarada e disse: "Vamos?" Ele consentiu, tão logo lhe assegurei que o espaço permitia fumantes.&lt;br /&gt;  Mas eu tenho um problema, eu me atraso. É que só temos a chance de fazer o que queremos num dado momento uma única vez. Daí é terrível. Cago, tomo banho devagar, durmo, almoço, janto, toco violão, chego atrasado. Cheguei, faltavam 3 músicas pra acabar o show. Ainda bem que era de graça, na rua. Foi muito bom o show, as 3 músicas que faltavam para acabar o show. E  acabou. "Estou com seu ingresso do Odeon!" me disse um camarada (não o fumante). Aliás, após o show iríamos ao Odeon.&lt;br /&gt;  Era a maratona do Odeon. Três filmes por um preço super módico; o filme do Tom Zé mais outros dois. Ouvi algo sobre dinossauros, mas acho que era mentira. Enfim, tomamos uma cerveja, eu a contragosto, não sou entusiasta da cerveja. Meu amigo  fumava como um desgraçado, mas não bebia nem falava, então acho que tava tudo bem. Nesse ínterim o primeiro filme acabou. Sobrou o Tom Zé e os dinossauros, lá dentro do Odeon. Eu torcia pra que o próximo fosse o do Tom Zé. É que quando era moleque eu aprendi tudo sobre dinossauros, não tem mais nada que eu queira saber. O Velociraptor abre portas, o Braquiossauro tem 8 corações e se você ficar quieto o T-Rex não te enxerga. Devorava as revistas de Dinossauros e cheguei a ver alguns numa exposição do aterro, mas eles eram arredios demais.&lt;br /&gt;  Como se Deus compreendesse meus anseios exibiu o do Tom Zé primeiro. Mas primeiro festinha.&lt;br /&gt;  Sim, nos intervalos entre os filmes tem fabulosos sets dançantes do Dj Porra-de-cult tocando os maiores sucessos lado B. Entramos justamente nessa hora, no primeiro hit da festinha. E eles começaram a surgir de todos os lados. Os alternativos. De cara me deparei com uma fera cujo sexo não entendi. E de cara me irritei com o casaco "Clockwork Orange" que ele (ela) usava. Que tipo de porra é um CASACO do Laranja Mecânica? Aposto que custou 10.000 reais, que babaco(a), "é muita vontade de fazer tipo com Kubrick", pensei. Quis agredí-lo(a), mas por ter cerca de 19 quilos a figura não aguentaria um soco, e eu não aguentaria três. Começaram as músicas, Siouxsie and The Banshees, Smiths, The Cure, Strokes, Skrotes, The Bichas. Olhei pro meu lado e tinha um esquálido de terninho justinho, sacolejando o corpo, embriagado de sua peculiaridade, felicíssimo de ser tão estranho, um completo bosta. Verdadeiros palhaços coloridos remexiam ao meu redor. Uma moça (essa eu tenho quase certeza que era mulher) me olhava gulosamente, o que também me irritou porque ela tinha cara de "minha vida é uma merda, venha me conhecer pra que eu te mergulhe no meu mundo de Red Label e ácido lisérgico!", eu não fiz nada, fiquei olhando, não pra ela, praquela merda toda; nem dançar eu   conseguia, mesmo quando as melhores músicas tocavam. Meus amigos todos dançavam e não estavam nem aí pra toda a escrotice ao nosso redor. Cansada de me esperar a Red Label com Doce já tinha beijado uma provável outra mulher que dançava freneticamente com seu tênis do Sex Pistols e seu casaquinho de setecentos e cinquenta mil reais com, sei lá, a foto do cu do Andy Warhol. E meu amigo coitado, fumava e fumava com a sobrancelha franzida e o olhar mais grave do mundo. Compadeci-me dele, estava ainda menos a vontade que eu. Ele não bebe também, embora tenha lá seus motivos. Ele disse pra mim que todo mundo ali era muito careta. E ele estava certo. Aquele monte de coitados, vou lhes dizer, eram só um monte de insatisfeitos tentando ser qualquer coisa que não eles mesmos. E a pouca distinção que fazem de homem x mulher, piru x xereca, roupa bacana x roupa escrota me faz pensar que não gostam tanto de uns nem de outros. Eles não gostam nem deles nem de mim. Nem de Radiohead nem de merda nenhuma. E isso me deprime, porque não dá pra ajudá-los. Eu queria sangrar o de terninho  justinho ora, como ia ajudar algum? Pensei que realmente adorava a companhia de meus amigos, mas jamais iria confubular novamente com aquela Clockwork-Galera. Terrível, terrível.&lt;br /&gt;  Umas 15 horas depois começou o filme do Tom Zé. Pareceu muito bacana, mas em poucas partes consegui me manter desperto.  Passava das 3 da manhã e eu sou apenas um menino, a essa hora já estou dormindo. No fim andei dormindo da Cinelândia até a Presidente Vargas, peguei uma condução e andei mais um bocado. O fumante compulsivo insistia que eu havia feito a escolha errada, e assegurava-me que a Vila Mimosa era o verdadeiro reino da diversão. Mas minha cabeça ainda estava no Odeon, torcendo pra que os dinossauros tivessem estraçalhado aquela corja de bobalhões...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-1837930107620146943?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/1837930107620146943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=1837930107620146943' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1837930107620146943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1837930107620146943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/05/o-texto-mais-chato-do-mundo-ou.html' title='O texto mais chato do mundo ( ou Alternativa aos alternativos)'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-337703704172921317</id><published>2007-05-10T04:22:00.000-03:00</published><updated>2007-05-10T04:24:04.386-03:00</updated><title type='text'>Chuva de Verão</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- ... e você fica achando que pode se esconder debaixo dos cobertores feito criança assustada!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Mas é só enquanto dura a tempestade...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Exatamente! E depois você guarda o cobertor no fundo do baú e só o pega de novo quando faz frio!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- E não é pra isso que eles servem...?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- É, não é? Ficar no fundo de um baú, pegando poeira, esperando a próxima vez em que você decidir usá-lo...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Eu não tô te entendendo...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Só eu me entendo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Não diz isso... de novo, não...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Mas o que você quer que eu diga? Não há nada mais que se possa dizer! É fato: só eu me entendo. Seus braços frios não mentem, seus lábios frios não mentem, suas palavras frias até tentam... mas também não mentem. Você não me entende.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Eu tô tentando entender! Tô tentando, mas você não deixa! Você me afasta com suas metáforas de amores e desamores, suas abstrações exageradas, seus poemas sem nexo!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Se metáforas nos afastam, isso só prova que devemos nos separar. Se abstrações nos mantêm afastados, isso só prova que devemos permanecer assim. E se poemas não nos reúnem... isso só prova que não devemos ficar juntos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;- Why isn’t love enough?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;- ... &lt;/span&gt;a chuva tá passando. Melhor eu ir embora.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Não me deixa sozinha... ainda tá frio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Aprender a sentir frio é uma das maiores virtudes do homem.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Eu sei que você não quer ficar sozinho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Na verdade, eu quero sim. Acho até melhor. Só, eu me entendo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Pra que entender? Pra que tentar fazer sentido?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Pra fingir que há sentido! Pra tentar fingir que há algo mais nisso tudo do que terríveis coincidências! Pra eu não me perder nesse mar de acasos e esquinas!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Mas nem tudo são terríveis coincidências! Houve coincidência mais bela do que aquela que nos uniu?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Já nem sei mais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Eu sei: não houve, somos a coincidência mais bela. Eu tenho certeza de que...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Quem tem certeza fecha os olhos. A gente tá condenado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Por quê?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Porque é na dúvida que encontramos a esperança.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Pára com essas suas frases de efeito e essas suas afirmações pretensiosamente proféticas! Quem ouve pensa até que você sabe de alguma coisa da vida...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- E nem que vê a gente na fila do cinema sabe que a gente se encontrou. Somos nós dois, perdidos numa noite suja, de mãos dadas sob a chuva, tentando se encontrar. Mas você já fechou os olhos. Já te faz bem saber que eu não vou largar a minha mão da sua.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Nem eu vou largar da sua!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Mentira! Você larga toda vez que faz sol. Mas te faz bem saber que a minha mão ainda tá aqui, estendida, só te esperando pra segurá-la de novo. Só não sabia que você tá mais cega que eu. Você cega quando chove. Por isso, fico torcendo pra chover, só pra você pegar na minha mão de novo. Só pra eu te mostrar o caminho na chuva. Mas eu me perco quando faz sol.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Se perde, só que eu fico do seu lado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Fica, mas fica de punhos cerrados. Você deixa minha mão ali, estendida no vazio, sob a luz do sol, como uma flor murcha sob a luz de holofotes. Uma flor murcha que precisa de sol e de chuva... Qual dos dois você prefere? Sol ou chuva?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Eu prefiro o sol, claro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Então, você prefere cerrar os punhos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Eu não sei o que dizer...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Diga adeus... ou não diga nada. Não vamos perder a vida inteira com a pessoa errada. A vida não pode ser “chuva que não chove, sol que não sai; motor que não se move, nuvem que não se vai. Vai chover, vai secar... serão águas passadas”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- ...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Esse seu sol te cegou tanto que você nem percebeu que já tá chovendo. E, agora, você não tem mais minha mão estendida pra te guiar. Adeus.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Mas pra onde você vai? Essa chuva tá muito forte...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Eu vou pra casa. Eu prefiro a chuva, sabe? Prefiro o frio. Porque eu posso me esconder debaixo dos cobertores feito criança assustada e não sair mais de lá.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-337703704172921317?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/337703704172921317/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=337703704172921317' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/337703704172921317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/337703704172921317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/05/chuva-de-vero.html' title='Chuva de Verão'/><author><name>James M. Barrie</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09169923023552484844</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-291994352710823481</id><published>2007-05-09T20:05:00.000-03:00</published><updated>2007-05-15T01:18:35.023-03:00</updated><title type='text'>Estou posto.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Acordo, o julgamento está posto. Bebeu antes de dormir, ressaca, dormiu de cueca, saudade, dormiu fora de casa, safado, não dormir, tristonho, dormiu demais, vagabundo, acordou triste...&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Saio de casa, o julgamento está posto. Cabelo penteado, tá atrasado, barba mal feita, é preguiçoso, barba por fazer, é relaxado, barba de Dom Pedro, é maluco, cabelo oleoso, é feio,  roupa impecável, é viado, roupa mal passada, é bêbado... &lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNormal"&gt;Entro no ônibus, o julgamento está posto. Sentou no meio do banco, é gordo, banco alto, é criança, sentou no canto, é sozinho, sentou atrás, é bandido, sentou na frente, é medroso, abriu o jornal, eu vou ler, abriu metade, é egoísta, abriu um livro, é intelectual, Paulo Coelho, é..., ouvindo música, é Strokes, é Strokes?, é Strokes!, é o que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego no trabalho, o julgamento está posto. Chegou atrasado, demitido, fez tudo errado, demitido, perdeu prazo, demitido, pé na mesa, demitido, foi mal tratado, não reclama que ainda não foi demitido, reclamou, demitido.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ando na rua, o julgamento está posto. Ela passa e não me olha, eu passo e não cumprimento, ela passa sem saudade, eu passo sem amizade, ela chora e vai embora, eu choro e vou para casa.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Chego em casa, bebo antes de dormir, tiro a roupa, saio de casa, viro a noite, amanhã é sábado, amanhã eu me iludo e hoje durmo feliz.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-291994352710823481?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/291994352710823481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=291994352710823481' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/291994352710823481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/291994352710823481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/05/estou-posto.html' title='Estou posto.'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-4147816904291189358</id><published>2007-05-06T22:30:00.000-03:00</published><updated>2007-05-22T22:36:28.476-03:00</updated><title type='text'>Resto de mundo</title><content type='html'>Quando sou livro aberto&lt;br /&gt;E lido não deixo à vontade&lt;br /&gt;Como frases que mostram cor turva&lt;br /&gt;Faladas que soam maldade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando atuar não mais quero&lt;br /&gt;E sem pele, vidro, embalagem&lt;br /&gt;Chego firme e olho sincero&lt;br /&gt;Sem retina, pupila - selvagem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se esse jeito, tão puro e manchado&lt;br /&gt;Me chama de filho com tão pouca idade&lt;br /&gt;Assumo sem medo pros mil continentes&lt;br /&gt;Sou resto de mundo viciado em verdade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-   -   -   -   -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devidamente descabaçado...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-4147816904291189358?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/4147816904291189358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=4147816904291189358' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/4147816904291189358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/4147816904291189358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/05/resto-de-mundo.html' title='Resto de mundo'/><author><name>Coelhuu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10640747142542860496</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_4lhg-Ix4oqc/S8u83E3diEI/AAAAAAAAAD0/WbMLvQCn_Ak/S220/n701471314_1272131_8356.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-2157415317270773142</id><published>2007-05-04T18:24:00.000-03:00</published><updated>2007-05-04T18:45:08.308-03:00</updated><title type='text'>Sexta: Corre, pega um copo e tudo o que existe!</title><content type='html'>Quanto mais possível sou,&lt;br /&gt;Mais impossível tenho me tornado&lt;br /&gt;O que me torna possível é esta mão que dou a tudo que existe&lt;br /&gt;Que é a mesma que me torna um tudo e um nada&lt;br /&gt;A mesma que me permite ser tudo e não ser nada&lt;br /&gt;Estar em tudo ou estar em nada&lt;br /&gt;Que me permite a amar sem precisar ser amada&lt;br /&gt;Que me permite infringir, mentir e corromper valores&lt;br /&gt;O que não me torna exato, mas que me torna verdade&lt;br /&gt;O que de alguma maneira me torna inalcançável a mim e aos outros&lt;br /&gt;Não...&lt;br /&gt;O que me torna impossível é dar as duas mãos a tudo o que existe&lt;br /&gt;E que me torna causa completa e absoluta de mim mesmo&lt;br /&gt;Seria Eu um deus?&lt;br /&gt;Não...&lt;br /&gt;Pois meu corpo humano também dói, se machuca e chora&lt;br /&gt;E almeja o dia em que dárá apenas uma mão a tudo que existe&lt;br /&gt;Para assim, irmos "os três pelo caminho que houver"&lt;br /&gt;Apenas um humano demasiado desumano&lt;br /&gt;Que dá a mão à dor e ao amor na mesma escala&lt;br /&gt;Que não faz do "amor comedido"&lt;br /&gt;E faz da dor um lamentar majestoso&lt;br /&gt;Que faz da vida um canto:&lt;br /&gt;Sofrido ou amado&lt;br /&gt;Lápis ou borracha&lt;br /&gt;Água ou cachaça&lt;br /&gt;Luxo ou lixo&lt;br /&gt;Cinema ou teatro&lt;br /&gt;Fartura ou fome&lt;br /&gt;Zero ou Cem&lt;br /&gt;Com ou sem...&lt;br /&gt;Que faz da vida tudo o que existe&lt;br /&gt;Que faz da vida o impossível&lt;br /&gt;Para fazer tornar a vida possível&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Queria mesmo era me expressar com notas&lt;br /&gt;E passear pelos campos de Álvaro&lt;br /&gt;Tomar carona nas coisas da vida"&lt;br /&gt;Severo Brandão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-2157415317270773142?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/2157415317270773142/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=2157415317270773142' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/2157415317270773142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/2157415317270773142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/05/sexta-corre-pega-um-copo-e-tudo-o-que.html' title='Sexta: Corre, pega um copo e tudo o que existe!'/><author><name>Miss Jane</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05812097842134408993</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-1098089915269152038</id><published>2007-05-04T16:02:00.000-03:00</published><updated>2007-05-04T16:22:36.850-03:00</updated><title type='text'>É né..</title><content type='html'>Escrevo nem sei porque.&lt;br /&gt;Queria mesmo era me expressar com notas&lt;br /&gt;E passear pelos campos harmônicos, campos de Álvaro,&lt;br /&gt;Tomar carona nas coisas da vida&lt;br /&gt;Sempre ciente de que a erudição por erudição é burrice,&lt;br /&gt;Não somos nada, não somos de nada&lt;br /&gt;Nem somos de ninguém e nada é nosso&lt;br /&gt;Hoje eu não sei, hoje eu não consigo&lt;br /&gt;Hoje eu aqui e vocês aí, hoje nada do que eu digo&lt;br /&gt;E enquanto eu caminho, às voltas com o que não é meu&lt;br /&gt;Nem seu por vezes eu me recosto e penso&lt;br /&gt;Que tá tudo bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-1098089915269152038?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/1098089915269152038/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=1098089915269152038' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1098089915269152038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1098089915269152038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/05/n.html' title='É né..'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-7032050494530548713</id><published>2007-05-03T14:31:00.000-03:00</published><updated>2007-05-03T14:39:21.125-03:00</updated><title type='text'>Love Actually</title><content type='html'>É tudo seu.&lt;br /&gt;Do meu primeiro verso ao último fio de cabelo&lt;br /&gt;Desde o primeiro instante, até o fôlego de arrego&lt;br /&gt;Do acorde anacrústico ao apogeu do compasso final&lt;br /&gt;Da primeira cor do nascente ao último número real&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das trombetas do fim do mundo ao nascer do menino Jesus&lt;br /&gt;Do anseio feliz da chegada ao aceno choroso do adeus&lt;br /&gt;Da flor que coloco no túmulo à pedra que taco na cruz&lt;br /&gt;Da mais vil labareda do inferno ao abraço sublime de Deus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sou seu.&lt;br /&gt;Seu nas cores primárias, nas impressões digitais&lt;br /&gt;Seu nos meus sonhos futuros, seu nos anseios por mais&lt;br /&gt;Seu na ausência do toque, seu na persistência da memória&lt;br /&gt;Seu quando pratico o fracasso, como o sou em meus dias de glória&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu cotidiano de sonhos, no que mora ao alcance da mão&lt;br /&gt;No que ainda vislumbro distante, no sono conturbado da razão&lt;br /&gt;Quando a chuva castiga a janela, nessas tardes de filme europeu&lt;br /&gt;Quando saia a inquirir pela ruas, meu bem&lt;br /&gt;Todos hão de dizer que sou seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso sê minha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-7032050494530548713?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/7032050494530548713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=7032050494530548713' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/7032050494530548713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/7032050494530548713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/05/love-actually.html' title='Love Actually'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-1564332344821187421</id><published>2007-05-02T09:03:00.001-03:00</published><updated>2007-05-02T09:03:53.515-03:00</updated><title type='text'>Fã</title><content type='html'>Escolhendo porta-retratos&lt;br /&gt;Colando fotos em armários.&lt;br /&gt;Remoendo o meu jeito independente,&lt;br /&gt;Sempre um novo plano em mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo mentiras para me enganar&lt;br /&gt;E poder ser assim como você.&lt;br /&gt;Por admirar e idolatrar&lt;br /&gt;Esse seu jeito de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando vejo o seu olhar&lt;br /&gt;Prometo até o que não posso cumprir.&lt;br /&gt;Fico falando por falar&lt;br /&gt;Até cair no sono e dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pulando para o seu lado,&lt;br /&gt;Onde o mais simples vira hilariante,&lt;br /&gt;Onde o comum fica impressionante.&lt;br /&gt;Meu sentimento fica mesmo assim! Fora do caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo muito mais que amigos&lt;br /&gt;Muito menos que amantes.&lt;br /&gt;Vivendo o inusitado,&lt;br /&gt;Freando o exagerado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca vivi ilusão parecida,&lt;br /&gt;Onde eu tento não falar,&lt;br /&gt;Não procurar e não pedir,&lt;br /&gt;Não agradar e não mentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sorrir e nem fingir,&lt;br /&gt;Não beijar e nem abraçar,&lt;br /&gt;Não ir e nem esperar.&lt;br /&gt;Nunca vivi emoção parecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fujo de você para meu sentimento diminuir,&lt;br /&gt;Fujo sem avisar que fui e fico esperando.&lt;br /&gt;Imaginado se vai me seguir&lt;br /&gt;Ou se vai continuar pensando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procuro qualquer desculpa,&lt;br /&gt;Por um suspiro ou olhar.&lt;br /&gt;Qualquer desculpa&lt;br /&gt;Por um beijinho ou cantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amor incondicional,&lt;br /&gt;Um fator irracional,&lt;br /&gt;Tão bom, feliz e solitário.&lt;br /&gt;Um cárcere privado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vejo tudo tão grandioso,&lt;br /&gt;Para você normal.&lt;br /&gt;Crio táticas para sair vitorioso&lt;br /&gt;E continua tudo tão banal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contando horas lendo um jornal,&lt;br /&gt;Na sua casa ou parados no sinal.&lt;br /&gt;Pensando em você para manter minha rotina&lt;br /&gt;De não ter pressa de viver a vida...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-1564332344821187421?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/1564332344821187421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=1564332344821187421' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1564332344821187421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1564332344821187421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/05/f_02.html' title='Fã'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-1822818572514284028</id><published>2007-04-23T18:55:00.000-03:00</published><updated>2007-04-23T19:02:41.416-03:00</updated><title type='text'>Meu Espelho de Moldura Laranja</title><content type='html'>Era um dia como outro qualquer, numa semana como outra qualquer. O mês, um outro qualquer (onde subentende-se não ser Agosto), em um ano sem graça, daqueles que só passam, e dez anos depois você lembra sem saudade nem desprezo, você só lembra. O ano vira um número; vira uma foto sua com um boné esquisito ou uma blusa diferente - Coisas da sua idade no tal ano em que a foto foi tirada.&lt;br /&gt; O personagem - que não era um qualquer - lia uma introdução sem graça, uma dessas que de tão ruim chega no nível "Auto-Ajuda", uma introdução bem parecida com essa. Naquela Quinta-Feira ele acordou, e levantou-se sem muita energia potencial gravitacional. Dormia simplesmente em cima de dois colchões rechonchudos e mal forrados (por um lençol que ficaria naquela posição absurda e confortavel até a nova hora de dormir).&lt;br /&gt; Foi para o banheiro, olhou-se no espelho pequenino - de moldura laranja-banheirinho-de-empregada - e comeu pasta de dente. Inutilmente mexeu no cabelo. Seus entes sempre recomendaram urinar ao acordar, e ainda que estivesse apertado, não o fez.&lt;br /&gt; Foi pra sala, reparou na decoração: nenhum móvel. Sorriu por ver a casa arrumada. Andou na direção da janela enorme já com um sorriso de lado, imaginando qual seria a programação da sua televisão exclusiva de 200 polegadas, e dessa vez era o seu programa favorito: a moça que passeava com o carrinho de bebê em frente ao açougue do português que acenava o boné branco para a mulata de biquini do outro lado da rua, em frente à banca de jornal daquele velhinho que lembrava muito o tal do Abacuc.&lt;br /&gt; Ele já vira esse programa, assistia-o todos os dias, adorava! Foi só ajeitar o contraste e o sol de uma Quinta-feira de inverno ficou perfeito.  Pronunciou para si mesmo, como se estivesse dando uma palestra a nível de quarto grau: "já repararam como o sol das Quintas-feiras durante o inverno é lindo?" - Ninguém respondeu, mas ele concordou. Foi então que sentiu uma certa fome, e a sensação gloriosa de que tinha comida disponível era ótima. Porque não um pãozinho na hora do almoço? Foi até seu armário, e pegou a única coisa que estava dentro: uma folha de papel A4, a sua favorita.&lt;br /&gt; Não quis comer assim, seco, cru. Sofreu por trinta e sete décimos de segundo até lembrar-se onde estava a faca de manteiga, e já munido de caneta, preparou seu pão. Depois de escrever cuidadosamente como foi seu dia, fazendo questão de começar com uma introdução sem graça, como essas de livros de "Auto-Ajuda", assinou, dobrou a folha cuidadosamente, e comeu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-1822818572514284028?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/1822818572514284028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=1822818572514284028' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1822818572514284028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1822818572514284028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/04/meu-espelho-de-moldura-laranja.html' title='Meu Espelho de Moldura Laranja'/><author><name>E:</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11061174563973938427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-1975195180600376964</id><published>2007-04-16T01:13:00.000-03:00</published><updated>2007-04-16T01:25:07.254-03:00</updated><title type='text'>Tentarei o Suicídio, e Morrerei de Tanto Rir.</title><content type='html'>Aos habitués desse espaço virtual, apresento-me. Prazer, Eduardo. Houve um dia em que dei meus testemunhos por esses cantos, mas eles foram sobrepostos pela minha falta de falta de tempo, e nunca mais tive oportunidade de participar do "randevu". Seja do palco, ou da platéia. Aproveito a oportunidade - onde construi meu próprio tempo - para anunciar minha volta. Peço humildemente ao pai Felipe, o retorno do filho pródigo. E o que mais de próspero eu poderia anunciar com a minha chegada, se não meu novo fracasso como cidadão, e minha conseqüente ascensão enquanto gente. Sim, são grandezas indiretamente proporcionais. Esforcei-me, juro, para ter um emprego, ser um dito cidadão respeitado ganhando quatro mil cruzeiros por mês. Esforcei-me mais até do que deveria. Violei meus princípios, e abri mão da vida, pela vidinha. Felizmente, percebi a tempo, e me demiti hoje. Sim, tenho que me mudar em dezessete dias, e acabo de demitir-me. Aliás, confesso não ser a primeira vez. Acontece que expor esses problemas aos olhos leitores que esperavam por batalhas sangrentas e cotidianas não é em vão. Anuncio aqui - como naquela cena em "O Vento Levou" - que de hoje em diante meu único compromisso é com o álcool, com as mulheres, e com as palavras. E ai delas que tornem-se hipócritas. Misturo-as com gelo, limão e açucar - as mulheres e as palavras. O álcool é puro. Reinicia-se aqui, minha ex-futura-nova aventura literária virtual. Leitores acíduos de todos os esgotos mais refinados da Lapa: Uni-vos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-1975195180600376964?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/1975195180600376964/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=1975195180600376964' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1975195180600376964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/1975195180600376964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/04/tentarei-o-suicdio-e-morrerei-de-tanto.html' title='Tentarei o Suicídio, e Morrerei de Tanto Rir.'/><author><name>E:</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11061174563973938427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-8533273843834069096</id><published>2007-04-13T00:04:00.000-03:00</published><updated>2007-04-17T21:30:26.471-03:00</updated><title type='text'>merit-djet</title><content type='html'>Te acalma mundo, que não vou a lugar nenhum&lt;br /&gt;Cessa tua pressa, esse teu giro de um suspiro&lt;br /&gt;Dá-me um crédito, uma folga, um descanso, um alento,&lt;br /&gt;Ou que corra, coisa à toa!&lt;br /&gt;Só empresta-me um momento...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me fujas mais ao dedos, se eu o detenha em minha mãos&lt;br /&gt;Volta antes ao que era, lento em sua revolução&lt;br /&gt;Onde eu era tão mais leve, embora tão mal eu soubesse&lt;br /&gt;Que esse teu desvairo me adormece a cabeça,&lt;br /&gt;Me entorpece o coração...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde vai com aqueles que amo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, vejo afinal o que fazes, que compreende&lt;br /&gt;E diante de mim tu se desdobra, se derrama&lt;br /&gt;Se distende, em outros mil iguais&lt;br /&gt;Confundindo, envolvendo, a mim e tantos outros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Presta atenção pois que se hoje te exorciso,&lt;br /&gt;Em versos e choros e sonhos e risos&lt;br /&gt;amanhã tão cedo antes que te aperceba&lt;br /&gt;Eu te descubro, te desbravo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu te conquisto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não vá ousar você duvidar de minha ventura&lt;br /&gt;Que o faço! Mão atada às costas, sem um pingo de bravura&lt;br /&gt;Há quem dirá ser loucura, creio eu em desespero&lt;br /&gt;A despeito do que digo, ponha fé no meu ensejo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E acautela-te mundo, que hei de ir onde quiser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-8533273843834069096?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/8533273843834069096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=8533273843834069096' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/8533273843834069096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/8533273843834069096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/04/merit-djat.html' title='merit-djet'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-4406806237383168212</id><published>2007-04-12T11:40:00.000-03:00</published><updated>2007-04-12T11:59:39.426-03:00</updated><title type='text'>Consciência do Sentir</title><content type='html'>Pra ser terrivelmente sincero creio que se faça necessária não mais que uma tarde de questionamento pra que um se dê conta de que não há tempo de preocupar-se com o mundo. O dilema individual é infinitamente maior, o particular. Por quê? Porque ele se dá em nós, o do mundo não. O do mundo eu assisto daqui. E os nós que tenho de desatar parecem mais apertados, mais cegos que os outros. No mínimo mais relevantes.&lt;br /&gt;     Creio também ser esse o problema das pessoas, elas precisam convencer a si mesmas de que se importam com o mundo. Mesmo as que de fato fazem algo pra melhorá-lo (tão tão poucas) fazem tão só por não suportarem esse em que vivem.&lt;br /&gt;     Outra coisa que as pessoas é buscar excusas para fazer o que querem. Como se precisassem de outra justificativa que não a vontade. Ora porra, não tem de haver pretexto pra amar e odiar e pegar e largar as pessoas, as coisas. Quer desistir de um sonho? Talvez pegar um novo, deixar o noivo no altar e fazer tricô. Ninguém é bom ou mal, &lt;em&gt;there's not such a thing&lt;/em&gt;. E tanta gente se esforçando pra ser um ao invés de outro acaba sendo, veja que tristeza, merda nenhuma.&lt;br /&gt;     Eu particularmente gosto de crer num pacto que firmamos previamente consigo mesmos: "você vai ser então o Severo, parte do todo. Como o &lt;span style="color:#ffff33;"&gt;resto do todo&lt;/span&gt; você deve ser responsável por si próprio, como todos os outros, é isso, não tem erro!"&lt;br /&gt;Mas nada disso. Eu tenho de fingir que é melhor eu me machucar pra que outro saia ileso. Não que eu não sinta desse modo às vezes, mas agem por aí como se houvesse uma cartilha de bacaneza como se devêssemos agir com todos da mesma forma. Eu não, vão se lascar! Me sacrifico por A e não por B(como todo mundo), e o faço de peito aberto (como nenhum mundo). Para tal preciso apenas sentir. E dos que realmente me importo são poucos os que não me amam. Olhar pra dentro e não pra fora, o melhor que você que pode fazer por você. E pelo mundo.&lt;br /&gt;     Não estou dizendo que é bonito. Mas vos digo que é assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-4406806237383168212?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/4406806237383168212/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=4406806237383168212' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/4406806237383168212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/4406806237383168212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/04/conscincia-do-sentir.html' title='Consciência do Sentir'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-4909632301032666105</id><published>2007-04-11T01:49:00.000-03:00</published><updated>2007-11-27T22:50:29.011-02:00</updated><title type='text'>A despedida</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;“Vai passar, vai passar”&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Juro que quando ouvi o seu conselho pela a primeira vez, não conseguia acreditar que era comigo que isto acontecia, você se despedia de mim dizendo que minha dor pela a sua perda passaria riu e disse-me: “Vai passar”. Caguei-me de medo, afinal eu lutava arduamente para tal sentimento não passar. Sabia que tu tinhas razão, passaria e nada haveria de fazer, só não poderia ficar feliz com isso...&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;De começo, notei que buscar este amor que houvera partido em nada me traria paz, apenas mágoas e preocupações, mas mesmo assim tinha a certeza que a amava. Preferia até mesmo as mágoas e as preocupações do que as alegrias e as felicidades que eu tinha antes desta certeza. Durante algum tempo, semanas, busquei o amor na tentativa que você compreendesse, aceitando o meu amor e que pudesse talvez retribuí-lo da forma que conseguisse. Mas em nada logrei: além de me magoar e de me sentir um tolo,  mesmo assim não fui capaz de me separar disto. Concedi mais um pouco de tempo, lutei mais uma vez para conquistar-te através do carinho, da paciência, tentando aliciá-la. Sem compreender que o mais fácil seria era deixá-la seguir seu próprio curso, mas o caminho mais fácil muitas vezes é o mais difícil a ser seguido.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Por que eu não tentei impor minha vontade? Por que não tentei vingar-me para chamar atenção? Por que não tentei castigá-la? Não, não fiz nada disso, não a obriguei a nada, não bati, não exigi, não dei nenhuma ordem, porque sabia que nada dessas tentativas mais brutas adiantariam. Ainda mais por saber que as palavras carinhosas são mais forte que as palavras duras. Fiquei muito chateado quando não entendia porque não retribuía com amizade simplória o meu amor, pois de você naquele momento aceitaria qualquer migalha, qualquer olhar mais singelo, mas não o fez. Enganei a mim mesmo achando que você deveria fazer e o engano foi mais redondo quando não notei que exercia uma coação sobre você. Quando não tentava chamar a sua atenção através de palavras duras, de xingamentos, de raiva pela dor que me infringiu anteriormente. Eu exercia tal coação quando lhe chateava com o meu mimo, quando aborrecia você e amargurava sua idéia sobre mim, com minha paciência de lhe tecer palavras de carinho. E quanto mais você amargurava mais me humilhava e ainda assim residia em mim, carinho e paciência. Hoje vejo o quanto foi inútil insistir em tentar medir a nossa pulsação, precisamente porque os nossos corações não batiam no mesmo ritmo, e duro admitir, mas vejo claramente o quanto fui insuportavelmente chato.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Muitas vezes procurei em mim, muitas vezes pensei nisso, mas não conseguia abandonar-lhe, mesmo sabendo que eu já tinha o feito algumas vezes. Mesmo sabendo que teve uma época que você também tentou me coagir com o carinho e com a paciência, e eu me aborreci por demais. Tentei você, admitindo este ridículo, meu e seu. E é isso que separa os homens sábios dos tolos, abandonar-se, entregar-se por inteiro a outra pessoa, a ponto de esquecer quem és e de cometer várias sandices e disparates por amor. Talvez seja isso que separe os sábios dos tolos quando amam. Quando partiu me transformei imediatamente, sofria, perdi-me em meu próprio amor, mas apesar deste sofrimento miserável, por alguns instantes ainda me sentia imensamente feliz e satisfeito pelo o grande crescimento poético e sentimental, explorando a delícias deste tormento, as delícias de tornar-se tolo.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Já tu, apenas me tolerava, e muitas vezes até me humilhava com seus discursos ou então com sua peculiar frieza, eu não tinha mais nada que lhe encantasse ou inspirasse, nada que fosse relevante para curar a indiferença que se instaurou entre eu e você, nada que não fosse a enfadonha paciência e o maldoso carinho. Não deveria tê-la culpado, pois como disse acima, realmente me tornei chato. Com o tempo foi nítido que não fiz nenhum avanço, pelo contrário, e com o advento do passar dos dias notei que era melhor não mais tentar, que tu escapulisse dos meus pensamentos, das minhas noites. Notei que sofria demasiadamente e no entanto todas as minhas dores eram absurdas, das quais eu deveria rir mais do que chorar. Notei que não mais era preciso, não era mais útil, não deveria então mais me apegar a isso. Doía mais a fuga do amor do que o próprio amor que se manteve intacto, doeu mais à fuga do palpável, percebi que a ferida que me fora aplicada era para ser curada e não para tentar alargar, não era para tentar aumentar a dor. Compreendi então o que vivia a cantarolar sem erudição alguma; “Para quem sabe olhar, a flor também é ferida aberta e não se vê chorar”, então decidi que deveria fazer desta minha ferida uma flor e cessar o meu pranto. E com a mesma facilidade que tantas vezes criei uma paixão, dava fim a está. Minha ferida transformou-se flor, minhas mágoas desapareceram, e eu voltei a ser eu, voltei a ter unidade, nem sábio, nem tolo.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Nunca deixamos de amar aquilo que amamos um dia, ainda mais quando estamos satisfeitos consigo mesmo. E todo o sentimento que não encontra uma solução final, voltará a doer, mesmo que em uma outra situação ou outro momento, pois bem, este sentimento encontrou sua solução final e mesmo assim nunca deixou de ser amor, apenas deixou de ser amado.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;“Já passou, já passou”&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-4909632301032666105?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/4909632301032666105/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=4909632301032666105' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/4909632301032666105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/4909632301032666105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/04/despedida.html' title='A despedida'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-7021465000080288404</id><published>2007-04-09T18:06:00.000-03:00</published><updated>2007-04-09T18:17:31.183-03:00</updated><title type='text'>Temporadas de amor (continuando)</title><content type='html'>Dias que eu me encontro&lt;br /&gt;Tem sido os dias que tenho estado contigo&lt;br /&gt;Dias que tenho ficado mais perto de mim&lt;br /&gt;E longe de todos&lt;br /&gt;Dias de me sentir normalmente louco&lt;br /&gt;São nesses dias em que encontro abrigo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias contados, imaginados&lt;br /&gt;Que por me esperares tão pacientemente&lt;br /&gt;Nos tempos que eu mesma não me tinha&lt;br /&gt;Hoje, me tens por inteira&lt;br /&gt;É em você que tem sido meu abrigo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias que dividimos a melodia&lt;br /&gt;Onde a harmonia nunca é tediosa&lt;br /&gt;E é nela, na canção, que também nos encontramos&lt;br /&gt;Dias em que dividistes, comigo, o que tens de melhor&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Dias em que divido contigo&lt;br /&gt;O que andava escondido&lt;br /&gt;Dias em que te "sorrio de graça"&lt;br /&gt;Porque me fazes sorrir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Temporadas de amor"&lt;br /&gt;Tempos de dizer que tudo vale a pena&lt;br /&gt;Por saber que o tenho em minha vida&lt;br /&gt;E por dividires comigo o seu bem comum&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que é o de expandir em minha vida&lt;br /&gt;O que andava perdido e desiludido&lt;br /&gt;Por teres me dado a mão&lt;br /&gt;E ter me recordado&lt;br /&gt;Que imprescindível mesmo é o amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias de Fernando, Daniel e Creuza&lt;br /&gt;Dias de harmonia e melodia&lt;br /&gt;Dias de poesia&lt;br /&gt;Dias que acrescentamos as nossas vidas com louvor&lt;br /&gt;Dias em que meço minha vida com amor&lt;br /&gt;São mesmo os dias em que te tenho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tenho amigos para saber quem eu sou". Oscar Wilde&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-7021465000080288404?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/7021465000080288404/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=7021465000080288404' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/7021465000080288404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/7021465000080288404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/04/temporadas-de-amor-continuando.html' title='Temporadas de amor (continuando)'/><author><name>Miss Jane</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05812097842134408993</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-533897305110660326</id><published>2007-04-09T13:55:00.000-03:00</published><updated>2007-04-09T14:08:46.908-03:00</updated><title type='text'>O dia em que estou com você, são os dias que me encontro mais</title><content type='html'>Já cometi a tolice de dizer que era capaz de viver sem...&lt;br /&gt;Sem saber que nunca vivi sem amor&lt;br /&gt;Hoje, digo: Se não tivesse amor, de nada valeria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O doce que ganhei na Páscoa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Ser Clicia (Daniel Coelho)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não precisas de filtro solar, moda ou boas maneiras&lt;br /&gt;Se não precisas de medo&lt;br /&gt;E temes sim, e somente, o teme a vida&lt;br /&gt;Vives de dentro pra fora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sê drogada de liberdade&lt;br /&gt;Vitima, aos berros, de overdoses de sentir&lt;br /&gt;Numa cor luz que foge das prisões de sua alma&lt;br /&gt;Marcadas em seus pulsos: tatuagens do eterno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também chores, claro&lt;br /&gt;Que sua força, edificada em crença, a faça enxergar&lt;br /&gt;A fraqueza em ser Clicia&lt;br /&gt;O tanto que pagamos por dar valor ao que não tem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sê assim:&lt;br /&gt;Sorriso de graça, sorriso que passa, sorriso que marca&lt;br /&gt;Impossível de comprar&lt;br /&gt;Pois tão fácil de amar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"How do you measure&lt;br /&gt;A year in the life?&lt;br /&gt;How about love?&lt;br /&gt;measure in love&lt;br /&gt;Seasons of love&lt;br /&gt;Measure your life in love"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Musical RENT&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-533897305110660326?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/533897305110660326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=533897305110660326' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/533897305110660326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/533897305110660326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/04/o-dia-em-que-estou-com-voc-so-os-dias.html' title='O dia em que estou com você, são os dias que me encontro mais'/><author><name>Miss Jane</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05812097842134408993</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-7248349414517616536</id><published>2007-04-02T21:01:00.000-03:00</published><updated>2007-04-02T21:08:54.659-03:00</updated><title type='text'>File Not Found</title><content type='html'>www.amigos.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá vamos nós entrar no metrô e fazer bagunça, e rirmos uns dos outros, e cantar e dançar, e beber guaraná grátis.&lt;br /&gt;Nunca ganhei tantos abraços na minha vida.&lt;br /&gt;A gente se amontoa pra tirar aquela foto, cada um fazendo careta, do tipo que os chatos diriam "que infantilidade".&lt;br /&gt;E a gente se junta com os outros malucos de plantão, pra comer pizza e dar risada, pra contar piada e dançar, e esconder a sandália daquela nossa amiga.&lt;br /&gt;Cabelo vermelho, piercing no nariz, touca, óculos, camiseta, cartola, cabelo comprido, all star. Chuva.&lt;br /&gt;Apertar a bochecha e abraço grupal. Video game, desenho animado, cinema e caipirinha.&lt;br /&gt;Metrô, ônibus e a gente se fala pelo Icq.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;www.saudades.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Responsabilidade.&lt;br /&gt;Faculdade, trabalho, emprego, monografia.&lt;br /&gt;Cansaço, stress, acima do peso e remédios.&lt;br /&gt;Aquela banda que era tão legal se desmanchou.&lt;br /&gt;Disk lanche no final de semana.&lt;br /&gt;Outra cidade, outra vida.Outro país.&lt;br /&gt;Cabelo curto, terno e gravata. Word, Excel, Power Point.&lt;br /&gt;Emos. Borat. Sem Nome. Pintura.&lt;br /&gt;Meu celular com câmera digital. Foto no orkut.&lt;br /&gt;Quanta "adultilidade".&lt;br /&gt;Nenhuma mensagem de aniversário no MSN.&lt;br /&gt;Açaí, açaí, açaí.&lt;br /&gt;Tão sério que mata o que é bom na vida.&lt;br /&gt;Será que nunca mais vou receber um abraço?&lt;br /&gt;Te encontro por aí, se puder...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-7248349414517616536?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/7248349414517616536/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=7248349414517616536' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/7248349414517616536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/7248349414517616536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/04/file-not-found.html' title='File Not Found'/><author><name>Rinoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14199996507076775001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-5395702223616198887</id><published>2007-03-31T01:14:00.000-03:00</published><updated>2007-06-09T01:23:50.075-03:00</updated><title type='text'>Não-falando de economia</title><content type='html'>O mundo é vasto não? Insondável e misterioso.&lt;br /&gt;Também o são as relações humanas, seu legado, sua estrutura e suas dinâmicas.&lt;br /&gt;Desse modo como poderia eu discorrer do que entendo?&lt;br /&gt;Nada.&lt;br /&gt;Isso é que entendo. E ainda assim quero discorrer.&lt;br /&gt;Quem quer falar fala o que quer, quer entenda do que fala, quer não, bastando apenas o querer. Saber é o de menos. Vamos falar de araras.&lt;br /&gt;Elas são agressivas? Talvez.&lt;br /&gt;Figuram dentre as mais selvagens, irascíveis e violentas feras da natureza? Decerto não o são.&lt;br /&gt;Mas não raro vou esbarrar-me com figuras dizendo: "tome cuidado, beltrano está uma arara contigo!" ou até mesmo "hoje fiquei uma arara!"&lt;br /&gt;Hurm.&lt;br /&gt;Que porra é essa, eu vos pergunto.&lt;br /&gt;Araras não são furiosas ou temerárias. Até hoje só as vi em gaiolas.&lt;br /&gt;Comendo fibras ou sementes, repetindo frases com exatidão ou penduradas no poleiro, presas pelas patas as araras são uma merda e creio ser essa a regra para a qual não há exceção.&lt;br /&gt;Papagaios também são uma bosta.&lt;br /&gt;Curupaco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-5395702223616198887?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/5395702223616198887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=5395702223616198887' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/5395702223616198887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/5395702223616198887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/03/no-falando-de-economia.html' title='Não-falando de economia'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-3807949055093973620</id><published>2007-03-29T18:21:00.000-03:00</published><updated>2007-03-29T18:27:22.806-03:00</updated><title type='text'>Brindemos</title><content type='html'>Essa minha vida desregrada&lt;br /&gt;Que tem me acordado com a cara arrebentada&lt;br /&gt;Onde a cabeça pesa e o corpo todo pede água&lt;br /&gt;Essa minha vida louca&lt;br /&gt;Onde meus amigos, finalmente, se tornaram meus&lt;br /&gt;Onde aqueles que por muito me esperaram, &lt;br /&gt;Digo que sou seus!&lt;br /&gt;Onde na nossa amizade, jamais criamos regras&lt;br /&gt;E por favor! Jamais criem!&lt;br /&gt;Porque no fim, nem que seja ao fim,&lt;br /&gt;Estamos sempre todos juntos&lt;br /&gt;Onde o porre de um,&lt;br /&gt;Tem remetido a bebedeira, do dia anterior, de todos&lt;br /&gt;Cansa. Não nego.&lt;br /&gt;Estar de porto em porto, às vezes, &lt;br /&gt;Me faz querer parar em um&lt;br /&gt;Mas logo passa, &lt;br /&gt;Quando lembro que por muito tempo&lt;br /&gt;Fiquei atracada&lt;br /&gt;De quando cansei de não estar cansada&lt;br /&gt;Da esquerda, peguei a direita&lt;br /&gt;E dizem que por ai tem "solidão medonha"&lt;br /&gt;Mas que tenha e que venha!&lt;br /&gt;Porque na solidão de um&lt;br /&gt;Comprovo que existe a companhia do outro&lt;br /&gt;E assim, vamos indo&lt;br /&gt;Pelo mesmo caminho&lt;br /&gt;Por enquanto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Dá-me uma mão a mim&lt;br /&gt;E a outra a tudo que existe&lt;br /&gt;E assim vamos os três pelo caminho que houver,&lt;br /&gt;Saltando e cantando e rindo&lt;br /&gt;E gozando o nosso segredo comum&lt;br /&gt;Que é o de saber por toda a parte&lt;br /&gt;Que não há mistério no mundo&lt;br /&gt;E que tudo vale a pena"&lt;br /&gt;F. Pessoa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-3807949055093973620?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/3807949055093973620/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=3807949055093973620' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/3807949055093973620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/3807949055093973620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/03/brindemos.html' title='Brindemos'/><author><name>Miss Jane</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05812097842134408993</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-2253770517259142227</id><published>2007-03-27T21:35:00.000-03:00</published><updated>2007-03-27T21:43:54.432-03:00</updated><title type='text'>Colchão de Solteiro</title><content type='html'>Devagar, despeja peça por peça pelo o chão.&lt;br /&gt;De inicio, lentamente arruma o cabelo,&lt;br /&gt;Aproveitando-se do breu para criar suspense e excitação.&lt;br /&gt;Ansioso e eufórico, aguardo o seu desfecho,&lt;br /&gt;Deixando o seu brilho enaltecer o meu desejo.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Calado, respiro no colchão.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNormal"&gt;Com os pés descalços, olha para mim sem ter o que admirar.&lt;br /&gt;Para me deliciar, repousa seus olhos em meu corpo,&lt;br /&gt;Aproveitando-se do breu para me tresloucar.&lt;br /&gt;Excitado e calado, aguardo o seu jogo,&lt;br /&gt;Respirando fundo quando sua língua me deixa de molho.&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;Calado, transpiro no colchão.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;            &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quando o raiar do dia invade a nossa exposição,&lt;br /&gt;Nada além da felicidade atreve-se a me importar.&lt;br /&gt;Aproveitando-me de seu descaso, admiro-lhe com paixão;&lt;br /&gt;Sonolento e cansado, aguardo o seu despertar,&lt;br /&gt;Sem pressa de vê-la acordar.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Calado, sorrio no colchão.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNormal"&gt;Rápida, pede desculpas com a pressa pela pressa.&lt;br /&gt;Ao fim, perturba-se com o eterno descuido que é viver,&lt;br /&gt;Aproveitando-se do meu cochilo, bate a porta depressa.&lt;br /&gt;Saudoso e iludido, aguardo o anoitecer,&lt;br /&gt;Sem receio do que me possa acontecer.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Calado, durmo no colchão.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-2253770517259142227?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/2253770517259142227/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=2253770517259142227' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/2253770517259142227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/2253770517259142227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/03/colcho-de-solteiro.html' title='Colchão de Solteiro'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-2911819952817601237</id><published>2007-03-27T03:24:00.000-03:00</published><updated>2007-03-27T03:25:03.846-03:00</updated><title type='text'>Colchão de Casal</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu sinto vontade de resgatar você&lt;br /&gt;Livrá-la desse mundo de sonhos.&lt;br /&gt;Para depois você ter que se virar&lt;br /&gt;No meu mundo de sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com essa disposição que eu encarei os seus olhos,&lt;br /&gt;Manchados sem porque ou explicação.&lt;br /&gt;Depois de atrasos, aventuras e discussões,&lt;br /&gt;Conversamos deitados no colchão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sair de noite, porque não?&lt;br /&gt;Entre risos e desabafos tudo fluindo sem intenção.&lt;br /&gt;E a madruga chega sem avisar,&lt;br /&gt;Outra vez, deitados no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que nos amanhece o dia,&lt;br /&gt;Eu te abraço com o susto dos relâmpagos.&lt;br /&gt;Logo eu, que nada tenho a temer,&lt;br /&gt;Temendo o amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me deixa dormir, e quando os olhos se fecham,&lt;br /&gt;Logo o meu corpo vibra, tomo um susto, sonho e estou acordado.&lt;br /&gt;Tenho alucinações, olho no espelho e não me vejo,&lt;br /&gt;Minha consciência leve me superestima e não se importa com labirintos e multidões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiro sua ausência para descansar e pensar nos dias que se passaram&lt;br /&gt;E já nem lembro os dias que dormi em casa.&lt;br /&gt;Mas lembro todos ao seu lado,&lt;br /&gt;Não! Não irei desistir de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando você deita de costas para o mundo,&lt;br /&gt;Eu ainda estarei de frente para você.&lt;br /&gt;Mesmo que meus olhos estejam pesados,&lt;br /&gt;Só fecharei quando não poder mais lhe ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contar do meu passado e minha excitante filosofia,&lt;br /&gt;Você cai no sono sem nem avisar, sem saber.&lt;br /&gt;Chamo seu nome baixinho,&lt;br /&gt;Sem resposta, me calo e vigio sua respiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vigio seu corpo e as marcas das bocas,&lt;br /&gt;Minhas marcas sobre marcas antigas.&lt;br /&gt;Conto todas as batidas do seu coração,&lt;br /&gt;E de acordo com o ritmo, imagino, com quem está sonhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao amanhecer me despeço com um simples beijo e assim que chego em casa, deito no sofá.&lt;br /&gt;Sinto como se tudo tivesse acabado, como se fechar os olhos fosse despertar do sonho da realidade.&lt;br /&gt;Então, deito em silêncio, penso em você,&lt;br /&gt;Caio no sono sem nem avisar, sem saber.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-2911819952817601237?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/2911819952817601237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=2911819952817601237' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/2911819952817601237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/2911819952817601237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/03/colcho-de-casal.html' title='Colchão de Casal'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-3466727472765670531</id><published>2007-03-22T22:41:00.000-03:00</published><updated>2007-03-22T23:10:35.220-03:00</updated><title type='text'>Let it be</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Vem você chegando perto de mim&lt;br /&gt;Devagar, arrepiando todo meu corpo.&lt;br /&gt;Eu peço que não venha, peço que vá embora,&lt;br /&gt;Você chega sem meu ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem chegando sempre de meia em meia hora&lt;br /&gt;Não adianta pedir.&lt;br /&gt;Eu rezo que não venha, me entrego, vou embora,&lt;br /&gt;E eu ouço Adriana Calcanhotto se repetir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu não acho as palavras”.&lt;br /&gt;Então sento, rolo e finjo de morto.&lt;br /&gt;Meus amigos dizem “não venha”, eles desistem e vão embora,&lt;br /&gt;Eu ouço baixinho “Let it be”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“I wake up to the sound of music”,&lt;br /&gt;Todas as vezes que eu cheiro seu cabelo.&lt;br /&gt;Fecho os olhos “não venha”, não me faça ir embora,&lt;br /&gt;Ouço sua voz me partir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não quero mais não”&lt;br /&gt;E toda a vez que ouço essa combinação,&lt;br /&gt;Quero mais é que venha e me leve daqui&lt;br /&gt;E de três em três choro até dormir;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem você chegando perto de mim&lt;br /&gt;Rápido, mudando a cor dos meus olhos.&lt;br /&gt;Dizem que sem tristeza não existe beleza&lt;br /&gt;Então venha e me leve daqui.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-3466727472765670531?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/3466727472765670531/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=3466727472765670531' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/3466727472765670531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/3466727472765670531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/03/let-it-be.html' title='Let it be'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-3406197001919033060</id><published>2007-03-19T12:32:00.000-03:00</published><updated>2007-03-19T12:39:48.522-03:00</updated><title type='text'>Enquanto isso...</title><content type='html'>Queria poder te negar&lt;br /&gt;Negar como já te nego&lt;br /&gt;Mas negar o que me tens de melhor&lt;br /&gt;Queria poder negar-te a alma&lt;br /&gt;Assim como nego meu corpo&lt;br /&gt;Que é a única coisa que podes enxergar&lt;br /&gt;Negar todo esse pulsar,&lt;br /&gt;Toda essa explosão dentro de mim&lt;br /&gt;Toda essa dor que não te vale&lt;br /&gt;Queria negar cada pensamento em ti&lt;br /&gt;Tirar-te de qualquer plano&lt;br /&gt;Quando penso em tornar minha vida&lt;br /&gt;Em algo maior do menor que sempre fui&lt;br /&gt;Simplesmente poder dormir&lt;br /&gt;Acordar e pensar em nada&lt;br /&gt;Mas bem sei que não é assim&lt;br /&gt;E é uma batalha injusta&lt;br /&gt;Luta que nem se é luta&lt;br /&gt;Luta que você não luta&lt;br /&gt;Luta vã, descabida, incoerente por si só&lt;br /&gt;E mesmo assim...&lt;br /&gt;Eu não tenho a menor chance&lt;br /&gt;Nunca tive, nunca quis escolher-te...&lt;br /&gt;Só de pensar em não lembrar...&lt;br /&gt;Eu tento matar você de dentro de mim&lt;br /&gt;Mas eu perco, sempre perco&lt;br /&gt;E entendo que matar ou deixar morrer&lt;br /&gt;Nunca me foram opções&lt;br /&gt;Nunca foi tão somente&lt;br /&gt;Uma questão de dar o primeiro passo&lt;br /&gt;Porque tentar te matar é suicídio&lt;br /&gt;E deixar morrer é homicídio&lt;br /&gt;E eu me rendo&lt;br /&gt;Rendo-me ao não te ter&lt;br /&gt;Rendo-me...&lt;br /&gt;A ventura de um novo amor&lt;br /&gt;Que ao menos seja&lt;br /&gt;Ou a ventura de um dia, ainda&lt;br /&gt;Havermos de ser,&lt;br /&gt;Ou não...&lt;br /&gt;Nem morrer, nem matar&lt;br /&gt;Deixa estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E não há alegria mais verdadeira e cálida neste mundo do que ver uma grande alma que se abre inteira para nós" Goethe&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-3406197001919033060?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/3406197001919033060/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=3406197001919033060' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/3406197001919033060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/3406197001919033060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/03/enquanto-isso.html' title='Enquanto isso...'/><author><name>Miss Jane</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05812097842134408993</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-635384109841503242</id><published>2007-03-16T20:43:00.000-03:00</published><updated>2007-03-17T12:52:06.745-03:00</updated><title type='text'>Para Creuza</title><content type='html'>Quando te encontrar quero te pedir um favor, por favor soque a minha cara com o seu golpe mais forte e doloroso, pedirei igualmente, que me cuspa no rosto com a saliva mais doente que tiver, para não falar que saí só perdendo, vou pedir uma gentileza quando eu virar de costas feliz da vida, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;me golpeie velozmente com uma faca, pelas costas, uma, duas ,três até chegar à vez do Brutus, da qual pedirei para não poupar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Pedirei "Ai", dói pedir, que quando eu cair me ache feio e ria do meu comportamento mundano de devolver o sorriso, e perdoe a gargalhada de prazer que me trará essa dor nova que me causará.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Pedirei que não se assuste com minha condição atual, nem se eu abanar o rabo, ou dar a pata, nem se correr com a coleira na boca para você me levar para passear feliz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Nem me culpe tão somente se após tudo isso eu for eternamente grato, até porque fui eu quem pediu por tudo isso.&lt;br /&gt;Peço que costure meus lábios com náilon para eu não lhe contar mais mentiras por a verdade ser trivial demais e peço que amarre meus dedos para não sair mais textos desinteressantes e sem proveito como esse.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;E se ainda não satisfeito com esse desfecho, digno de um cão, pedirei para pisar no meu peito, esmagar esse coração e fazê-lo morrer de hemorragia.&lt;br /&gt;Pedirei mil perdões quando eu, sem um pingo de sentimento após a morte do meu coração, disser que eu usei o coração que eu tinha em vão, desculpas todas às vezes que eu disser que amei em vão, desculpe então se lutei até o fim. E se exigi um tratamento de ferro e fogo, pedindo para matar o que eu tinha de mais precioso.&lt;br /&gt;É que eu sou um tolo, mas quem não é?&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:9;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ninguém, por grande ou pequeno que seja, poderá perder-se a não ser por meio de suas próprias mãos" - Oscar Wilde&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-635384109841503242?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/635384109841503242/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=635384109841503242' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/635384109841503242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/635384109841503242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/03/para-creuza.html' title='Para Creuza'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-5154082870791870444</id><published>2007-03-15T00:14:00.000-03:00</published><updated>2007-03-15T19:50:17.465-03:00</updated><title type='text'>Sonhos sonhos são... Parte 1</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: center; font-weight: bold;" class="MsoNormal"&gt;Sombrio e nevando&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Acordei como sempre, atrasado para o trabalho, me arrumei rapidamente e saí correndo. No caminho lembrei que deveria antes de ir ao emprego passar no meu psicólogo para pegar o resultado de anos de consulta. Só que no caminho lembrei também que eu tinha que passar no fórum &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;para falar com uma menina da qual na noite anterior tinha marcado de irmos ao motel mais tarde. Só que além de atrasado para o psicólogo e já tão cedo atarefado, lembrei que ia tomar um baita esporro no trabalho porque apesar de estar voltando de carnaval na sexta, eu tinha me esquecido de cumprir toda a minha tarefa, o que no meu caso é um erro terrível.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Passei no psicólogo, um prédio sinistro e cinza, com aspecto sujo, um pavilhão apenas e com duas entradas. O prédio era residencial e comercial, entrei e enfrentei as escadas, subi cansado dos degraus, mas quando cheguei no andar pretendido não me demorei. A porta estava aberta, então peguei um envelope com meu nome em cima de uma prateleira, percebendo que não tinha ninguém no recinto aproveitei para me mandar. Não abri o resultado, fui embora.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;O prédio onde eu trabalho é como se fosse um trailer sem o carro, como se fosse um grande container, com uma porta preta automática que abria de cima para baixo, do lado de dentro, continha na primeira parte diversas baías onde ficavam os estagiários e os agentes, numa sala o pessoal da inteligência, em outra sala os advogados, no final do prédio a copa e a cozinha. Chegando no trabalho meus chefes estavam todos descontraídos e nem notaram meu erro de sexta, por isso pedi para que alguém consertasse o erro para mim, já que eu mesmo não poderia, pois seria notado. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Na hora do almoço, saí do escritório apesar do rigoroso inverno, pois necessitava fazer a ligação para a menina do fórum como tínhamos combinado durante o carnaval.&lt;br /&gt;Liguei e marcamos encontro no fórum, almocei junto a uma árvore e aproveitei para fumar metade do meu cigarro de maconha que tinha sobrado. Acabando de fumar, guardei o pote que usava para transportar o baseado e fui correndo para o trabalho, porque estava com medo, pois além de chegar atrasado, me demorei muito no almoço e ainda estava fumando. Voltei correndo pela a neve até chegar à entrada do prédio de apenas um andar, meu agente que sentava do lado de fora junto a uma advogada riu de mim, me chamando de louco, como fosse um sinal de desaprovação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ao entrar no trabalho e sentar na minha baía, o chefe máximo do trabalho, estava assistindo a um documentário sobre a violência na África e o preconceito de todos os negros com as pessoas de religiões islâmicas. Aparecia milhões de islâmicos metralhados, enquanto os negros sorriam, outros africanos brancos também fuzilavam pessoas em supermercado, estádios de futebol, e etc.... E se justificavam, falando que isso era legal, cultural e em seu país era feito para evitar a superpopulação.&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fui ao fórum, fiz o que tinha que fazer, e encontrei com a menina e, puxa, como era linda. Enquanto eu trabalhava lá, pude reparar a beleza dela e o quanto ela ria para mim, e era incrível pois não nos conhecíamos, apesar de ter marcado o motel era a primeira vez que estávamos nos vendo.&lt;br /&gt;Falamos por detrás de um vidro, peguei todas as informações necessárias e marquei para mais tarde.&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;Apesar de ter que voltar ao trabalho, fui embora do fórum direto para casa. Entrei em casa, troquei de roupa e olhei o resultado do psicólogo que nada apontou de errado. Eu mesmo que estava dando desculpas para tudo, apenas para ter o pretexto de viver o nada. Assim como dava muito valor a pequenas coisas e pouco valor a grande, tinha os valores trocados e que não era viciado em maconha.&lt;br /&gt;Li e guardei, sem ter paciência de pensar a respeito, saí da casa dos meus pais, pois eu não morava mais lá.&lt;br /&gt;Já não agüentava mais meus pais e como não tinha interesse de morar com eles, resolvi morar sozinho, como meu salário no emprego não possibilita alugar um apartamento, e que se fosse para alugar eu provavelmente gastaria muito de aluguel perdendo o meu padrão de vida. Arranjei uma bela solução, fui morar num banco de praça, um dos maiores por sinal.&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNormal"&gt;A esta altura já tinha parado de nevar e fui para meu banco de praça, localizado atrás de uma estátua que eu nunca reparei de quem era, localizado exatamente na Rua Farani, naquela praça, onde fica o cruzamento em que as pessoas se dirigem da praia de Botafogo para Laranjeiras. Dormi lá. No dia seguinte à noite, me veio um vizinho do prédio dos meus pais, falando que ia morar naquele local onde estou, pedi para ele ir embora, pois aquele local era meu e que apesar de ser tudo calçada eu tinha chegado primeiro, e que ele não tinha o direito de me tirar dali.&lt;br /&gt;Ele falou que a Neuza, uma outra vizinha, tinha chamado a policia e esta autorizou minha retirada, com o pretexto de que ele precisava muito mais que eu, que o dele era necessidade e o meu era festa, e cu doce com os pais.&lt;br /&gt;Ele dialogou e falou que vinha com a família, mas que eu poderia dormir em baixo do viaduto, falei que não, pois era perigoso.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;No fim não decidimos nada, então ao amanhecer do outro dia, fui para o prédio dos meus pais falar com o vizinho (agora de rua) que estava de mudança.&lt;br /&gt;Passei pelo o chafariz e entoquei uma caixa minha onde guardava o pouco do dinheiro que sobrou do mês, junto com o restante do baseado e o meu celular. Guardei na boca de um tigre em miniatura que estava no chafariz, e não corria risco, pois a caixa apesar de pequena encaixou bem, e seguro pois não saia água da boca do bicho.&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fui ao prédio e encontramos com sua família e um bando de gente pedindo por eles a Deus, fiquei comovido e vi claramente que para mim era uma luta perdida. Disse que não tinha para onde ir que eu concordava de alinharmos nossos bancos de praça a ponto de ficarmos juntos.&lt;br /&gt;Ele ficou meio indeciso sobre as vantagens que isso traria a ele, mas aceitou.&lt;br /&gt;Fomos juntos pelo o caminho, um policial nos escoltou, mas teve outro assunto para resolver, o que foi um verdadeiro alivio.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Passamos pelo o chafariz da minha rua, e tinha diversos policiais ali, o cara do meu prédio passou para pegar um dinheiro que um amigo estava devendo e ao lado fui pegar minha caixinha, um policial estava sentando na borda em frente ao tigre, com a mão quase na boca dele. Descobri que tinha um celular estranho na frente do meu celular. O policial balançou a mão algumas vezes, e eu cada vez mais tenso com o medo de ser descoberto rezava para ele parar. De repente ele fez um movimento brusco com a mão e passou sem encostar no meu celular, mas quando já respirava tranqüilo, vi a mão dele voltar e batendo no celular estranho que estava na frente do meu. Com isso meu celular e a minha caixinha voaram e me desdobrei, lutando contra minha inércia, consegui pegar os pertences no ar, com um interesse e uma volúpia tão grande que fizeram os policias desconfiarem.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quando abro o celular está escrito o nome do meu vizinho, André Moritz. Olhei com desprezo para ele, pois a família passava fome e ele ainda tinha um celular. Quando estávamos saindo do local, meu vizinho esbarra em mim e o meu pote caiu aberto na água, o policial que já acompanhava meu destino cuidadosamente, viu que eu levava comigo era maconha. Pulou na água para pegar o baseado e eu pulei também, tentando espalhar na água todo o baseado para ele não ter como juntar. Com isso todos os policiais pularam na água, eu pensei por um momento que estava salva pois espalhei toda a maconha. Quando olho para o policial com uma bola de maconha em sua mão, no que mais parecia uma bolinha de feno, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;percebi que ele tinha recolhido material suficiente para me prender, e enquanto ele levantava para comemorar com os outros policias eu rapidamente peguei a arma dele mirei na minha boca e me matei.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-5154082870791870444?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/5154082870791870444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=5154082870791870444' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/5154082870791870444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/5154082870791870444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/03/sonhos-sonhos-so-parte-1.html' title='Sonhos sonhos são... Parte 1'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-7299106286971391389</id><published>2007-03-11T22:51:00.000-03:00</published><updated>2007-03-11T23:10:15.216-03:00</updated><title type='text'>Breve meio-desabafo</title><content type='html'>E agora, sem esse véu que você me tirou do olho eu vejo e entendo um monte de coisas sobre o amor.&lt;br /&gt;Por ele há quem morra,&lt;br /&gt;há quem mate, (ele não é leve, nem moderado)&lt;br /&gt;Mas não eu. Eu só amo.&lt;br /&gt;Sem a menor cautela, sem medida, sem cuidado.&lt;br /&gt;E esse mesmo amor não me traz certeza nenhuma. O mundo ainda não faz sentido e minhas referências, meu chão, estão por aí sabe Deus onde. Continuo burro como ontem, apreensivo como hoje de manhã, saudoso de cheiros, de toques, de palavras, de trípticos, de sorrisos e suspiros e gemidos e cochilos. Mas a certeza do amor, ah, essa muito me atrai. Muito me basta. Por isso que as portas a gente não tranca; por vezes os outros nos sabem melhor que nós mesmos, e você sempre me soube. E já não sei mais até aonde as portas são minhas, até aonde são suas. Não se pode trancar. Genial.&lt;br /&gt;Por ora eu fico aqui, onde sempre estive. De onde já chorei de alegria, de medo, de saudade.&lt;br /&gt;Mas o pequeno pranto que eu derramo hoje é de amor. Amor que não me cabe.&lt;br /&gt;E isso torna esse aqui um pouco seu também.&lt;br /&gt;Esse aqui de onde continuo os dias mais felizes e estranhos de minha vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-7299106286971391389?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/7299106286971391389/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=7299106286971391389' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/7299106286971391389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/7299106286971391389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/03/breve-meio-desabafo.html' title='Breve meio-desabafo'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-151448197841123451</id><published>2007-03-05T19:45:00.000-03:00</published><updated>2007-05-15T01:18:57.030-03:00</updated><title type='text'>Poesia Pura</title><content type='html'>Foi sim meu bem, foi lindo ontem.    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Para ser sincero tem sido assim por dias, já há alguns dias, mas ontem, ontem foi lindo, é bastou por ser ontem. Pois ontem o filme foi lindo, um filme de um fôlego só, com momentos excitantes e tensos, como os nossos, com desejos enfreáveis e sólidos, como os nossos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Os amigos de ontem são lindos, pois meus amigos são seus amigos, amigos de um gole só, que do dia para a noite nos acamaradaram e que dia após dia ficam mais próximos do nosso convívio, e apesar de por agora ser tudo novo entre eu e você, é bom ter amigos dispostos a inovar ao nos ver envelhecer.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A noite de ontem foi linda, de uma respiração só de corpos sós,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;e que o meu corpo ao experimentar o seu da primeira vez e o seu experimentando o meu como primeira vez fosse, nós tornou o que somos, de uma posse que só vendo, mas sem título nenhum. Que mesmo levando os corpos ao suor, ou a exaustão, nos traz algo mais sublime que recompensa o esforço de movimentos acelerados, o deitar, o beijo, o filosofar sobre seus braços.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O pranto de ontem foi lindo, de um soluço só, mas que deixou de ser só ao ser revelada para você minha dor e angustias mais profunda, e apesar de quase todo mundo ser outra pessoa, não sei se conseguiria ser qualquer outra pessoa se o que me encanta neste relacionamento sem nome é poder ser eu mesmo. Não que em outros eu não tivesse sido, mas me encanta lhe ver encantada, e agradeço solenemente, ao revelar para você minha lágrima mais amarga, meus pequenos medos, minha sorte tamanha, deixando que você saiba dos meus íntimos, dos meus segredos, da minha vulnerabilidade, da minha impulsividade e do meu gosto por você, desta minha fatal sinceridade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E mesmo que ontem tenha sido lindo, chorei no seu colo, derramando em você o que há de melhor em mim, o que eu sou, e sou, de um fôlego só, de um gole só, de uma respiração só e de um pranto só...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-151448197841123451?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/151448197841123451/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=151448197841123451' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/151448197841123451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/151448197841123451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/03/poesia-pura.html' title='Poesia Pura'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-2076878590548430450</id><published>2007-02-23T21:06:00.000-02:00</published><updated>2007-02-23T22:13:48.754-02:00</updated><title type='text'>Adorável Vagabundo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Enfrentar problemas? Eu não sou assim...&lt;br /&gt;&lt;!--[if !supportLineBreakNewLine]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sou daqueles que inventam tudo novo, cria coisas todas novas, vivi em outro lugar. Daqueles que tentam argumentar com a ingenuidade.&lt;br /&gt;Sabe, sou uma comédia, me defino assim. Sem reparar que se definir como comédia é uma fuga para não se definir como tragédia.&lt;br /&gt;Sabe, eu argumento com o esquecimento. Pois eu não sei lidar com o comprometimento.&lt;br /&gt;Tenho desculpas para tudo, para ter um belo pretexto para se viver o nada.&lt;br /&gt;Sabe, eu argumento com "não sei", pois não quero nem saber aquilo que me causa essa tristeza que sinto agora, pois eu acho que por não saber ela logo vai se mancar que o lugar dela não é no meu peito.&lt;br /&gt;Mas, eu bem sei, que ando depressivo e que me escondo em palavras. Sei bem que ando igual, por isso tenho feito tudo diferente, e continuo igual. Que falo muito de mim mesmo, e que por mais que seja verdade tudo o que digo, não digo tudo... Dando assim a impressão que nada falta por dizer, apesar de boa parte eu esconder, revelando apenas a metade.&lt;br /&gt;Digo que muito: "Que importa", mesmo sabendo que não importa e eu continuo me importando.&lt;br /&gt;Sei que dou muito valor às coisas pequenas, pouco valor as coisas grandes...&lt;br /&gt;Sei bem que cortar o cabelo, por mais que eu tenha ficado mais atraente, não faz nada diferente.&lt;br /&gt;Nem é marco para merda alguma, ou qualquer coisa assim.&lt;br /&gt;Sou irônico, sou cínico, mas isso também é uma qualidade que arrumei para esconder que estou triste, que não escrevo sobre nada mais relevante que isso, que minha inspiração tem se esgotado quando é para falar de mim mesmo.&lt;br /&gt;Que eu guio algumas pessoas, e que rapaz, preciso tanto ser guiado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E sempre destruímos aquilo que mais amamos", sabe o que eu não tinha reparado quando reproduzi essa frase? Que juntamente com isso, destruímos a nós mesmos.&lt;br /&gt;Que quando ferimos alguém que amamos, ferimos também a nós mesmos (eu não disse que eu era ingênuo?)&lt;br /&gt;E que afastamos um amigo, afastamos de nosso próprio coração. Que cada golpe desferido contra uma pessoa amada, nos volta, ainda mais contundente.&lt;br /&gt;E por mais que eu seja uma pessoa muito vulnerável e até bondosa, sou pouco virtuoso e pouco grato pelas coisas que me cercam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sou eu?&lt;br /&gt;Sou daqueles que quando entra uma barata em casa, invés de matar a barata, abre a porta e saí de casa. Senta na porta, conversa com os vizinhos, é muito agradável, espera o passar de dias, até a barata morrer por si só. Abre a porta e se bobear ainda chama um amigo para varrer a barata para fora de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou daqueles que invés de resolver o problema, dá um abraço apertado, mesmo sabendo que o abraço alivia, mas não desarrocha os problemas que sufocam&lt;br /&gt;Sou daqueles que dizem a verdade mais cruel e correm para dar um beijo, pois mesmo sabendo que o beijo pouco adianta, não consegue conviver com a dor de causar a dor.&lt;br /&gt;Sou daqueles miseráveis que xingam com os palavrões mais absurdos e antes da outra pessoa responder, responde a si mesmo, dizendo a quem ofendeu os elogios mais ternos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe, eu digo que tudo isso é praticidade meus queridos, mas eu não sei o que é. E talvez essa seja a lição mais importante: Não saber que as coisas são importante, nem saber que não sabemos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-2076878590548430450?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/2076878590548430450/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=2076878590548430450' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/2076878590548430450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/2076878590548430450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/02/adorvel-vagabundo.html' title='Adorável Vagabundo'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-3980164157980986125</id><published>2007-02-21T19:03:00.000-02:00</published><updated>2007-02-21T19:12:16.377-02:00</updated><title type='text'>Impostor</title><content type='html'>Se quiser pensar, pensou.&lt;br /&gt;Pois eu não sou assim,&lt;br /&gt;Não pergunte aonde vou,&lt;br /&gt;Nem de onde vim&lt;br /&gt;Não parei para pensar, pensei.            &lt;p class="MsoNormal"&gt;Se quiser chorar, chorou.&lt;br /&gt;Pois eu não tô nem aí,&lt;br /&gt;Ligue o ventilador,&lt;br /&gt;Está quente aqui&lt;br /&gt;Eu não sei chorar, chorei.&lt;/p&gt;            &lt;p class="MsoNormal"&gt;Se quiser falar, falou.&lt;br /&gt;Pois eu não sei ouvir,&lt;br /&gt;Pegue o cobertor,&lt;br /&gt;Eu já vou dormir&lt;br /&gt;Preciso te falar, falei.&lt;/p&gt;            &lt;p class="MsoNormal"&gt;Se quiser sambar, sambou.&lt;br /&gt;Pois eu não vou sentir,&lt;br /&gt;Escolha o cantor,&lt;br /&gt;Não esqueça o tamborim&lt;br /&gt;Eu não sei sambar, sambei.&lt;/p&gt;            &lt;p class="MsoNormal"&gt;Se quiser amar, amou.&lt;br /&gt;Pois eu não vou mentir,&lt;br /&gt;Te peço um favor,&lt;br /&gt;Beije-me ao partir&lt;br /&gt;Eu não vou te amar, amei.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-3980164157980986125?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/3980164157980986125/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=3980164157980986125' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/3980164157980986125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/3980164157980986125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/02/impostor.html' title='Impostor'/><author><name>Felipe Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11410724296150444745</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-923335125823231569</id><published>2007-02-18T00:59:00.001-02:00</published><updated>2007-02-18T01:06:05.297-02:00</updated><title type='text'>Tsc.</title><content type='html'>Hoje eu tenho que trabalhar amanhã&lt;br /&gt;e hoje o amanhã pouco me importa,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu vi uma dançarina que não se achava bela&lt;br /&gt;Mas ela é mais bonita que eu e você juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu estive com amigos que não vão estar amanhã;&lt;br /&gt;e não me sai da cabeça, só o amanhã importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje acordei tarde demais, tivesse eu acordado cedo...&lt;br /&gt;Tsc.&lt;br /&gt;Não faria a menor diferença!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é só o que me resta, não tenho mais o ontem,&lt;br /&gt;tampouco o amanhã...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tudo é feito pra afetar. O hoje, o ontem, o amanhã, a amizade, a dançarina, a manhã e a tarde. O trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu repito o verbete na minha cabeça, e ele deixa de ser um signo, de ser um advérbio, de ser o agora. E se torna nada.E me afeta horrivelmente. Hoje é terrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje não foi mais especial que amanhã ou ontem. Mas eu precisei vivê-lo como se fosse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-923335125823231569?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/923335125823231569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=923335125823231569' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/923335125823231569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/923335125823231569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/02/tsc.html' title='Tsc.'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-3544437750474824700</id><published>2007-02-15T14:32:00.001-02:00</published><updated>2007-02-15T14:37:18.680-02:00</updated><title type='text'>Debut</title><content type='html'>A gente fala, mas você quem diz.&lt;br /&gt;E quando vejo foi do jeito que você quis...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tem problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes quando não tinha você, quem via até pensava&lt;br /&gt;só de olhar pra mim, que eu me bastava.&lt;br /&gt;Que respondia por mim próprio.&lt;br /&gt;Mas eu era só&lt;br /&gt;Um solilóquio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito chato por sinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu, que achava a cumplicidade um sonho bom&lt;br /&gt;Vejo e toco-a, pois que é real (um tanto fora do normal, confesso)&lt;br /&gt;Pisava em ovos, hoje ando em nuvens&lt;br /&gt;E por indulgir o que dantes penitenciava,&lt;br /&gt;Encontro por fim o que tanto buscava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos jogar à paz. E siga adiante,&lt;br /&gt;Que vou logo atrás.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-3544437750474824700?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/3544437750474824700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=3544437750474824700' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/3544437750474824700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/3544437750474824700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/02/debut.html' title='Debut'/><author><name>Severo Brandão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26278840.post-117148322818253422</id><published>2007-02-14T17:52:00.000-02:00</published><updated>2007-02-14T18:00:28.196-02:00</updated><title type='text'>R$ 1,99</title><content type='html'>Tinha um preço. E não era simplesmente pudor, moral ou coisa assim...&lt;br /&gt;Essas coisas estão muito abaixo de onde vi&lt;br /&gt;E eu que sempre te olhei de baixo, pela primeira vez, te olhava de cima&lt;br /&gt;Eu via de alturas maiores.Estava entre ir além e me jogar para onde você estava&lt;br /&gt;E eu me punia toda vez que ficava na mediana, no muro, e me faltava à coragem que você tinha que me fazia te olhar de baixo&lt;br /&gt;Hoje, vejo que pular não se tratava de valentia, coragem...Não mesmo&lt;br /&gt;Foi mais difícil permanecer do que pular&lt;br /&gt;Foi mais difícil sentir tudo o que senti, e sinto, sozinha&lt;br /&gt;Não se trata de moral, pudor ou algo parecido, eu já disse&lt;br /&gt;Mas de onde estava, construí castelos, pelos quais foram construídos com respeito&lt;br /&gt;E respeito, eu só tenho aos que amo e aos que amam&lt;br /&gt;E foi somente por isso que não pulei&lt;br /&gt;Como tens um mundo muito estreito, não podias me ver de onde estava&lt;br /&gt;Nunca irias compreender algo tão grande assim&lt;br /&gt;Como ainda não compreendes, mas isso, já não me importa&lt;br /&gt;Conseguiste, ainda assim, tirar muito de mim&lt;br /&gt;Minha alma, meu silêncio, meu sono e a vontade infinita de nunca mais amar quem não sabe esperar pelo amor.&lt;br /&gt;Mas não derrubastes os meus castelos&lt;br /&gt;Com isso, ganhei desprezo, desdenho, de quem nunca soube respeitar o amor em sua plenitude.&lt;br /&gt;E felicito-me, pois agora, de cima, te vejo derrubando o que foi construído com suas necessidades débeis.&lt;br /&gt;E nunca, nunca terás a coragem que tive&lt;br /&gt;Nunca conheceras a coragem que eu conheço&lt;br /&gt;Simplesmente porque no amor não cabe o egoísmo&lt;br /&gt;Não cabe somente o “eu quero”&lt;br /&gt;E não, eu não precisava pular, bastava você subir e ver de onde vi, ver os castelos que construí. E de lá, iríamos além...Sem ter que derrubar um só desses.&lt;br /&gt;Mas quem sempre olhou o mundo á palma da mão, respeito era um preço muito alto a se pagar.&lt;br /&gt;Que te valha o que ficou de mim ai embaixo&lt;br /&gt;Que te valha o furto&lt;br /&gt;E que me vendas por um preço justo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26278840-117148322818253422?l=jardimsuspenso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/feeds/117148322818253422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26278840&amp;postID=117148322818253422' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/117148322818253422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26278840/posts/default/117148322818253422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jardimsuspenso.blogspot.com/2007/02/r-199.html' title='R$ 1,99'/><author><name>Miss Jane</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05812097842134408993</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
